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De 41 acidentes para 8: o que aconteceu após a instalação de radares em rodovia do Paraná

há 58 minutos
5 min de leitura

Portal do Trânsito e Mobilidade

Publicado em 13 de outubro de 2026


PR-151 registrou queda de 80% nos atendimentos a sinistros em trechos monitorados; velocidade, sinalização e fiscalização fazem parte da estratégia de segurança.


Fonte: Portal do Trânsito e Mobilidade
Fonte: Portal do Trânsito e Mobilidade

A instalação de radares costuma provocar discussões entre motoristas sobre multas e fiscalização. Dados recentes de rodovias do Paraná, porém, mostram uma mudança importante nos locais onde os equipamentos passaram a operar: o número de atendimentos a sinistros caiu até 80% após a implantação da fiscalização eletrônica.


O registro do resultado mais expressivo ocorreu na PR-151. Considerando sete radares em operação na rodovia, os atendimentos passaram de 41 para oito no período analisado, redução de 80%. No km 259, em Piraí do Sul, não houve registro de ocorrência desde a instalação do equipamento. Os dados são da concessionária EPR Litoral Pioneiro e foram divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).


A redução também apareceu em outros trechos. Na PR-407, os registros passaram de 20 para seis, queda de 70%. Na BR-153, foram de 15 para cinco, redução de 67%. Já no trecho da BR-277 na Serra do Mar, a diminuição informada foi de 59%.


Os números chamam a atenção para uma função da fiscalização eletrônica que vai além da aplicação de multas: a gestão da velocidade.


Por que controlar a velocidade pode reduzir a gravidade dos acidentes?


Quanto maior a velocidade, menor é o tempo disponível para perceber um perigo e reagir a ele. Além disso, aumenta a energia envolvida em uma colisão e, consequentemente, a possibilidade de consequências graves.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada aumento de 1% na velocidade média está associado a crescimento de 4% no risco de sinistro fatal e de 3% no risco de sinistro grave.


Para os pedestres, a diferença é ainda mais significativa: o risco de morte em um atropelamento aumenta 4,5 vezes quando a velocidade de impacto passa de 50 km/h para 65 km/h.


Para Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix, empresa especializada em tecnologias de monitoramento e fiscalização de trânsito, esse é um dos pontos fundamentais para compreender a finalidade dos equipamentos.


“Quando se fala em radar, é comum que a primeira associação seja com a multa, mas a fiscalização eletrônica tem uma função muito mais ampla dentro da segurança viária. O objetivo é fazer com que o limite estabelecido para aquele trecho seja efetivamente respeitado. Quando o motorista reduz a velocidade, ele ganha mais tempo para perceber uma situação de risco e reagir, e a própria gravidade de uma eventual colisão tende a ser menor”, explica.


Redução começou antes da aplicação das multas


Um aspecto dos dados paranaenses merece atenção. Conforme a concessionária, já começou a se observar a redução das ocorrências ainda durante o período de testes dos equipamentos, antes do início da aplicação das penalidades nas rodovias estaduais.


A implantação dos 28 radares começou em agosto de 2025. Nas rodovias estaduais, a fiscalização efetiva teve início em outubro daquele ano. Além dos equipamentos, houve reforço da sinalização horizontal e vertical.


Esse detalhe é importante porque impede uma conclusão simplista de que somente os radares provocaram toda a redução observada.


Ao mesmo tempo, o registro de mudança antes das autuações é compatível com a função preventiva que se espera da fiscalização: induzir o motorista a respeitar o limite de velocidade. “O equipamento não precisa registrar uma infração para cumprir seu papel.


Quando o motorista identifica que existe fiscalização e adequa a velocidade antes de chegar ao ponto monitorado, já existe uma mudança de comportamento. Do ponto de vista da segurança viária, o cenário desejável é justamente aquele em que o radar está operando, mas ninguém precisa ser autuado porque todos estão respeitando o limite”, afirma Krzyzanovski.


Radar não deve ser instalado aleatoriamente


Outro ponto importante é a definição dos locais de fiscalização. No caso dos trechos sob concessão da EPR Litoral Pioneiro, os equipamentos integram uma operação que abrange rodovias federais e estaduais no Paraná. A concessão reúne trechos das BR-153, BR-277 e BR-369 e das PR-092, PR-151, PR-239, PR-407, PR-408, PR-411, PR-508, PR-804 e PR-855.


A escolha de locais de fiscalização deve considerar critérios técnicos e características da circulação, justamente porque o objetivo da gestão de velocidade é atuar onde ela representa um fator relevante para a segurança.


De acordo com a concessionária, a ampliação da fiscalização com novos equipamentos, foi definidda em conjunto com órgãos responsáveis pela operação e fiscalização das rodovias.


Tecnologia pode fornecer outras informações sobre o trânsito

Embora o radar seja conhecido principalmente pela medição da velocidade, sistemas modernos de monitoramento podem exercer outras funções.


Equipamentos associados a processamento de imagens e visão computacional podem, conforme sua configuração, fornecer informações sobre fluxo, identificação e classificação de veículos e padrões de circulação.


Esses dados podem ser utilizados pelos gestores para acompanhar mudanças no tráfego e identificar situações que exigem intervenções. “Hoje, a tecnologia permite olhar para a fiscalização como parte de um sistema maior de monitoramento. Além de verificar uma situação específica, é possível gerar dados sobre o comportamento do tráfego e entender padrões ao longo do tempo. Quanto mais informação de qualidade o gestor possui sobre a via, maior é a capacidade de identificar pontos que exigem atenção e planejar intervenções de segurança”, explica Krzyzanovski.


Radar sozinho não resolve o problema


Apesar das reduções expressivas observadas no Paraná, não é possível concluir a partir desses dados que os radares, isoladamente, sejam responsáveis por toda a diminuição dos sinistros.


A própria experiência analisada inclui outras intervenções, como reforço da sinalização. Além disso, fatores como volume de tráfego, características da infraestrutura, comportamento dos usuários e outras ações de engenharia e fiscalização podem influenciar os resultados.


Essa visão integrada está de acordo com a abordagem de Sistema Seguro adotada pela OMS. O conceito considera que a prevenção de mortes e lesões graves depende de diferentes elementos funcionando conjuntamente, entre eles velocidades seguras, vias e margens seguras, veículos seguros e usuários seguros.


“A fiscalização eletrônica não deve ser entendida como uma solução isolada. Ela faz parte de uma estratégia que envolve engenharia, sinalização, educação e comportamento. O radar acrescenta a capacidade de monitorar continuamente um fator que sabemos estar diretamente relacionado ao risco e à gravidade dos acidentes: a velocidade. Quando esses elementos trabalham em conjunto, a tecnologia deixa de ser vista apenas pelo número de multas e passa a ser compreendida pelo papel que desempenha na segurança da via”, conclui Krzyzanovski.


Os resultados paranaenses, portanto, não encerram a discussão sobre fiscalização eletrônica, mas oferecem um dado concreto para ela: nos trechos analisados, a implantação dos equipamentos ocorreu junto a uma redução expressiva dos atendimentos a sinistros. Para avaliar o efeito específico dos radares, seria necessário controlar também outros fatores que mudaram no período.


Para a segurança viária, porém, a relação entre velocidade e risco está bem estabelecida: quanto maior a velocidade, maiores tendem a ser tanto o risco quanto a gravidade das consequências de um sinistro.


 
 
 

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