Em oito meses de 2025, prejuízo de estatais supera recorde anual
- Fenatac Comunicação

- 21 de out. de 2025
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Até agosto, déficit já é de R$ 8,3 bilhões; prejuízo e reestruturação dos Correios reacende debate sobre gestão das empresas públicas
CNN Brasil
Danilo Moliterno, da CNN Brasil
17/10/25 às 03:05 | Atualizado 18/10/25 às 19:40

As empresas estatais registraram déficit primário de R$ 8,3 bilhões entre janeiro e agosto de 2025. O número é superior ao prejuízo registrado em qualquer ano da série histórica, divulgada pelo BC (Banco Central).
Os prejuízos recorrentes dos Correios e seu plano de reestruturação e equilíbrio orçamentário, apresentado nesta quarta-feira (15), reacendem debates sobre a gestão das estatais no governo atual.
Os Correios aparecem inseridos em um contexto em que o resultado financeiro das empresas públicas como um todo pioram: em 2022, o superávit das estatais foi de R$ 6,1 bilhões; em 2023, o resultado foi revertido em um déficit de R$ 2,2 bilhões; em 2024, o prejuízo foi de R$ 8 bilhões.
No ano passado, acompanharam os Correios e deram prejuízo às contas públicas grandes estatais como a Emgepron, de projetos navais; a Infraero, de obras e gestão em aeroportos; a DataPrev, de informações e tecnologia para previdência; entre outras.
Em nota à CNN Brasil, a DataPrev afirmou que, pelo conceito orçamentário, mesmo com o lucro de R$ 508,2 milhões, a empresa teve um déficit de R$ 180 milhões no mesmo ano.
"Esse déficit orçamentário decorreu, entre outros fatores, tanto do investimento de R$ 96,91 milhões, quanto do desembolso, naquele exercício, do pagamento de dividendos no total de R$ 443,1 milhões referentes a 2023. Ou seja, investimento feito com recursos guardados no caixa e pagamento de dividendos são registrados como déficit orçamentário, embora reflitam um cenário muito positivo".
Daqui até o final do ano, o prejuízo pode aumentar ou ser parcialmente revertido. A tendência, para especialistas consultados pela CNN, é de que o déficit permaneça, especialmente enquanto o ano eleitoral se aproxima.
"O ambiente fiscal e político de 2025 é delicado. Com o país em pré-ano eleitoral, há uma tendência natural de postergação de ajustes e de resistência a medidas impopulares. Isso significa que o déficit pode se prolongar, especialmente se não houver um redesenho mais profundo da atuação dessas empresas", diz Deborah Toni, advogada especialista em direito público.
Confira a série histórica:
2001: superávit de R$ 9,4 bilhões;
2002: superávit de R$ 4,97 bilhões;
2003: superávit de R$ 3,02 bilhões;
2004: superávit de R$ 2,3 bilhão;
2005: superávit de R$ 4,2 bilhão;
2006: superávit de R$ 4,8 bilhão;
2007: déficit de R$ 1,3 bilhão;
2008: superávit de R$ 1,7 bilhão;
2009: superávit de R$ 1,3 bilhão;
2010: superávit de R$ 2,3 bilhões;
2011: superávit de R$ 2,7 bilhões;
2012: déficit de R$ 2,6 bilhões;
2013: déficit de R$ 321,5 milhões;
2014: déficit de R$ 4,2 bilhões;
2015: déficit de R$ 4,3 bilhões;
2016: déficit de R$ 982,8 milhões;
2017: superávit de R$ 362 milhões;
2018: superávit de R$ 4,4 bilhões;
2019: superávit de R$ 11,8 bilhões;
2020: superávit de R$ 3,6 bilhões;
2021: superávit de R$ 2,9 bilhões
2022: superávit de R$ 6,1 bilhões;
2023: déficit de R$ 2,2 bilhões;
2024: déficit de R$ 8,07 bilhões;
2025 (até agosto): R$ 8,3 bilhões.







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