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Enquanto reinou, sem ser desdito pelo parágrafo seguinte, o parágrafo 5º da lei 11.442 fez um efeito fantástico. Praticamente não houve filas de caminhões no transporte da safra em 2007. E o mais curioso: não se sabe de nenhum ransportador que tenharecorrido à Justiça ou a outro meio para fazer valer o que a lei dizia ao longo deste ano. Quer dizer: bastou a existência da lei – e o risco de que pudesse ser aplicada – para que os embarcadores melhorassem a logística da movimentação da safra e as filas se dissipassem. |
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“As filas diminuíram 90% em 2007”, segundo o gerente executivo da ATC (Associação dos Transportadores de Cargas do Mato Grosso), de Rondonópolis, Miguel Antonio Mendes. “As que restaram foram causadas pela quebra de algum equipamento do embarcador, mas nesses casos tivemos a compreensão e a tolerância do transportador”, acrescenta. Um problema crônico que não se resolve em Mato Grosso– aproveita Miguel para informar – é a falta de condições de trabalho para os caminhoneiros nos terminais da ALL de Alto Taquari e Alto Araguaia. Passam por ali 400 caminhões por dia e só existe um banheiro. Além disso, a pista do pátio de triagemé de terra e esburacada. Mas o Ministério Público do Trabalho já entrou com processo e existe promessa da ALL de fazer as melhorias necessárias.”
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Mas então era só uma questão de melhorar a logística, coisa há tanto tempo reivindicada pelos transportadores, para acabar com as filas e a perda de tempo e de dinheiro pelos caminhoneiros na safra? Era só uma questão de gerenciar melhor a movimentação das mercadorias? Todos os entrevistados pela Carga Pesada dizem que sim – e acham que isso ficou provado este ano.
Diante dessa resposta, é o caso de fazer mais esta pergunta: então por que os grandes embarcadores fizeram tanta questão de alterar o dispositivo da lei 11.442 que estabeleceu o valor mais alto da estadia, se, como vimos, não há necessidade de pagar estadia quando a logística deles funciona? “Porque melhorar a logística também significa custo, e eles tiveram que enfrentar esse custo este ano”, explica o presidente do G10, Cláudio Adamucho, acrescentando que esse fato levanta uma dúvida sobre o que ocorrerá em 2008 e nos anos seguintes se a lei ficar como está agora: será que a logística vai funcionar tão bem ou melhor ainda do que em 2007? Ou os caminhões voltarão a ser usados como armazéns baratos e sempre disponíveis pelos movimentadores de grãos?
Quem viver, verá.
Fonte: Revista Carga Pesada
http://www.cargapesada.com.br/
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