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Tocantins está entre os estados com maior crescimento do PIB na pandemia

Fonte: A Gazeta do Povo

02/05/2022



Foto: Agência Vale


A alta no preço das commodities, desde o início da pandemia, impulsionou o Produto Interno Bruto (PIB) de estados com grande atividade de agronegócio e mineração, aponta um estudo realizado pela consultoria MB Associados a partir de dados do IBGE.


É o caso de Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Pará e Espírito Santo, que, conforme o estudo, devem acumular expansão entre 3,9% e 4,9% no período de 2020 a 2022. O crescimento desses estados é muito superior ao estimado para o PIB nacional no mesmo período, de apenas 0,5%, segundo a consultoria. “São estados que têm uma base forte de commodities como soja, minério de ferro e celulose”, diz o economista-chefe da consultoria, Sergio Vale.


Segundo a plataforma de investimentos Investing.com, desde o início de 2020, a oleaginosa se valorizou mais de 90%, atingindo na quinta-feira (27) a maior cotação na Bolsa de Chicago desde 2012. O minério de ferro se valorizou mais de 70% no período, e a guerra da Ucrânia e os problemas de logística global deixaram mais apertado o mercado da celulose, inflando os preços dessa matéria-prima.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) aponta que as exportações desses três produtos cresceram 11% em valores no comparativo entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022.


Por outro lado, estados como Alagoas, Acre, Ceará e Bahia estão perdendo representatividade no PIB nacional. Segundo Vale, são regiões que dependeram muito de auxílios públicos concedidos durante a pandemia. E com o fim do auxílio e o aumento da inflação, o consumo tende a ficar mais deprimido.


Parte desses estados tem no turismo uma de suas principais fontes de renda. No pior momento da crise, em fevereiro de 2021, os serviços de hospedagem e alimentação tiveram uma queda de 38,9% no acumulado de 12 meses, em comparação com o igual período anterior, segundo o IBGE. E o transporte aéreo experimentou uma retração de 58%.


Expectativas de crescimento para 2022


A MB Associados projeta que a economia brasileira deverá crescer 0,5% neste ano. Ela será impulsionada, do lado da demanda, pelas exportações e pelo consumo focado em serviços. E, do lado da oferta, pela recuperação consolidada no segmento de serviços e pelo bom desempenho do agronegócio.


Segundo Vale, o grande desafio será a inflação. A guerra entre Rússia e Ucrânia acentuou uma situação que já era problemática: “Havia uma pressão de demanda por causa da forte recuperação depois da pandemia e com atraso na distribuição de produtos. O conflito militar piorou a situação”.


Das 27 unidades da federação, 14 deverão registrar um crescimento superior ao nacional em 2022, com destaque para o Tocantins, que deve ter uma expansão de 1,7% no PIB, seguido de Mato Grosso do Sul e Goiás, ambos com uma projeção de alta de 1,4% no PIB. E quatro devem ter taxas negativas: Acre (-0,3%), Amazonas (-0,2%), Bahia (-0,2%) e Amapá (-0,1%).


Para o Sul, as expectativas são de baixo crescimento neste ano. A região foi afetada pela falta de chuvas, o que complicou o desempenho do agronegócio. Os últimos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram uma queda de 41,1% na produção paranaense de soja e de 50,8% na gaúcha. No Rio Grande do Sul, a safra de arroz também deve ser afetada, com uma queda de 11,1%.

“São baques sucessivos que a região vem enfrentando. No ano passado, o problema foi com a safrinha de milho. Neste ano, a de soja e a de arroz”, afirma Vale.


Ele também lembra que a região tem uma base industrial forte. Mas o ritmo do crescimento vem perdendo força. Segundo o IBGE, no período de 12 meses até fevereiro, a produção industrial gaúcha aumentou 6,5% em relação a igual período anterior (até agosto, crescia a um ritmo de 12,9% ao ano); a catarinense subiu 7,3% (contra 16,9% até agosto) e a paranaense, 7,5% (ante 12,9%).


No Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro tendem a ter mais dificuldades. “Mesmo com o dinheiro do petróleo, os fluminenses têm uma dinâmica mais complicada por causa da violência”, explica o economista-chefe.


Situação mais preocupante vive o Nordeste. “É uma região que depende muito de programas sociais do governo e está quase fora da dinâmica das commodities”, diz Vale. As exceções são áreas da Bahia, Maranhão e Piauí próximas à divisa com o Tocantins – área conhecida como Matopiba – onde há produção de soja e milho.

O economista lembra que o turismo também vem reagindo, apesar da alta nos preços das passagens aéreas, mas os impactos dessa melhora sobre a economia são mais concentrados nas capitais e nas regiões litorâneas.

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