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EURO NCAP: Para-choques de carretas precisam ser mais eficientes para evitar mortes

  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Publicado em 02 de julho de 2026


Fonte: Blog do Caminhoneiro
Fonte: Blog do Caminhoneiro

Melhorias nos para-choques das carretas que rodam pela Europa poderiam evitar centenas de mortes todos os anos. Essa constatação é da Euro NCAP e das organizações de segurança colaboradoras ADAC da Alemanha, Trafikverket da Suécia e IIHS (Insurance Institute for Highway Safety) dos EUA.


De acordo com o estudo, os para-choques traseiros das carretas oferecem proteção inadequada a motoristas e passageiros em acidentes com caminhões e reboques em baixa velocidade ou parados.


As entidades realizaram uma série de testes abrangentes com carretas, destacando vulnerabilidades críticas tanto na tecnologia de prevenção de colisões dos  veículos quanto nas proteções estruturais de segurança instaladas na traseira de caminhões e reboques.


A investigação, iniciada no Reino Unido, destaca que colisões traseiras, onde um automóvel bate em um caminhão parado ou em baixa velocidade, chegam a causar até 400 mortes todos os anos na Europa.


O problema começa com a tecnologia dos carros. Ao realizar testes em pista no mundo real, juntamente com testes de colisão em instalações de pesquisa internacionais, o Euro NCAP expôs uma falha na segurança dos sensores de alguns Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (ADAS) mais antigos, que não conseguem detectar uma carreta parada.


Além disso, há o agravante de a proteção física instalada na traseira das carretas não conseguirem impedir que o automóvel avance por baixo do chassi do implemento, levando a ferimentos graves e mortes, especialmente por conta de lesões na cabeça.


A IIHS dos EUA já obriga a instalação de para-choques mais reforçados em carretas, após testes realizados há mais de 15 anos, mostrando o risco de proteções insuficientes na traseira de veículos pesados.


Cegueira eletrônica


A pesquisa revelou falhas importantes na capacidade dos sistemas ADAS mais antigos de identificar caminhões e reboques parados.


Para medir o desempenho dos modernos sistemas de Frenagem Automática de Emergência (AEB), o Euro NCAP comparou o desempenho dos veículos com o padrão Global Vehicle Target (GVT) e com uma frota de reboques comerciais reais em diversas condições reais de condução.


Todos os sistemas ADAS dos carros de passeio testados contavam com sensores de câmera e radar.


Quando conduzidos em direção ao GVT padrão de laboratório usado em todos os testes do fabricante, os veículos de teste detectaram a ameaça com sucesso em todos os momentos.


No entanto, quando testados contra traseiras de veículos pesados ​​reais – como semirreboques com cortina lateral (sider) e semirreboques chassi, e veículos de proteção contra impactos usados ​​em obras rodoviárias (IPVs) – a taxa de detecção caiu em vários casos.


Os testes evidenciaram uma disparidade entre a última geração de sistemas ADAS em comparação com as gerações anteriores. E, com a idade média dos carros em circulação aumentando, levará mais de 15 anos até que a maioria dos veículos seja capaz de evitar colisões com reboques parados, daí a necessidade de uma proteção aprimorada contra colisões já hoje.


Falha estrutural


Quando a tecnologia falha, resta o para-choque da carreta para minimizar a possibilidade de ferimentos dos ocupantes dos carros. No entanto, falhas estruturais podem ocasionar ferimentos e mortes.


As carretas na Europa são equipadas com o Sistema de Proteção Contra Encaixe Traseiro (RUPS), para evitar o chamado efeito guilhotina nas carretas, quando um automóvel entra em baixo do chassi da carreta, atingindo com o para-brisa e teto a ponta traseira do implemento.


Vários implementos equipados com o sistema RUPS foram avaliados, com o uso de carros classificados com 5 estrelas nos testes de colisão do Euro NCAP.


No Reino Unido e na Alemanha, o teste foi realizado com implementos construídos de acordo com a norma europeia obrigatória mais recente, UN ECE R58.03 (em vigor desde 2022). Nos Estados Unidos, o teste foi realizado com reboques que atendem à norma voluntária IIHS TOUGH GUARD. Para a realização dos testes de colisão, os sistemas ADAS dos veículos foram desativados.


Foram selecionados dois reboques de uso comum, ambos equipados com o sistema regulamentado de proteção traseira contra impactos laterais, projetado para proteger os ocupantes de veículos quando um carro colide com a traseira do reboque.


Os resultados foram graves. Em uma colisão frontal com deslocamento de 30% a 56 km/h (35 mph) no lado do passageiro, a proteção instalada pelo fabricante de reboques Schmitz Cargobull ofereceu pouca resistência estrutural. A carroceria do reboque atravessou diretamente o compartimento de passageiros, arrancando a lateral da estrutura do veículo e causando ferimentos fatais na cabeça e no pescoço do boneco de teste de colisão.


Em um impacto frontal-traseiro subsequente, realizado na mesma velocidade pela ADAC da Alemanha, com intensidade de 75%, a barra de proteção traseira do reboque Krone falhou e o compartimento dos ocupantes do veículo de teste foi destruído, resultando na ausência de proteção para o motorista e o passageiro.


Ambos os testes de colisão demonstraram que a estrutura de alta performance do veículo não conseguiu deformar e proteger os ocupantes conforme projetado, devido à baixa resistência ao impacto da estrutura de proteção traseira contra impactos. Isso revela que a atual norma europeia R58.03 poderia ser significativamente aprimorada e, no momento, não atende às necessidades.


Nos EUA funciona


Nos Estados Unidos, os testes mostram que a proteção traseira em carretas já existe e funciona.


Quando o mesmo modelo de carro com cinco estrelas no Euro NCAP foi submetido ao mesmo impacto descentralizado a 56 km/h (35 mph) contra um reboque construído segundo a norma voluntária IIHS TOUGH GUARD nos EUA, a proteção permitiu que a estrutura de segurança do carro se deformasse e protegesse os ocupantes conforme projetado.


Desde a sua introdução no mercado americano, em 2017, estima-se que 70% dos reboques mais recentes em circulação estejam equipados com dispositivos de proteção traseira contra impactos laterais com classificação TOUGH GUARD.


Mudança nas leis


Por conta dos resultados dos testes, a Euro NCAP está fazendo um apelo para o Reino Unido e União Europeia para atualizações na norma R58.03, de forma a copiar as regras da norma voluntária TOUGH GUARD do IIHS dos EUA.


Além disso, o Euro NCAP pede aos fabricantes de reboques para introduzirem proativamente atualizações voluntárias e soluções de adaptação para as frotas existentes, o que poderia salvar vidas.


O Euro NCAP também incentiva fortemente os operadores de frotas de caminhões a solicitarem aos fabricantes de reboques a instalação de soluções de adaptação nas estruturas de reboques existentes, a fim de substituir os milhares de para-choques inadequados e obsoletos que circulam atualmente nas estradas da UE e do Reino Unido.

 
 
 

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