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Duas cidades goianas estão entre as mais impactadas do país pelo tarifaço americano

  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura

Diário de Goiás - Rafael Tomazeti

Publicado em 27 de julho de 2026


Fonte: Diário de Goiás
Fonte: Diário de Goiás

Duas cidades de Goiás estão entre as mais afetadas pelo novo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros. Goiatuba, no Sul, e Goianésia, no Vale do São Patrício, são os municípios goianos que constam em levantamento do Estadão, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, entre os 100 mais impactados.


As duas cidades sediam forte indústria sucroalcooleira. Os Estados Unidos são um dos principais destinos da exportação do açúcar orgânico produzido no parque industrial dos municípios.


Os EUA aplicaram uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros depois de uma investigação determinada por Trump, que citou supostas práticas desleais do Brasil, como o Pix, meio de pagamento eletrônico, que segundo os americanos desfavorece a concorrência. As principais empresas de cartões de crédito do mundo são americanas. O governo do republicano citou ainda dados falsos sobre desmatamento e a falta de um acordo com o governo brasileiro.


Depois, o Brasil apareceu numa lista de países que receberiam mais 12,5% de tarifação nas importações por suposta leniência com o trabalho forçado. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) alegou que economias parceiras não fiscalizam de forma adequada cadeias produtivas associadas a essa prática. Todos os argumentos foram rebatidos pelo governo brasileiro.


Diferente do primeiro tarifaço, em julho do ano passado, vários produtos, importantes para o cotidiano americano e que impactam na inflação do país, ficaram fora da lista de tarifações. Destarte, uma avaliação da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) aponta que há menor impacto para o estado.


Segundo nota técnica da Fieg, embora os Estados Unidos representem um dos principais destinos das exportações goianas – com US$ 641 milhões embarcados em 2025 –, a lista de produtos isentos da tarifa adicional de 25% contempla itens de grande peso na pauta estadual, como carnes e soja. Com isso, a tendência é de que as novas medidas funcionem mais como um freio ao crescimento das exportações do que como um fator de retração significativa nas vendas.


A Gedin-Fieg estima que o valor exportado por Goiás ao mercado norte-americano permaneça próximo da média atual, em torno de US$ 80 milhões por mês. O comportamento difere do observado em âmbito nacional, onde a expectativa é de redução entre 10% e 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 360 milhões por mês ou US$ 4,3 bilhões por ano.


A análise mostra ainda que a experiência do “tarifaço” aplicado em 2025 reforça essa projeção. Enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram cerca de 22% durante a vigência das barreiras daquele período, Goiás registrou apenas uma estabilização das vendas externas, com redução média de 3%, retomando o crescimento após a suspensão das medidas, em fevereiro deste ano.


No plano nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova tarifa de 25% agrava um cenário que já vinha pressionando o comércio bilateral. Segundo a entidade, 20 dos 27 Estados brasileiros reduziram as exportações para os EUA no primeiro semestre, movimento que compromete a competitividade da indústria brasileira e amplia a insegurança para empresas dos dois países.


Cidade paulista tem maior impacto


De acordo com o levantamento do Estadão, o maior impacto é para o município de Piracicaba, no interior de São Paulo. Cerca de US$ 1,2 bilhão em exportações anuais de produtos produzidos na cidade ficam comprometidos pelo tarifaço de Trump. A capital paulista fica em segundo, com US$ 239 milhões, enquanto Joinville-SC é a terceira, com impacto de US$ 229 milhões.

 
 
 

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