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Como fazer com que Goiás fomente a economia verde?

Por Sagres

07/06/2021



Neste sábado (5/6) é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, e uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria analisou que a sociedade têm se mostrado preocupada em consumir marcas que possam prejudicar e comprometer o meio ambiente. Sendo assim, com os resultados cerca de 38% dos entrevistados assumiram que procuram saber se o item comprado foi produzido de forma sustentável.


Em relação a isso, como Goiás pode fomentar a prática da economia verde no Estado? Para falar sobre esse assunto, o Debate Super Sábado recebeu o professor de economia Luiz Carlos Ongaratto, o presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da Fieg Flávio Rassi. Além deles, o Doutor em Ciências Ambientais Aldo Muro e o ambientalista Gerson Neto.


“A gente está em um processo que não está conseguindo avançar em termos de recuperação do meio ambiente. As queimadas recentes, o processo de desmatamento que não para, a gente não tem números bons para recuperar neste sentido e as medidas de governo federal e estadual têm sido ainda muito agressivas em relação ao meio ambiente. Parece que eles querem ocupar um espaço maior possível, enquanto dá, para depois criar uma situação já estabelecida”, comentou o ambientalista.


Gerson ainda disse que há uma ameaça grande do desmatamento da Amazônia, o Cerrado já completamente devastado, situação de insegura hídrica que pode afetar toda uma estrutura econômica industrial. “Tudo isso nos preocupa muito no futuro porque os desafios são enormes”.


De acordo com Luiz Carlos Ongaratto, no Dia Mundial do Meio Ambiente, se fala nele externamente, mas também como se fosse um ser humano interno. Além disso, que muitas pessoas associam o lucro ao desmatamento, porque é um modelo pensando de exploração.


“Esse modelo não serve mais, principalmente em um país como o Brasil. O próprio sistema energético do Brasil, devido a essas mudanças climáticas, já não tem a mesma previsibilidade do que a 20, 30, 40 anos atrás. O agronegócio, que sustenta nossa macroeconomia, se tem imprevisibilidade tem mais quebra de safra igual estamos tendo agora. […] Seria uma grande oportunidade para a indústria brasileira se posicionar”.

O professor Aldo Muro afirmou que nós criamos cada vez mais o passivo ambiental, ou seja, pensamos apenas na questão do ser humano ocupante no meio ambiente “o resto fica ao léu”. Para o Doutor em Ciências Ambientais, Goiás tem o dever de preservar a natureza. Sendo assim, para ele, para fomentar a economia sustentável, o estado deve ter agilidade no licenciamento e incentivar os consórcios.


Flávio comentou que as barreiras para que o governo não coloque em práticas essas medidas são que o licenciamento não olha o certo tipo de impacto que algum empreendimento possa ter. “Empresa não paga tributo, quem paga somos nós como pessoas físicas que vamos no supermercado e compramos os produtos. Se o estado não tiver uma política pública séria, impacta lá na frente no preço dos produtos. E o estado não faz porque é ineficiente e não quer baixar tributos”.


Entretanto, Gerson Neto contrariou a fala do presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente, “o Estado não é o culpado disso tudo. Eu concordo que o problema está na economia. Nosso problema é macroeconômico, nosso problema é a forma como nossa economia se desenvolveu. As atividades industriais, empresariais e a agropecuária são construídas de estruturas de funcionamento de altos custos e altos lucros, mas muito pressionada por uma eficiência total que a coloca em uma situação de se por o máximo de segurança possível. […] Quem determina essa política, que vocês estão dizendo que é culpa do estado, não é, são as pessoas que fazem isso acontecer, são os grupos econômicos”.


Além disso, complementou que há uma pressão muito grande para a empresa crescer, que se estabilizar e ficar parada, quebra. “A gente não está diante de uma situação simples, há competição entre empresas, há competições entre países e há competição entre estados, e o meio ambiente nessa disputa, é o lado mais fraco da história”.


Flávio Rassi afirmou entender o lado do ambientalista, mas que não deixa de acreditar que é uma visão parcial. Já o professor Luiz Carlos Ongaratto comentou que não temos uma visão de estado empreendedor porque “numa visão de desenvolvimento sustentável, não queremos lucro a qualquer custo. Mas atualmente, a população não tem escolha, sempre vai querer o mais barato porque estamos em crise há 10 anos […] O nosso papel como empresário, educador e ativista é fazer com que essa cultura de consumo seja quebrada”.


Por fim, Aldo salientou “todo ambientalista quer o desenvolvimento sustentável, todo empresário deveria querer o desenvolvimento sustentável. Aquele que não quer é porque ainda não encontrou a forma de benefício disso”.