Eleições 2026: O que o plano de Lula prevê para a logística brasileira
Mundo Logística - Ana Beatriz Rodrigues
Publicado em 23 de setembro de 2026
Entre promessas de manter o ritmo e metas revistas, programa do atual presidente indica quais apostas podem ganhar prioridade num eventual quarto mandato.

O Brasil registrou recorde de R$ 280 bilhões em investimentos em infraestrutura em 2025 e deve chegar a R$ 300 bilhões em 2026, segundo o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujo vice-presidente é Geraldo Alckmin (PSB). A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro, o que esperar para a logística e o transporte brasileiro caso o candidato seja reeleito?
O plano prevê a continuidade de investimentos públicos e privados, mantendo o ritmo de concessões rodoviárias e intensificando os projetos ferroviários. A proposta também inclui novos arrendamentos portuários, concessões para manutenção de canais de acesso e investimentos em aeroportos regionais.
A reportagem faz parte de uma série especial da MundoLogística que vai apresentar as propostas de cada um dos pré-candidatos à Presidência da República para a logística brasileira.
IMPORTÂNCIA DOS INVESTIMENTOS NA LOGÍSTICA
Segundo o plano de governo, o objetivo é assegurar que a política econômica siga promovendo o crescimento e que ele continue se traduzindo em melhoria real das condições de vida da população. Para isso, a proposta é elevar a taxa de investimento da economia com foco em infraestrutura logística, para dar mais competitividade à produção nacional, e em infraestrutura social, para aprimorar os serviços e os cuidados básicos prestados à população.
“Ao investir em infraestrutura, indústria e crédito produtivo, o Estado induz o aumento da produtividade e o adensamento produtivo, contribuindo para o crescimento sustentável da economia, com postos de trabalho de qualidade”, revelou o documento.
Conforme o documento, fortalecer o planejamento das ações e dos investimentos em infraestrutura, com uma visão nacional e de longo prazo, proporcionará um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável nas diferentes regiões do país.
NOVO PAC: O QUE MUDA?
O plano de governo de Lula prevê a continuidade do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A iniciativa, reativada em 2023, é um programa de investimentos coordenado pelo Governo Federal em parceria com os estados, os municípios e o setor privado. O programa foi estruturado em nove eixos, entre eles o de “Transporte Eficiente e Sustentável”.
Dados de execução trazidos pelo documento apontam a realização de R$ 1,3 trilhão em investimentos, com empreendimentos que chegaram a 99% dos municípios brasileiros. O documento revelou que houve recorde de concessões, com a quadruplicação do número de leilões de rodovias em relação ao governo anterior e 46% de todas as concessões rodoviárias já realizadas no país.
Conforme ressaltado pela proposta de governo, isso aconteceu devido a articulação dos objetivos de industrialização contidos na Nova Indústria Brasil (NIB), no Plano de Transição Ecológica (PTE) e no desenvolvimento regional.
Caso Lula seja reeleito, a previsão é de continuidade do Novo PAC. “A proposta é dar sequência às obras públicas e às concessões, mantendo a combinação de recursos do Orçamento federal, empresas estatais, setor privado e financiamentos”, apontou o documento.
O QUE O GOVERNO LULA PLANEJA EM RELAÇÃO A CONCESSÕES?
De acordo com o plano de governo, a nova edição do Novo PAC manterá a articulação dos investimentos públicos e privados em infraestrutura logística, dando sequência a obras públicas e concessões. O plano para um eventual quarto mandato de Lula é manter o ritmo nas concessões rodoviárias.
A estratégia dá continuidade ao ciclo de concessões registrado nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, foram realizados 22 leilões de rodovias, com R$ 247 bilhões em recursos contratados e mais de 10 mil quilômetros de trechos concedidos.
Em 2026, o Ministério dos Transportes do atual governo previa 13 novos leilões de rodovias, que deveriam mobilizar R$ 149,1 bilhões em aportes e alcançar mais 6,4 mil quilômetros de corredores logísticos estratégicos. Porém, o calendário sofreu alterações ao longo do ano: segundo editorial publicado pela Folha de S.Paulo, a meta de leilões rodoviários para 2026 foi reduzida para sete.
Em relação aos leilões ligados às ferrovias brasileiras, o plano do governo de Lula prevê a intensificação dos certames em duas frentes: leilão de novos projetos e repactuação dos contratos existentes. A iniciativa também acompanha os projetos realizados no atual mandato do petista.
Em 2024, as concessionárias aplicaram R$ 9,7 bilhões na malha ferroviária, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Entre os maiores aportes estavam os da MRS, com R$ 2,3 bilhões, da Rumo Malha Paulista (RMP), com R$ 1,76 bilhão, e da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), com R$ 1,34 bilhão.
O terceiro mandato de Lula também retomou o projeto da Transnordestina, duas décadas após o início das obras, ainda durante o primeiro governo do presidente.
