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Polícia Federal irá agir nos crimes de roubo de cargas

Polícia Civil deflagrou ação na última sexta-feira (13) que resultou em prejuízos de R$ 30 milhões


Por Jornal do Comércio

16/08/2021



O roubo de cargas, peças de caminhões e de veículos de transporte rodoviário entrará no alvo da Polícia Federal (PF). A garantia é do presidente do Setcergs (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul), Sérgio Gabardo, que obteve a confirmação do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino.

O reforço, segundo o dirigente, será fundamental no enfrentamento a um dos principais problemas que assola as empresas do ramo. As ações da Polícia Civil, diz Gabardo, têm sido estratégicas para impedir um crime que representa grandes prejuízo para as transportadoras de cargas. As cargas mais visadas, diz o dirigente, são aquelas que têm grande valor ou são fáceis de comercializar. Já as peças roubadas custam, em média, entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. “Os motoristas ainda vivenciam uma insegurança muito grande para fazer o pernoite”, sentencia.

Na manhã desta sexta-feira, por exemplo, a Operação Aleteia, realizada na Região Metropolitana de Porto Alegre, impediu o desvio de cargas de aço e soja. A operação, desencadeada pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) em conjunto com a Polícia Militar de Goiás e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), cumpriu 13 medidas cautelares judiciais: quatro mandados de prisão temporária; um mandado de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão.

“Essa operação, resultado de cinco meses de operação, é de extrema importância, pois estamos vivendo uma era de insegurança muito grande roubo de cargas, de peças de caminhões e dos veículos”, diz Gabardo.

A Operação Aleteia desvendou ações de um grupo criminoso que atuava além de roubos aleatórios em Canoas e Nova Santa Rita. As cargas furtadas eram vendidas em mercados do próprio líder da facção. Um efetivo de 48 policiais civis, 21 viaturas, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do helicóptero da Polícia Civil, flagrou situações como a de um criminoso que tentou forjar um roubo de veículo e da existência de um supermercado falso que contava com depósito para receber as cargas desviadas.

A ação da Polícia Civil integra a Operação Cavalo de Troia – Ultimato Final. A investigação que deu nome à operação começou em junho de 2020 devido ao aumento significativo de registros de ocorrências de roubos de carregamentos de soja e de aços utilizados na construção civil. Já nas primeiras diligências, os policiais constataram que 100% dos registros de roubos eram falsos e que se tratavam, na verdade, da modalidade criminosa de estelionato, com a participação direta do motorista transportador.

A força-tarefa apurou que os motoristas utilizavam uma conhecida plataforma digital de contratação de frete para atrair suas vítimas, em sua maioria empresários ligados ao ramo de transportes que buscavam o menor preço para realizar vendas de aço e armazenagem de grãos.

As vítimas entregavam suas cargas aos criminosos e, após realizarem o carregamento, eram desviadas e entregues aos receptadores. A narrativa padrão dos motoristas chamou a atenção dos investigadores que, observando o contexto das ocorrências, conseguiu verificar a existência do esquema, identificando todos os participantes. Um dos motivos que levou ao delito, segundo relato da Polícia Civil, foi o fato de as vítimas não terem pesquisado pregressa dos motoristas por priorizarem o menor preço de transporte.

A operação resultou na prisão de 15 motoristas (10 temporárias/preventivas e cinco em flagrante), apreensão de cinco caminhões e recuperação de várias cargas. Segundo a investigação, apenas duas das ocorrências (de um universo de mais de 30) partiram ou tiveram por destino o estado de Goiás. O último motorista e seu comparsa foram presos em Goiânia, em vista de cumprimento de mandando de prisão preventiva, na quarta-feira (11). O motorista foi detido após embarcar mais uma carga.

Novas medidas cautelares visando o encerramento do inquérito policial serão pleiteadas em juízo, especialmente em face do aplicativo digital e dos receptadores. Os investigados respondem pelos crimes de estelionato, receptação qualificada e associação criminosa. Há ainda cinco investigados foragidos, que seguem sendo procurados.