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Com foco em segurança rodoviária, Danone reduz infrações em 69% e zera acidentes em um ano

  • 22 de mai.
  • 6 min de leitura

Mundo Logística - Camila Lucio

Publicado em 21 de maio de 2026


Durante o nstech Experience Day, Danone, Grupo Tombini e nstech apresentaram como as empresas estão transformando a prevenção de acidentes em vantagem competitiva.


Fonte: Mundo Logística
Fonte: Mundo Logística

Enquanto acidentes rodoviários seguem gerando impactos bilionários no Brasil, empresas do setor logístico têm ampliado investimentos em prevenção, tecnologia e gestão de risco para reduzir ocorrências nas estradas. Durante o nstech Experience Day especial “Maio Amarelo”, Danone, Grupo Tombini e nstech apresentaram como as empresas estão transformando a prevenção de acidentes em vantagem competitiva.


No caso apresentado pela Danone, com apoio das soluções da nstech, os resultados incluíram redução de 69% nas infrações e queda de 50% nos desvios relacionados à segurança. A operação também alcançou 12 meses sem acidentes entre 2024 e 2025, além de evitar R$ 891 mil em custos com ocorrências.


Segundo os dados apresentados durante o evento, o programa também registrou aumento de 91% no número de motoristas treinados e execução de 100% das ações corretivas previstas. Outro indicador destacado foi a redução de 10 vezes nos desvios diários na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o último trimestre de 2025.


De acordo com a companhia, menos de 1% dos motoristas apresentaram postura inadequada após a implementação das medidas, resultado atribuído ao monitoramento contínuo e aos treinamentos constantes.


SEGURANÇA COMO ESTRATÉGIA OPERACIONAL


Durante a apresentação, Cristiano afirmou que o mercado historicamente tratou acidentes rodoviários como eventos “aceitáveis”, diferentemente do roubo de cargas, que normalmente mobiliza investimentos mais robustos em gestão e proteção.


Segundo dados apresentados pela empresa, o Brasil registra 72 mil acidentes rodoviários em 2025, 83 mil feridos e 6 mil mortes, além de R$ 16 bilhões em prejuízos anuais. Mais de 20% dos acidentes envolvem veículos de carga, responsáveis por 44% das mortes nas estradas.


“A partir do momento em que existe uma certa gestão, controle, aculturamento, a gente consegue reduzir esses acidentes, que traz um benefício gigantesco para a sociedade, para os embarcadores e para os transportadores”, afirmou Cristiano Tanganelli, sócio-diretor da nstech.


Entre os comportamentos mais recorrentes identificados nas operações monitoradas estão os desvios de velocidade, que representam 70% das ocorrências — cerca de 27 milhões de registros. Também foram contabilizadas 470 mil ocorrências de uso de celular ao volante, 497 mil casos de falta do uso do cinto de segurança e 1,3 milhão de episódios relacionados à fadiga e distração.


“Se tenho uma câmera dentro da cabine do motorista, é fantástico. Mas quando controlo a velocidade e o tempo de condução, se o motorista não está correndo acima ou ele não está cansado, reduzo os acidentes”, destacou.


Além do impacto humano, Cristiano destacou os reflexos operacionais e financeiros das ocorrências. “É quebra de SLA, veículo parado, carga indisponível, aumento de seguro, perda de contrato e dano de imagem”, exemplificou.


O executivo também defendeu que segurança deve deixar de ser tratada apenas como custo operacional. “Quando o embarcador e o transportador entendem que a gente tem que ter uma gestão sobre a movimentação das cargas na questão de prevenção de acidentes, o resultado vem.”


REVISÃO DE JORNADAS E MUDANÇA CULTURAL


Na Danone, o programa de segurança viária começou a ganhar escala entre o fim de 2024 e o início de 2025. Segundo o gerente de Logística da empresa, Rodrigo Duarte, a iniciativa surgiu a partir da necessidade de criar um modelo mais estruturado de road safety dentro da operação logística.


“A Danone há anos tem um programa de segurança em armazéns bem estruturado, bem maduro. Mas a gente sentiu a necessidade de ter alguma coisa muito específica também para segurança viária”, explicou.


A empresa passou a revisar lead times, jornadas e regras operacionais para adequar as operações à legislação do motorista e às condições seguras de descanso e deslocamento.


“A gente refez o exercício, reconsiderou o nosso lead time padrão para uma boa fatia da nossa malha, colocando segurança em primeiro lugar”, afirmou Rodrigo. “Hoje, 100% dos nossos lead times respeitam a lei do motorista, parada segura, jornada e tudo que se faz necessário.”


Uma das medidas implementadas foi a restrição de circulação noturna. “Hoje não tem nenhum veículo da Danone rodando antes das cinco horas da manhã. O ponto obrigatório é parar às 22 horas”, acrescentou.


