Caminhoneiros autônomos trabalham 25 dias por mês e ficam mais de 15 dias longe de casa
Mundo Logística
Publicado em 31 de agosto de 2026
Pesquisa da CNTA apontou jornada média de 14 horas por dia, nove fretes mensais e faturamento líquido médio de R$ 14 mil.

Os caminhoneiros autônomos trabalham, em média, 25 dias por mês, cumprem jornadas de 14 horas por dia e permanecem 16 dias seguidos longe de casa. Os dados fazem parte da 3ª Pesquisa Nacional CNTA - Realidade do Transportador Autônomo de Cargas 2025, realizada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).
O levantamento ouviu 2.002 caminhoneiros autônomos cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). As entrevistas foram realizadas presencialmente entre junho e agosto de 2025, em 11 estados das cinco regiões do país. A amostra é não probabilística por conveniência, formada pelos transportadores disponíveis nos pontos de coleta e que aceitaram participar da pesquisa.
Além da média mensal de 25 dias trabalhados, 61,1% dos entrevistados afirmaram trabalhar entre 25 e 29 dias por mês, enquanto 11,2% disseram trabalhar o mês inteiro. Em relação à jornada diária, 40,1% trabalham entre 12 e 14 horas e 40,4%, entre 15 e 17 horas. Outros 8,8% relataram jornadas de 18 horas ou mais.
O tempo fora de casa também ocupa parcela significativa do mês. A média é de 16 dias seguidos, sendo que 29,2% ficam entre dez e 14 dias longe de casa e 23%, entre 15 e 19 dias. Há ainda 11,7% que permanecem de 20 a 24 dias fora, 4,1% de 25 a 29 dias, 5,3% de 30 a 34 dias e 4,9% por 35 dias ou mais.
A pesquisa também mostra que 48,5% dos caminhoneiros afirmaram não tirar férias. Entre os entrevistados, a média anual é de oito dias de férias. Em relação à atividade, são realizados, em média, nove fretes por mês.
FATURAMENTO LÍQUIDO MÉDIO É DE R$ 14 MIL
A pesquisa também levantou informações sobre o faturamento da atividade. O faturamento bruto mensal médio informado pelos entrevistados é de R$ 46 mil, enquanto o faturamento líquido médio fica em R$ 14 mil. O levantamento apresenta ainda o valor médio de R$ 40 por hora.
Entre os entrevistados, 59% declararam faturamento líquido mensal entre R$ 10 mil e R$ 19.999. Outros 21,9% ficam abaixo de R$ 10 mil, 15,6% entre R$ 20 mil e R$ 29.999 e 3,4% alcançam R$ 30 mil ou mais.
Os aplicativos de frete aparecem como o principal meio utilizado para conseguir cargas, citados por 46,6% dos profissionais. A contratação direta com embarcadores representa 38%, seguida pelos agenciadores de cargas, com 14,9%, e pelas indicações, com 0,5%.
POSTOS CONCENTRAM PARADAS PARA DESCANSO
Os postos de combustíveis são o principal local utilizado pelos caminhoneiros para cumprir a Lei do Descanso: 96,6% dos entrevistados afirmaram recorrer a esses estabelecimentos. Além disso, 78,4% classificaram como difícil encontrar um local para cumprir o período de descanso.
O levantamento também mostra que 59,3% afirmaram não se sentir valorizados, embora pretendam continuar na profissão. Outros 23% disseram não se sentir valorizados e pretendem mudar de atividade. Já 12,7% afirmaram se sentir parcialmente valorizados e 5,2% responderam que se sentem valorizados. O tempo médio de exercício da profissão entre os participantes é de 18 anos.
Outro aspecto abordado é o tempo de espera para carga e descarga. Segundo a pesquisa, 46,1% afirmaram enfrentar sempre esperas de cinco horas ou mais, enquanto 23,4% disseram passar por essa situação às vezes. Quando a espera ultrapassa cinco horas, 84,7% disseram não receber o valor da estadia e não denunciar; 8,6% afirmaram receber corretamente e 6,6% não recebem e denunciam.
FROTA TEM IDADE MÉDIA DE 15 ANOS
A pesquisa também traça um perfil dos veículos utilizados pelos autônomos. A idade média é de 15 anos. A maior parcela, 33%, tem entre dez e 14 anos de uso, enquanto 19,7% está na faixa de 15 a 19 anos e 13,3%, entre 20 e 24 anos.
Entre os entrevistados, 71,3% possuem o veículo quitado, 25,2% ainda estão pagando financiamento e 3,5% utilizam consórcio. O levantamento também aponta que 57,6% possuem algum pneu recauchutado.
SEGURANÇA E SAÚDE APARECEM ENTRE OS DESAFIOS
A segurança nas rodovias também foi abordada pelo levantamento. Entre os participantes, 57,7% responderam que nunca se sentem seguros nas estradas. Outros 17,7% disseram se sentir seguros às vezes e 17,7%, esporadicamente.
A pesquisa aponta ainda que 16,9% já foram vítimas de furto sem violência e 13,3% sofreram roubo com uso de violência. Entre aqueles que já passaram por furto ou roubo, 71,8% relataram uma ocorrência e 20,9%, duas.Na área da saúde, 62,1% afirmaram procurar atendimento médico apenas quando estão doentes, enquanto 60,2% fazem exames de rotina somente quando apresentam algum problema. Além disso, 86,5% disseram não praticar atividade física durante a semana.Mais da metade dos participantes, 56,7%, informou possuir alguma comorbidade. Entre aqueles que responderam positivamente, as mais citadas foram pressão alta (19,7%), sobrepeso ou obesidade (19,4%), problemas de visão (18,2%), ansiedade (15,6%) e estresse (15,2%).
A 3ª Pesquisa Nacional CNTA também abordou questões relacionadas ao Vale-Pedágio Obrigatório, Piso Mínimo do Frete e Lei da Estadia. Segundo a CNTA, o levantamento busca traduzir as percepções e dificuldades dos caminhoneiros em informações para apoiar a atuação da entidade e monitorar indicadores sociais, de saúde, infraestrutura e legislação




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