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Sistema TIR pode tornar Corredor Bioceânico até 30% mais barato

  • 18 de mar.
  • 3 min de leitura

Portal Be News

Publicado em 16 de março de 2026

Fonte: Portal Be News
Fonte: Portal Be News

Estudo da Infra S.A. indica que modelo internacional de trânsito aduaneiro diminui inspeções nas fronteiras e aumenta a previsibilidade do transporte de cargas


Uma avaliação realizada pela Infra S.A. apontou que os custos logísticos no Corredor Bioceânico de Capricórnio — rota rodoviária que conectará o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Atlântico aos terminais portuários do Norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina — podem cair até 30% com a adoção da Convenção de Transportes Internacionais Rodoviários (TIR).


O estudo demonstrou ainda que o sistema internacional de trânsito aduaneiro pode reduzir inspeções nas fronteiras e aumentar a previsibilidade do transporte. Neste modelo, as cargas como carnes processadas, soja e fertilizantes só serão abertas no local de destino, sem inspeção ao passar por cada país. A adoção do sistema também prevê a adoção de um documento único, que substitui os documentos nacionais de trânsito aduaneiro, e a garantia internacional de tributos.


Os resultados da avaliação foram apresentados no último dia 5, em Campo Grande (MS), durante o seminário “O sistema TIR como catalisador para integração e competitividade no Corredor Bioceânico”, que reuniu especialistas e representantes do setor público e privado para discutir a facilitação do comércio e a integração logística entre o Brasil e os portos do Pacífico.


Segundo a coordenadora de Projetos Especiais da Infra S.A., Elaine Radel, o estudo demonstra os impactos do TIR para aumentar a competitividade do mercado brasileiro e sul-americano no exterior, atraindo novos tipos de carga e ampliando o potencial logístico da rota.


“O Corredor Bioceânico é uma das principais iniciativas em desenvolvimento para a integração logística da América do Sul. Mas, para que essa rota alcance todo o seu potencial, é fundamental avançar não somente em obras de infraestrutura, mas também na harmonização de procedimentos aduaneiros e na modernização dos processos de trânsito internacional de cargas”, afirmou.


Radel explicou ainda que o sistema cria uma estrutura de confiança entre as aduanas dos países participantes. “Com uma garantia internacional única e o reconhecimento mútuo dos controles realizados na origem, o sistema reduz inspeções repetidas nas fronteiras e torna o fluxo de mercadorias mais ágil e competitivo.”


O diretor de Desenvolvimento de Trânsito e TIR da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), Lucas Lagier, ressaltou que o sistema já demonstrou resultados positivos em diferentes regiões do mundo.


“O TIR reduz o tempo de transporte, aumenta a segurança das operações e diminui custos logísticos. Ao reduzir o tempo de espera nas fronteiras, o custo do frete diminui e os produtos se tornam mais competitivos no comércio internacional”, afirmou.


Segundo Lagier, a implementação coordenada entre os países é fundamental para o pleno funcionamento do sistema. “Para que o TIR opere de forma efetiva no Corredor Bioceânico, é essencial que os países avancem juntos na sua implementação e fortaleçam a cooperação entre as autoridades aduaneiras”, acrescentou.


Ana Luiza Taliberti, também representante da IRU, apontou os desafios institucionais e a importância da articulação entre governos e setor privado. “Como toda mudança institucional, a implementação do TIR exige capacitação e alinhamento entre autoridades públicas, operadores logísticos e empresas. Trata-se de um modelo de cooperação público-privada, no qual as autoridades aduaneiras têm papel central”, explicou.


Integração e competitividade


O Corredor Bioceânico de Capricórnio é considerado estratégico para ampliar a inserção do Brasil no comércio internacional.


Durante o seminário em Campo Grande, o ministro de carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, destacou a importância do debate para o avanço da integração logística regional e ressaltou a contribuição da Infra S.A. no desenvolvimento técnico do projeto.


“Minha relação com a Infra S.A. é histórica. Ao longo de muitos anos, a instituição tem apoiado o desenvolvimento do Corredor Bioceânico, especialmente com estudos técnicos e análises de impactos logísticos que ajudam a embasar decisões estratégicas”, afirmou.


O diplomata também ressaltou a relevância da adoção da Convenção TIR pelo Brasil. “A implementação da Convenção TIR representa uma virada de página. É um novo olhar do governo brasileiro, que reconhece a necessidade de adotar mecanismos capazes de agilizar o trânsito internacional de cargas e tornar os processos logísticos mais eficientes”, concluiu.

 
 
 

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