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Pesquisadores de Goiás desenvolvem produtos para diminuir dependência dos fertilizantes importados

Fonte: G1 - Jornal Nacional

17/03/2022


Fonte: Banco de Imagens / Pixabay

A mineradora na região metropolitana de Goiânia funciona há 30 anos produzindo brita e outros materiais para construção civil. Nos últimos anos, as pesquisas feitas nesse pó mostraram que ele é rico em potássio, cálcio e outros nutrientes ideais para lavoura.


“O produtor rural já tem essa opção de fazer essa escolha de defensivos e insumos químicos importados ou insumos nacionais, que são nossos aqui, estão no quintal de casa, que é rico nos estados de Goiás, de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul”, explica o engenheiro agrônomo Saulo Brockes.


Há quase 50 anos, o Brasil é dependente dos fertilizantes químicos que vêm de outros países. Mas foram a pandemia e a guerra na Ucrânia que mostraram o custo dessa dependência.


Em 2020, a tonelada de cloreto de potássio custava R$ 2 mil. No ano passado, o preço dobrou. Hoje a tonelada está custando R$ 6,3 mil, aumento de 215% em dois anos.


Por enquanto, os materiais extraídos das mineradoras não vão substituir os fertilizantes importados, mas vão diminuir a dependência do Brasil, que hoje importa quase 90% dos insumos usados na agricultura.


Pesquisas da Embrapa mostram que hoje o país tem apenas 30 jazidas produzindo esses nutrientes para o agronegócio, mas com um potencial enorme de crescimento.


"O potencial que nós temos hoje no Brasil é para gerar pelo menos 500 minas deste tipo. E hoje nós temos apenas 30 produtos registrados. Nós podemos ter, pelos estudos que nós desenvolvemos, até 500 produtos só a partir da mineração já existente", afirma Eder Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados.


A extração de fertilizantes orgânicos ainda é tímida no país, mas vem crescendo ao longo dos últimos anos. A estimativa da Embrapa é que, para atender todas as áreas agrícolas do Brasil, são necessárias 75 milhões de toneladas.


Faz dois anos que o produtor rural Alexandre Ceresa, de Goiás, trocou os insumos importados pelos fertilizantes extraídos das rochas. Viu o custo da produção cair 57%.


"Nós tivemos ano passado excelente retorno com o uso destes materiais. Foi uma forma de baratear nossos custos, remineralizar nosso solo e atuar de uma forma um pouco mais orgânica", conta.


As pesquisas da Embrapa também ajudam pequenos agricultores. O fertilizante ecológico vem da palha, esterco de animais e do pó de rocha das mineradoras.


“Esses materiais são muito ricos e esses materiais não podem ser desperdiçados. A gente precisa reciclar esses materiais na propriedade. Um dos princípios é conseguir a maior independência possível para o agricultor de insumos externos”, explica Flávia Aparecida de Alcântara, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão.