Brasil registra 37.150 mortes no trânsito em 2024 e perde avanços conquistados na última década
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Mortes no trânsito chegam a 37.150 em 2024 e anulam avanços da última década. Especialistas alertam para retrocessos e criticam a flexibilização da CNH
Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade
Por Mariana Czerwonka Publicado 28/01/2026 às 08h15

O Brasil fechou 2024 com 37.150 mortes causadas por sinistros de trânsito, segundo dados consolidados do Ministério da Saúde. O número representa não apenas um aumento em relação a 2023, mas um retrocesso histórico, ao recolocar o país próximo aos patamares mais altos da última década.
Após anos de queda consistente entre 2015 e 2019, quando o Brasil conseguiu reduzir significativamente as mortes no trânsito, a tendência se inverteu. Desde 2020, os óbitos voltaram a crescer ano após ano — e 2024 marca o ponto mais alto desse novo ciclo de alta.
Motociclistas seguem como principais vítimas
A distribuição das mortes em 2024 reforça um padrão já conhecido, mas cada vez mais grave. Os motociclistas continuam liderando com ampla margem:
Motociclistas: 15.459
Ocupantes de automóveis: 7.511
Pedestres: 5.682
Ciclistas: 1.549
Veículos pesados/ônibus: 1.222
Outros: 5.344
Mais de quatro em cada dez vítimas pertencem a grupos mais vulneráveis no trânsito, especialmente motociclistas, pedestres e ciclistas.
Alta nas mortes ocorre em meio à flexibilização da formação de condutores
De acordo com especialistas, é preciso analisar os números à luz do contexto atual. O aumento das mortes ocorre justamente em um período marcado por discussões e mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), com redução de exigências e foco quase exclusivo na ampliação do acesso.
Conforme Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito & Mobilidade, os dados de 2024 acendem um sinal de alerta.
“Não é possível tratar a formação de condutores apenas como uma etapa burocrática. Quando o país começa a desmontar critérios técnicos, enfraquecer processos formativos e relativizar a importância da educação no trânsito, o reflexo aparece nas estatísticas”, afirma. Ele ressalta que ampliar o acesso à CNH é um objetivo legítimo, mas que não pode ocorrer à custa da segurança coletiva. “O Brasil já provou, entre 2015 e 2019, que é possível reduzir mortes. O que estamos vendo agora é o abandono dessa lógica, substituída por soluções simplistas”, critica.
Educação estruturada e decisões técnicas ficaram pelo caminho
Celso Mariano também aponta que campanhas isoladas não compensam a ausência de políticas permanentes. “Campanhas são importantes, mas passageiras. O que salva vidas é educação continuada, fiscalização inteligente e decisões técnicas nos órgãos de trânsito. Quando isso é substituído por improviso ou conveniência política, o custo é humano”, alerta.
Um retrocesso que é preciso enfrentar
Ao atingir 37.150 mortes em 2024, o Brasil praticamente anula os avanços conquistados ao longo da década passada. O dado não é apenas estatístico: ele revela uma mudança de rumo que exige revisão urgente de políticas públicas, especialmente em um país que já assumiu compromissos internacionais de redução da violência no trânsito.