Além disso, em 2025, o Ministério dos Transportes apresentou a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e a carteira de projetos para 2026, com previsão de oito leilões ferroviários e quase R$ 290 bilhões em investimentos somando rodovias e ferrovias. Em setembro, apenas o leilão do Corredor Ferroviário Minas-Rio estava confirmado para este ano, marcado para 17 de dezembro.
PORTOS E AEROPORTOS
Para os aeroportos brasileiros, o plano do governo de Lula e Alckmin prevê o fortalecimento dos investimentos em aeroportos regionais e medidas de incentivo a novas rotas aéreas. O modelo foi adotado já que as principais infraestruturas já estão concedidas.
A agenda também prevê a continuidade das concessões no setor portuário. O plano menciona novos arrendamentos em portos organizados, além do avanço dos processos de concessão para a manutenção dos canais de acesso e de outros serviços portuários.
Entre 2023 e 2025, 26 terminais portuários foram concedidos - com R$ 15,5 bilhões em investimentos previstos. Em 2026, outros três terminais foram leiloados nos portos de Santana (AP), Natal (RN) e Porto Alegre (RS). Além disso, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou recentemente que o governo federal ainda planeja realizar, este ano, os leilões dos terminais portuários de Mucuripe (CE), Salvador (BA) e Itaqui (MA).
FOCO NA DESCARBONIZAÇÃO
A descarbonização também aparece entre as diretrizes para a infraestrutura logística no plano. “A expansão e o aperfeiçoamento do Novo PAC e a contínua revisão dos planos nacional e setoriais de longo prazo da logística e suas vertentes rodoviária, ferroviária, hidroviária, aérea e marítima serão importantes instrumentos para tornar a infraestrutura mais integrada, priorizando investimentos com maior potencial de redução das desigualdades e descarbonização”, destacou o documento.
O plano, de acordo com a proposta, é continuar a expansão e a integração da infraestrutura de gás natural para ampliar a oferta, interiorizar as malhas de transporte e distribuição e fortalecer a integração gasífera sul-americana.
Em relação aos biocombustíveis, o documento destacou mais de R$ 13 bilhões em financiamentos ao setor entre 2023 e 2025. Para um eventual novo mandato, a proposta prevê o aprimoramento do RenovaBio e o fortalecimento da participação da Petrobras na produção de biocombustíveis.
O plano também afirmou que a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 27% para 32%, e de biodiesel no diesel, de 10% para 15%, fortaleceu a demanda pelos biocombustíveis.
Segundo o documento, esse avanço tem atraído empresas do setor automotivo e levado centros de pesquisa e desenvolvimento a serem transferidos para o Brasil, especialmente para o desenvolvimento de motores flex e híbridos flex.
A carteira do Novo PAC inclui ainda oito plantas de etanol de segunda geração e as duas primeiras biorrefinarias brasileiras voltadas à produção de SAF, além de projetos de biometano, diesel coprocessado e captura e armazenamento de carbono.
COMEX, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E OUTRAS PROPOSTAS
A proposta de governo de Lula e Alckmin também aborda a política externa e defende um Brasil mais independente e ativo, com foco na integração regional e na afirmação da América do Sul e do Caribe como zonas de paz.
Segundo o documento, a integração sul-americana é o primeiro círculo de projeção estratégica do Brasil. Na área de infraestrutura, o plano prevê aprofundar a integração regional por meio de redes multimodais, com destaque para as conexões do Brasil com o Pacífico e o Caribe.
Na política comercial, o plano prevê ampliar acordos e abrir novos mercados para produtos e serviços brasileiros, além de manter uma política externa universalista. “O Brasil defenderá relações internacionais fundadas na reciprocidade, na cooperação pacífica e no respeito entre as nações.”
Um dos acordos assinados durante o terceiro mandato de Lula é o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, que cria uma zona de livre comércio que reúne cerca de 720 milhões de pessoas e prevê a liberalização de tarifas para aproximadamente 95% dos bens e 92% do valor das exportações brasileiras para o bloco europeu.
Na integração regional, Brasil e Paraguai também assinaram recentemente um protocolo bilateral que regulamenta o transporte internacional de cargas de menor porte entre os dois países.
Em relação a transformação digital, o plano do governo prevê o fomento do desenvolvimento do ecossistema nacional de tecnologia digital, desde a cadeia de datacenters até os serviços de nuvem, com destaque para o fortalecimento da Inteligência Antificial desenvolvida por empresas brasileiras.
O documento também ressalta que a expansão de data centers e da infraestrutura de IA seja acompanhada por salvaguardas socioambientais obrigatórias, como eficiência energética, uso progressivo de fontes 100% renováveis e avaliação dos impactos sobre os sistemas elétrico e hídrico e as populações locais.
A chapa Lula-Alckmin ainda planeja a difusão da Inteligência Artificial no setor produtivo, com foco em agronegócio, saúde e serviços financeiros.




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