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Tarifaço já paralisa exportações de mel brasileiro no Pecém

  • 1 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Portal Be News

1 de agosto de 2025 às 12:20

Gabriela Lousada

Fonte: Portal Be News / Foto: Reprodução / YouTube
Fonte: Portal Be News / Foto: Reprodução / YouTube

No último dia do Nordeste Export 2025, painelista faz alerta para 67 contêineres parados no Porto do Pecém


A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros começa a provocar abalo nas cadeias produtivas do Nordeste. No segundo e último dia do Nordeste Export 2025, realizado nesta sexta-feira (1º), em Teresina (PI), o painel ‘Impactos da política tarifária dos Estados Unidos na economia da região Nordeste’revelou um cenário preocupante. Produtos como mel, frutas e carne já enfrentam restrições logísticas e comerciais, com efeitos diretos sobre a renda de pequenos produtores da região.

Samuel Araújo, CEO do Grupo Sama, maior exportador de mel do Brasil, relatou que a tarifa está desestabilizando completamente a cadeia apícola. “Essa medida tira a gente do mercado. É uma tarifa punitiva que impede a competição. O impacto é econômico, mas principalmente social, mais de 500 mil famílias vivem da apicultura, muitas delas no semiárido nordestino”, afirmou. Segundo ele, o mel orgânico brasileiro, que antes ocupava espaço privilegiado no mercado norte-americano, já enfrenta recusa dos compradores, paralisando a operação de empresas exportadoras.

A crise se confirma no terminal portuário. Rebeca Oliveira, vice-presidente financeira do Complexo do Pecém, revelou que 67 contêineres de mel estão parados no porto cearense. “É a nossa carga mais antiga em linha contínua para os Estados Unidos, com embarques semanais há 24 anos. Agora, essa operação está travada. O impacto se espalha para frutas, carne e pescados também sofrem com a incerteza sobre os embarques”, afirmou.

Rebeca afirma ainda que o tarifaço atinge justamente os produtos mais geradores de emprego, como mel e manga, cuja colheita é manual e depende de força de trabalho intensiva.

Além dos danos econômicos imediatos, o setor teme perder competitividade de forma duradoura. “Criar um mercado de exportação leva anos. Se demorarmos a reagir, corremos o risco de ver o importador americano buscar fornecedores em outros países, como o Vietnã”, alertou Araújo.

Islano Marques, gestor da área internacional do Sistema FIEPI (Federação das Indústrias do Estado do Piauí), destacou que o problema não é apenas comercial e reforçou que a cadeia do mel é uma das mais inclusivas do Nordeste. “Boa parte da produção é feita por mulheres no campo, que complementam a renda das famílias. A quebra dessa cadeia atinge diretamente a base social da região.”


Medidas emergenciais


O painel mediado por Núria Bianco, diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, reforçou o apelo por medidas emergenciais por parte do governo federal. Entre as propostas mencionadas estão a criação de linhas de crédito específicas, isenção temporária de tributos federais e negociação diplomática para a revisão ou flexibilização da tarifa.

Segundo dados da Câmara Americana de Comércio, 43,4% das exportações brasileiras aos EUA foram poupadas da nova tarifa, mas os produtos atingidos, como mel, frutas e carne bovina, são justamente os de maior relevância para o Nordeste. “Essa decisão nos atinge em cheio. Precisamos de respostas rápidas para não perder mercados construídos ao longo de décadas”, concluiu Rebeca.


Matéria atualizada às 14h03

 
 
 

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