De veículos menores às carretas, projeto cria caminho para ampliar presença de mulheres no transporte de cargas
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro
Publicado em 22 de outubro de 2026

A presença feminina ao volante ainda representa uma parcela reduzida do Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base na RAIS de 2024, mostram que o país tinha 713.229 motoristas de caminhão com vínculo formal, dos quais apenas 7.567 eram mulheres, o equivalente a 1,06% do total.Seguro para motorista
Ao mesmo tempo, a dificuldade para encontrar profissionais segue pressionando as empresas. Pesquisa apresentada pela NTC&Logística no CONET&Intersindical de agosto de 2026 mostrou que 88% das transportadoras enfrentam dificuldades para contratar motoristas ou agregados. A combinação entre escassez de mão de obra e baixa participação feminina amplia a discussão sobre formação profissional e sobre como criar condições para que novos públicos ingressem e avancem na atividade.Seguro para motorista
Foi diante desse contexto que a West Cargo estruturou o Projeto Comando Rosa, voltado à formação e à valorização das mulheres motoristas. A iniciativa busca reduzir algumas das barreiras identificadas pela empresa para a entrada dessas profissionais em operações de maior complexidade, como acesso à capacitação, experiência com veículos pesados e condições de segurança durante viagens de longa distância.
Um dos principais caminhos é o Programa Motorista Trainee. A empresa seleciona profissionais habilitadas na categoria C e oferece uma trilha de desenvolvimento com treinamento interno, acompanhamento de motoristas instrutores e participação progressiva em diferentes operações. A formação inclui direção preventiva e defensiva, telemetria e preparação para o manuseio de carretas. Ao final do processo, a West Cargo custeia integralmente a mudança da CNH da categoria C para a E.Seguro para motorista
“Identificamos que muitas mulheres já possuem habilitação e experiência com caminhões menores, mas encontram poucas oportunidades para avançar até a carreta. O objetivo foi criar esse caminho dentro da própria empresa, dando formação, acompanhamento e condições para que elas possam evoluir profissionalmente com segurança”, explica Luigi Rosolen, diretor da West Cargo.Testar Pickups
O tema também vem ganhando espaço institucional no setor. Em 2026, a ANTT incluiu entre as categorias do Prêmio Destaques do Transporte Terrestre critérios específicos para reconhecer empresas de transporte rodoviário de cargas com participação feminina entre motoristas, reforçando a importância da inclusão na agenda do TRC.Seguro para motorista
A preparação também considera a rotina fora da cabine. A empresa mapeou pontos de parada nas principais rotas com estrutura adequada para atender as motoristas e desenvolveu treinamentos específicos de segurança. As ações se somam aos recursos já utilizados pela transportadora, como monitoramento, rastreamento, câmeras, telemetria e capacitação contínua.
Atualmente, a West Cargo possui quatro motoristas mulheres e trabalha com a perspectiva de ampliar gradualmente essa participação. Durante o projeto, o número total de mulheres na empresa dobrou, com presença em todos os departamentos.Seguro para motorista
A primeira motorista a concluir integralmente a formação foi Andreia Cardoso.Ela participou do programa, passando por treinamento interno, operações de coleta e entrega e preparação para condução de veículos pesados.Seguro para motorista
“Minha trajetória foi construída passo a passo. O apoio de colegas, instrutores e profissionais qualificados foi essencial para ganhar segurança e confiança. Aprendi também que ninguém sabe tudo nessa profissão e que precisamos buscar conhecimento todos os dias, entender as tecnologias, os veículos e as diferentes operações”, conta Andreia.
Como reconhecimento pela conclusão do programa, a profissional passou a conduzir uma carreta 100% rosa, a primeira da história da West Cargo com uma identidade visual diferente do padrão tradicional da frota. A empresa também participa de iniciativas como A Voz Delas, da Mercedes-Benz, e Vez & Voz – Mulheres no TRC, criado pelo SETCESP, movimentos que atuam na valorização e ampliação da presença feminina no transporte.
Para Andreia, a experiência também pode incentivar outras profissionais a considerar uma carreira nas estradas. “Não tenham medo dos desafios e não permitam que ninguém diga que esse lugar não é para vocês. O transporte tem muitas oportunidades. É preciso trabalhar com responsabilidade, buscar informação, ter humildade para aprender e acreditar que é possível construir uma trajetória aqui.”




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