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BC sobe juros em 1 ponto e Selic vai 14,25%, maior nível desde 2016

Decisão já era esperada pelo mercado e cumpre orientação prevista em dezembro; Copom sinaliza alta menor na próxima reunião

Por CNN Brasil

19/03/2025 às 18:39 | Atualizado 19/03/2025 às 20:01


Prédio do Banco Central em Brasília • Adriano Machado/Reuters
Prédio do Banco Central em Brasília • Adriano Machado/Reuters

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou a subir os juros em 1 ponto percentual nesta quarta-feira (19), elevando a Selic para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime.

Este é o maior patamar para a taxa básica de juros desde outubro de 2016.

Foi a quinta reunião seguida de aperto monetário e a segunda vez com Gabriel Galípolo à frente do BC.


Histórico recente dos juros básicos no país


Selic chegou ao maior patamar desde 2016

Datas referentes a cada reunião do Copom


A alta já era esperada pelo mercado e cumpre o forward guidance previsto pelo Copom no último encontro de dezembro, quando os juros foram elevados em 1 ponto, a 12,25%.

Na ocasião, o comunicado da autarquia já previa mais dois aumentos da mesma magnitude nos encontros de janeiro — quando a taxa subiu a 13,25% — e março.

Entre agosto de 2023 e maio do ano passado, o colegiado conduziu um movimento de queda dos juros, até estabilizá-los em 10,5%.

O endurecimento da política do BC voltou em setembro, quando a autoridade monetária indicou incertezas no cenário econômico, uma alta dos preços resiliente acima da meta e a desancoragem das expectativas de inflação no mercado.

Para a próxima reunião do Copom, em maio, o colegiado já adiantou que planeja voltar a subir a Selic, mas numa magnitude menor do que um ponto.

Desta em diante, o BC diz que vai manter suas decisões a depender da evolução do cenário da economia.

Em seu comunicado, os diretores do BC voltaram a apontar preocupações com o cenário exterior, sobretudo com a política econômica dos Estados Unidos. Desta vez, o colegiado clarificou e verbalizou sua incerteza “principalmente […] acerca de sua política comercial e de seus efeitos”, em referência às tarifas de Donald Trump.

Sobre o cenário doméstico, ressalta uma melhora “incipiente” quanto ao ritmo da atividade econômica, mas reforça que a inflação segue pressionada.

Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, o BC destaca:

  1. Uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;

  2. Uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;

  3. Uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.


Temor fiscal e inflação pressionada


A decisão de alta dos juros ocorre em meio incertezas domésticas e internacionais.

No cenário doméstico, o compromisso fiscal do governo federal segue como principal ponto de pressão no mercado.

O temor ganhou nova força nas últimas semanas após o governo anunciar uma série de medidas que estimulam o consumo, com destaque para a medida provisória que permite o saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a liberação do crédito consignado para profissionais com carteira assinada.

O cenário mantém as expectativas para a inflação brasileira distante do teto da meta perseguida pelo BC.

A autarquia deve entregar inflação em 3%, com 1,5 ponto de tolerância para baixo (1,5%) ou para cima (4,5%).

Nos últimos doze meses, a taxa ficou em 5,06%, acima dos 4,56% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.


Tarifas de Trump


No cenário internacional, as tarifas de Donald Trump aos produtos importados dos Estados Unidos são o principal foco de incerteza.


A taxação de importantes parceiros dos EUA, como Canadá, México e China, também resultou em retaliações, gerando ainda mais incerteza no cenário econômico internacional.

O mercado prevê nova manutenção do atual patamar no próximo encontro do Fed, em maio, com expectativa de corte apenas em junho, segundo dados do FedWatch, da CME.

 
 
 

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