A empresa também ampliou investimentos em telemetria, vídeo embarcado e monitoramento preventivo de desvios comportamentais. “Nossos parceiros hoje, principalmente de frota pesada como a Tombini, possuem telemetria, equipamentos novos, vídeo interno e externo. Isso fez e tem feito uma grande diferença”, disse Rodrigo.


Segundo ele, o processo também provocou uma reorganização da base de fornecedores. “No meio do caminho, a gente teve fornecedor que abandonou o barco, seja porque não conseguiu se adequar às regras que estão vigentes hoje, seja porque não quiseram, não concordaram ou porque entendiam que o investimento que precisava ser feito em equipamento não seria compensado pelo frete no fim do dia”, avaliou.


Atualmente, segundo Rodrigo, todos os transportadores de frota pesada da operação estão adequados ao guia de road safety da empresa.


MOTORISTA NO CENTRO DA OPERAÇÃO


Parceira da Danone desde 2016, a Tombini afirmou que a construção da agenda de segurança viária ganhou ainda mais força a partir da aproximação com o programa de road safety da companhia. Segundo o gestor de risco da transportadora, Wilker Lytiery, quando a Danone passou a ampliar as discussões sobre prevenção de acidentes, a empresa já possuía uma cultura estruturada voltada à segurança dos motoristas.


“Quando a Danone diz assim: ‘Precisamos fazer algo’, a Tombini levanta a mão e fala assim: ‘Estamos fazendo desde 2013’”, afirmou.


De acordo com ele, a agenda de safety da transportadora começou há mais de uma década e foi incorporada à governança da companhia. “A decisão da Tombini não é uma decisão do SSMQ. É uma decisão de empresa, de governança”.


Wilker destacou ainda que o alinhamento entre embarcador e transportador foi determinante para os resultados apresentados durante o evento. “É extremamente importante a gente estar na mesma página do nosso cliente, que é o embarcador, porque não é uma discussão simples”, pontuou.


Segundo o executivo, a operação realizada com a Danone envolve cargas secas e refrigeradas, com frota dedicada composta por carretas e veículos bitruck.


A estratégia da Tombini é baseada na valorização do motorista e na construção de uma cultura contínua de segurança. “Não existe mudança de cultura sem confiança”, afirmou Wilker. “O maior benefício dessa agenda é quando a gente devolve o motorista com saúde e segurança para a família dele.”


A estrutura apresentada pela companhia inclui Centro de Instrução e Treinamento (CIT), Centro de Controle Integrado (CCI), programas de apoio psicológico, acompanhamento comportamental e equipes de suporte ao motorista nas estradas.


“O motorista está sendo o tempo todo bombardeado de novas mudanças. O ponto de virada dessa discussão é colocar o motorista como ponto focal da construção dessa cultura”, reforçou.


Wilker também destacou ações voltadas ao lado humano da operação, incluindo contato personalizado com motoristas aniversariantes, presença de psicólogas e equipes dedicadas ao acolhimento dos profissionais.


Outro destaque apresentado foi a campanha “Zero Acidente”, voltada ao reconhecimento e engajamento dos motoristas. “A maior campanha de prevenção de acidente do transporte rodoviário do Brasil”, definiu Wilker. A iniciativa prevê premiações próximas de R$ 200 mil e ações envolvendo familiares dos profissionais.


A Tombini também destacou investimentos em renovação de frota e manutenção própria em parceria com Volvo, Scania e Mercedes-Benz. Atualmente, a empresa opera com idade média de frota de aproximadamente 2,5 anos.


TECNOLOGIA, DADOS E PREVENÇÃO PREDITIVA


A integração entre tecnologia, gestão de risco e monitoramento contínuo também foi apontada como um dos pilares centrais para os resultados alcançados pela Danone. Segundo Rodrigo, a parceria com a nstech começou antes mesmo da formação do ecossistema atual da companhia, ainda com soluções como BRK e Multisoftware.


De acordo com o executivo, a Danone já utilizava o programa da BRK, voltado ao controle de velocidade e jornada. Posteriormente, a companhia incorporou a torre de safety da Onisys, ampliando a capacidade de monitoramento e análise preditiva da operação.


Segundo Rodrigo, atualmente 100% dos motoristas, veículos e cargas da operação passam pelas plataformas da BRK.  Ele destacou ainda que a integração das ferramentas permitiu avançar no cruzamento de informações e na prevenção de comportamentos de risco.


“Isso facilitou principalmente quando a gente olha dados preditivos. Como garantir que você não está colocando um motorista suspeito dentro da operação? Ou alguém que comete atos falhos de forma recorrente?”, questionou o executivo.


Nesse contexto, a torre de safety passou a atuar como um sistema integrado de monitoramento preventivo, reunindo dados de jornada, velocidade, telemetria, câmeras e comportamento dos motoristas.


 
 
 

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