Emirados Árabes Unidos anunciam que vão deixar Opep em maio
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Economia UOL
Publicado em 27 de abril de 2026

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão deixar de fazer parte da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a partir de maio.
O que aconteceu
Emirados Árabes Unidos vão abandonar Opep. O governo do país anunciou que deixará de fazer parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e também a aliança Opep+, da qual a Rússia também faz parte, a partir de 1º de maio, segundo a agência de notícias oficial do país.
Objetivo dos Emirados Árabes é proteger 'interesse nacional'. No comunicado sobre a decisão de deixar a Opep, o governo afirma que a medida dá maior flexibilidade para o país planejar e executar políticas de produção e de comercialização de petróleo e outras fontes de energia. "Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução de seu perfil energético, especialmente a aceleração dos investimentos na produção energética nacional", segundo nota oficial divulgada na agência pública.
Decisão reduz força da Opep e amplia poderes dos Emirados Árabes. A saída de um dos países fundadores da entidade afeta o poder da organização para influenciar os preços do petróleo no mercado global. Para Jorge Leon, da consultoria Rystad, os Emirados Árabes Unidos estão entre os poucos membros da organização que, ao lado da Arábia Saudita, têm significativa capacidade ociosa, ferramenta fundamental para influência do cartel sobre os preços. "Embora o impacto imediato possa ser limitado, dada às interrupções no Estreito de Hormuz, a implicação de longo prazo é um enfraquecimento estrutural da Opep", disse.
Emirados Árabes ganham ainda flexibilidade para ajustar produção e exportação. Se a Opep perde poder, de um lado, de outro o governo dos Emirados passa a ter mais liberdade para definir a quantidade de produção e o volume a ser exportado de petróleo. Essa maior autonomia abre espaço ainda para que o país redirecione, quando quiser, investimentos para outras fontes de energia, destaca o especialista.
Guerra no Oriente Médio também pesou na decisão dos Emirados Árabes. O governo dos Emirados Árabes vinha expressando descontentamento com a posição de outros integrantes da Opep com relação ao Irã, defendendo uma postura mais dura, especialmente por parte de líderes árabes, contra os ataques iranianos sofridos desde o início da guerra.
País tem quinta maior reserva do mundo. Segundo dados de 2025 da Opep, os Emirados têm uma reserva estimada de 113 bilhões de barris, sendo o nono maior produtor do mercado mundial, com produção de cerca de 3 milhões de barris diários em 2025, e um dos seis maiores exportadores. Na organização, é o quarto maior, atrás de Arábia Saudita (8,9 milhões de barris diários), Iraque (3,9 milhões de barris/dia) e Irã (3,3 milhões de barris/dia).
Organização responde por cerca de 40% da produção mundial de petróleo. A Opep reúne grandes produtores ao redor do mundo. A entidade foi criada em 1960, no Iraque, para estabelecer uma política comum em relação à produção e à venda de petróleo. Além dos Emirados, no grupo desde 1967, fazem parte da organização Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Venezuela, Líbia, Argélia, Nigéria, Gabão, Guiné Equatorial e Congo.
Opep+ é grupo ampliado. Nessa entidade, entram países sem direito a voto. Estão nesse formação Rússia, México, Cazaquistão, Bahrein, Brunei, Malásia, Azerbaijão, Sudão e Sudão do Sul.
Decisões da Opep afetam os preços globais do barril. O grupo realiza reuniões periódicas para avaliar a oferta e a demanda no mercado e pode adotar cortes voluntários na produção para influenciar os valores da commodity.
No começo de abril, Opep decidiu elevar produção de petróleo para enfrentar gargalo do fornecimento provocado pela guerra no Oriente Médio. A organização decidiu, na 65ª reunião da entidade, aumentar o fornecimento de petróleo em 206 mil barris por dia para maio.
Produtores do Golfo Pérsico da Opep vêm enfrentando dificuldades para escoar produção. Os exportadores são prejudicados pelo bloqueio do Estreito de Hormuz, rota por onde passam 20% do fornecimento mundial da commodity, mas que virou ponto de estrangulamento entre o Irã e Omã após início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Movimento representa vitória política para presidente dos Estados Unidos. Donald Trump é crítico histórico do cartel, tendo acusado a organização de elevar artificialmente os preços do petróleo.




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