EUA impõem tarifa de 104% sobre produtos chineses e acirram guerra comercial
- 10 de abr. de 2025
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Por Portal Be News
Atualizado em: 9 de abril de 2025 às 10:35
Da Redação

Medida anunciada por Trump já entrou em vigor e aumenta tensão entre as duas maiores economias do mundo; China promete “lutar até o fim”
Entraram em vigor à 0h desta quarta-feira (9) as novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos chineses. A alíquota subiu de 34% para 104%, conforme anunciado na véspera pela Casa Branca. A medida, definida pelo presidente Donald Trump, representa um novo e intenso capítulo na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou na terça-feira (8) que a tarifa extra de 50% seria somada aos 54% já aplicados, totalizando os 104% que começaram a ser cobrados nesta quarta. “Elas (as novas taxas) entrarão em vigor à meia-noite de hoje. Então, efetivamente amanhã”, afirmou Leavitt em coletiva transmitida pelas redes sociais do governo.
A resposta chinesa veio ainda antes do anúncio oficial. O Ministério do Comércio de Pequim declarou que o país “nunca aceitará a natureza de chantagem dos Estados Unidos” e está disposto a “lutar até o fim”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou: “pressionar, ameaçar e chantagear não são as maneiras certas de lidar com a China” e acusou os Estados Unidos de violarem as regras da Organização Mundial do Comércio. “A China tomará as medidas necessárias para salvaguardar resolutamente seus direitos e interesses legais”, completou.
A retaliação chinesa já havia sido iniciada com uma tarifa de 34% sobre produtos americanos, além de restrições à exportação de terras raras — minerais estratégicos usados em tecnologias avançadas — e a proibição de comércio com 16 empresas dos Estados Unidos.
A escalada de tarifas foi precedida por meses de tensão. Em março, os Estados Unidos já haviam imposto uma taxa de 20% sobre produtos chineses. No início de abril, uma nova alíquota de 34% foi adicionada. Com a terceira camada, de 50%, o total chegou aos 104%. “Países como a China, que escolhem retaliar e tentam redobrar os maus-tratos aos trabalhadores americanos, estão cometendo um erro. O presidente Trump tem uma espinha dorsal de aço e não vai quebrar. A América não vai quebrar sob sua liderança”, disse Leavitt.
Na avaliação de analistas, os efeitos da medida serão sentidos por consumidores e empresas de ambos os lados. Muitos produtos chineses importados pelos Estados Unidos — como smartphones, computadores, brinquedos e baterias — já estavam mais caros devido às tarifas anteriores. Com a alíquota de 104%, os custos devem mais do que dobrar. Setores como o de veículos elétricos e eletrônicos serão fortemente impactados.
Do lado chinês, os consumidores também devem enfrentar preços mais altos para itens importados dos Estados Unidos, como soja, petróleo e produtos farmacêuticos. A soja, por exemplo, é uma das principais exportações americanas para alimentar os mais de 400 milhões de porcos criados na China.
A guerra tarifária também reacende temores sobre o crescimento da economia global. Juntas, China e Estados Unidos respondem por cerca de 43% do PIB mundial, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Um conflito prolongado entre os dois países pode desacelerar investimentos, afetar cadeias de suprimentos e reduzir o crescimento econômico em diversas regiões.
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia adotado medidas similares contra a China, além de ameaçar tarifas sobre o álcool europeu e o aço canadense. Agora, ele volta a intensificar a política protecionista. “Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão tarifas adicionais à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, escreveu Trump em rede social na segunda-feira.
Em editorial publicado no domingo (6), o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, reagiu com firmeza: “Devemos transformar pressão em motivação e encarar a resposta ao impacto dos Estados Unidos como uma oportunidade estratégica para acelerar a construção de um novo padrão de desenvolvimento”.
Apesar do embate crescente, o governo chinês ainda fez um apelo por diálogo, pedindo que “todos os planos de tarifas fossem cancelados” para que as diferenças pudessem ser resolvidas diplomaticamente. Mas, por ora, nem Washington nem Pequim parecem dispostos a recuar.




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