top of page

Empresas aceleram modernização do transporte rodoviário

4 de set.
3 min de leitura

3 de setembro de 2026 às 9:32

Da Redação Estadão Conteúdo | Portal Be News

Fonte: Portal Be News
Fonte: Portal Be News

Ganhos de escala, novas tecnologias e exigências de segurança ajudam a explicar a concentração crescente da produção nas transportadoras


O transporte rodoviário de cargas responde por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no País. Embora a figura do caminhoneiro autônomo ainda seja um dos principais símbolos do setor, a estrutura do mercado revela uma presença crescente das empresas na logística nacional.

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), destacados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostram que as Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETCs) respondem por 68,45% da produção do setor, medida em toneladas por quilômetro útil (TKU). Os Transportadores Autônomos de Cargas (TACs) representam aproximadamente 12%.

No final de 2025, os autônomos correspondiam a 73,27% dos transportadores cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), mas reuniam 32,56% dos veículos. As empresas representavam 26,67% dos transportadores e concentravam 66,07% da frota registrada. As cooperativas respondiam por 0,04% dos transportadores e 1,55% dos veículos.

A diferença evidencia um processo de concentração da frota, ganhos de escala e incorporação de tecnologia à logística brasileira.

A participação majoritária das empresas na produção do transporte rodoviário está associada às transformações nas cadeias de suprimento e às exigências de grandes embarcadores, como indústrias, varejistas, multinacionais e empresas de comércio eletrônico.

Um dos diferenciais está na maior capacidade de financiar tecnologia e renovar a frota. As transportadoras conseguem investir com mais frequência em veículos novos, sistemas de telemetria, roteirizadores e tecnologias de eficiência energética.

Essas ferramentas ajudam a reduzir o consumo de combustível, otimizar percursos e diminuir emissões, critérios cada vez mais presentes nas políticas de sustentabilidade e na seleção de fornecedores.

As exigências de previsibilidade, rastreabilidade e segurança também favorecem as frotas estruturadas. Para reduzir ocorrências de roubo de carga e acidentes, seguradoras e gerenciadoras podem exigir monitoramento por satélite, travas eletrônicas e, dependendo da mercadoria e da rota, escoltas.

As empresas mantêm estruturas voltadas ao cumprimento dessas exigências e têm maior capacidade para assumir contratos de grande porte, com múltiplos veículos, prazos definidos e volumes elevados.

A escala também permite coordenar operações, otimizar rotas de ida e volta e reduzir viagens com os compartimentos de carga vazios, um dos fatores que elevam os custos do setor.


Caminhoneiro autônomo


Embora respondam por uma parcela menor da produção medida em TKU, os caminhoneiros autônomos continuam desempenhando função essencial na logística do País. Eles são ampla maioria entre os transportadores cadastrados e atuam de forma independente ou em parceria com empresas e operadores logísticos.

Vulneráveis às oscilações dos custos de combustível, manutenção e pedágios, muitos trabalham como agregados, exclusivos ou subcontratados por transportadoras. Nesse modelo, ampliam a capacidade operacional das empresas sem integrar sua frota própria.

Os autônomos participam de diferentes etapas da cadeia, do transporte de curta e longa distância ao escoamento entre áreas de produção e portos durante os picos das safras e às entregas de última milha.

Para os motoristas, a parceria pode ampliar o acesso a fretes recorrentes, embora não elimine a sazonalidade. Para as transportadoras, oferece flexibilidade para absorver picos de demanda sem ampliar permanentemente a frota própria.


Desafios e perspectivas


A consolidação de um setor mais empresarial e tecnológico pode gerar ganhos de produtividade, mas também amplia as exigências sobre a infraestrutura nacional.

A qualidade das rodovias continua entre os principais desafios. O estado do pavimento afeta o consumo de combustível, o tempo de viagem e a previsibilidade das entregas, além de acelerar o desgaste dos veículos.

O avanço das concessões e dos investimentos privados pode contribuir para a modernização das rodovias, enquanto a melhoria da malha sob administração estatal depende de recursos públicos para conservação e expansão.

Outro desafio é a formação e retenção de mão de obra. Com o avanço de sistemas embarcados, telemetria, assistência à condução e recursos digitais, cresce a necessidade de qualificação dos motoristas.

A diferença entre empresas e autônomos revela um setor formado por agentes com portes e áreas de atuação distintos. As empresas concentram a maior parte da frota e das operações de grande escala, enquanto os autônomos permanecem essenciais para a capilaridade e a flexibilidade da logística nacional.

 
 
 

Comentários


© 2025 FENATAC & Logística.

  • Preto Ícone Facebook
  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone LinkedIn
bottom of page