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Atividade econômica acima do esperado

Por Diário do Comércio

16/03/2021

São Paulo – A economia do Brasil iniciou 2021 com ganhos bem acima do esperado em janeiro, segundo dados do Banco Central (BC), mas deve enfrentar novos desafios conforme o País vive o pior momento da pandemia de Covid-19.


O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 1,04% no primeiro mês de 2021 na comparação com o mês anterior (dezembro), de acordo com dado dessazonalizado.


O resultado foi o nono seguido no azul e ficou bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,40% no mês. Também mostrou um ritmo mais forte da economia depois de perda de força ao longo do último trimestre do ano passado – em dezembro, o IBC-Br subiu 0,7%, em dado revisado pelo BC de alta de 0,64% informada antes.


Janeiro representou o ritmo de expansão mais forte desde setembro, porém a divulgação do dado acontece no momento em que o Brasil passa por seu pior momento na epidemia, com contaminações e óbitos em alta e sistemas de saúde sobrecarregados, bem como a imposição de restrições mais rígidas de isolamento em vários Estados.


Na comparação com janeiro de 2020, o IBC-Br registrou queda de 0,46% e, no acumulado em 12 meses, teve recuo de 4,04%, segundo números observados.


A economia brasileira registrou em 2020 a maior contração em 24 anos, uma queda de 4,1%, sob o impacto das medidas de contenção ao coronavírus.


O ano de 2021 começou de forma distinta entre os setores econômicos. A indústria brasileira teve alta da produção pelo nono mês seguido, de 0,4%, mas em desaceleração e sofrendo o impacto do agravamento da pandemia no Amazonas.


Já o volume de serviços no Brasil voltou a subir em janeiro e acima do esperado, com ganho de 0,6% em relação a dezembro, mas as vendas varejistas apresentaram perdas de 0,2% no mês em meio ao fim do auxílio emergencial.


Embora o ano tenha começado com pontos positivos, o País enfrenta agora um pano de fundo de incertezas que vão além da piora da pandemia em meio à lentidão da vacinação.


“O índice surpreendeu positivamente, principalmente, após leituras fracas dos índices de varejo, serviços e indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o mês nos últimos dias. Ainda que o resultado tenha vindo acima das expectativas, esperamos um arrefecimento da atividade econômica no primeiro trimestre de 2021”, disse em nota o estrategista-chefe do banco digital modalmais, Felipe Sichel,  calculando queda de 0,7% do PIB nos três primeiros meses deste ano.


O BC se reúne ainda nesta semana para decidir sobre a taxa básica de juros (Selic), com expectativas de aumento da mínima histórica de 2,0%. A renovação do auxílio emergencial ainda não saiu e o cenário fiscal continua preocupando, em meio à deterioração do quadro inflacionário e ao desemprego ainda elevado.


Por fim, a pesquisa Focus do BC divulgada ontem mostra que o mercado espera crescimento de 3,23% do PIB em 2021, indo a 2,39% em 2022, em cenários mais fracos do que os esperados no levantamento anterior. (Reuters)


País tem melhores condições de recuperação


Brasília – O aumento do crédito e da taxa de poupança ocorrido durante a crise gerada pela pandemia de Covid-19, aliado ao fato de o ajuste do mercado de trabalho no período ter se dado principalmente no mercado informal, dá ao Brasil agora melhores condições de recuperação do que as verificadas em outras crises recentes, avaliou a Secretaria de Política Econômica.


Ainda assim, a SPE ressaltou em texto divulgado à imprensa que o recrudescimento da pandemia representou um freio à retomada econômica verificada no segundo semestre do ano passado, e que a crise atual só será superada totalmente com a vacinação em massa.


“As próprias fontes da crise…têm em sua origem a própria doença, de forma que só serão sanadas de forma definitiva com a vacinação em massa da população, em especial a dos mais vulneráveis à doença”, disse a SPE em nota.


Segundo destacou a secretaria do Ministério da Economia, ao contrário do que foi visto nas crises de 2009 e de 2015-2016, a taxa de poupança cresceu no ano passado, chegando ao maior nível em cinco anos (15% do PIB), impulsionada pelo pagamento do auxílio emergencial e às restrições ao consumo impostas pela pandemia.


Já o crédito foi alavancado por iniciativas de expansão da liquidez, provisão de garantias e programas do governo, e também apresentou alta robusta no ano passado.


Para a SPE, o fato de a queda do emprego ter se dado principalmente no mercado informal, enquanto as vagas formais foram em boa medida protegidas por programa do governo que autorizou a suspensão de contratos e redução de salários e jornadas, é outra vantagem frente a outras crises.


“A preservação de postos formais significou preservação de empregos mais produtivos e de melhor qualidade – e, portanto, de capacidade potencial de produção, que poderá significar uma retomada mais forte”, disse a SPE. “E, dada a maior flexibilidade do setor informal, a retomada dos empregos nesse setor também deverá ocorrer mais rapidamente”.


A secretaria divulga hoje (16) uma atualização das suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação. As estimativas mais recentes da secretaria, divulgadas em novembro do ano passado, apontam para um crescimento de 3,2% este ano, com Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,23%. (Reuters).

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