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Alta do combustível: inflação das passagens aéreas sobe 17% em 2 meses

  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Metrópoles - Gabriela Pereira

Publicado em 12 de abril de 2026


Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passagens aéreas subiram 17% em 2 meses; Inflação está ligada ao conflito no Irã.


Fonte: Metrópoles
Fonte: Metrópoles

As passagens aéreas subiram 17% nos últimos dois meses, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados na última sexta-feira (10/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O aumento nos preços pode ser explicado pela alta do querosene de aviação (QAV), após o início do conflito no Oriente Médio, que gerou um aumento expressivo nos preços dos combustíveis, levando o barril de petróleo a mais de US$ 100.


Especialistas explicam que o combustível de aviação é o principal componente de custo das companhias aéreas e, com o reajuste, ele passou a responder por aproximadamente 45% das despesas do setor.


“Houve um aumento abrupto no preço do QAV, com reajustes superiores a 50% em curto período, muito acima da média histórica de variação mensal, que costuma ficar entre 3% e 5%. Na prática, isso significa que quase metade do custo de um voo ficou mais cara de forma acelerada. Em um setor de margens apertadas, esse tipo de choque não é absorvido, mas repassado ao consumidor”, disse  Jarbas Thaunahy, professor de finanças da Strong Business School.


O professor explica também que o setor aéreo vive um momento de demanda aquecida, com um volume elevado de passageiros, o que reduz a necessidade das companhias de segurar preços para estimular consumo, mas favorece a alta da inflação.


No entanto, ressaltou, a alta das passagens pode causar impactos em outros setores, sendo um dos efeitos mais relevantes do ponto de vista econômico.


“O transporte aéreo não é apenas um serviço final, ele é também um insumo para diversas atividades econômicas. Quando as passagens ficam mais caras, isso tende a impactar o turismo, as viagens corporativas e, sobremaneira, o transporte de cargas aéreas, o que impacta diretamente na inflação.”, apontou.


Além disso, há um efeito indireto importante, explicou, o aumento dos custos pode levar à redução de voos ou de rotas, diminuindo a oferta e pressionando ainda mais os preços.


Impacto da inflação das passagens aéreas


  • Passagens mais caras reduzem a renda disponível, especialmente para quem precisa viajar com frequência ou planejava lazer;

  • O encarecimento pode levar consumidores a adiar ou cancelar voos, afetando o setor de turismo;

  • Viagens corporativas ficam mais caras, elevando despesas operacionais e podendo impactar preços de serviços;

  • Tarifas aéreas mais altas pressionam índices de preços e inflação, e podem contaminar outros setores ligados ao turismo;

  • Desigualdade no acesso ao transporte aéreo, já que voar se torna menos acessível, restringindo os voos a faixas de renda mais altas.


Medidas apresentadas pelo governo para conter o preço das passagens


O governo federal apresentou uma série de medidas para conter o preço das passagens, entre elas, a diminuição do imposto de Pis/Cofins sobre o QAV, com o objetivo de reduzir o impacto para o bolso do consumidor e a inflação.


Além disso, o governo autorizou a criação de linhas de crédito para as companhias aéreas, incluindo financiamentos via Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para a compra de combustível e uma linha adicional para capital de giro, com o objetivo de dar fôlego financeiro às empresas em meio à alta de custos.


O pacote também inclui medidas para aliviar o caixa das empresas no curto prazo. As companhias poderão postergar o pagamento de tarifas de navegação aérea, enquanto mecanismos adotados pela Petrobras permitem parcelar o impacto do reajuste do combustível ao longo do tempo, reduzindo o choque imediato nos custos operacionais.

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Apesar disso, o próprio governo reconhece que as medidas têm efeito limitado. A avaliação é que elas ajudam a amenizar a pressão sobre as empresas e a evitar repasses mais bruscos no curto prazo, mas não resolvem completamente o problema estrutural, já que o preço das passagens segue fortemente dependente de fatores externos, como o petróleo e o câmbio.


Thaunahy explica que o cenário mais provável é de pressão no curto prazo e volatilidade nos meses seguintes. “Os dados mais recentes indicam que o impacto do aumento do combustível ainda está sendo repassado gradualmente para os preços, e esse efeito tende a continuar ao longo dos próximos meses, afetando a inflação”, disse.


Para ele, o comportamento futuro depende de variáveis externas, principalmente preço do petróleo, estabilidade geopolítica e câmbio.


O professor ressalta que para que as passagens aéreas voltem a níveis mais equilibrados, é necessário um conjunto de ajustes, principalmente externos ao próprio setor.


“O principal fator é a queda ou estabilização do preço do petróleo, já que ele influencia diretamente o custo do combustível. Sem isso, qualquer alívio tende a ser limitado. Além disso, algumas medidas já estão sendo discutidas ou implementadas. Essas ações têm como objetivo reduzir a pressão de curto prazo e evitar que todo o aumento seja transferido imediatamente ao consumidor”.


Ele afirmou que o aumento da oferta de voos também ajuda a equilibrar preços, mas isso depende da melhora nas condições de custo. Pare ele, esse episódio mostra como setores intensivos em insumos globais, como petróleo, são sensíveis a eventos externos, e como isso pode rapidamente chegar ao bolso das pessoas.


 
 
 

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