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Governo anuncia programa de apoio a empresas atingidas por tarifaço

  • 17 de jul.
  • 4 min de leitura

Economia UOL - Lucas Borges Teixeira e Malu Vaz

Publicado em 16 de julho de 2026


O governo federal anunciou hoje que lançará um programa de apoio às empresas atingidas pelo novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros imposto pelos EUA.


Fonte: Economia UOL

O que aconteceu


O anúncio foi feito pela equipe econômica nesta tarde, porém sem detalhes. O ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), disse que a iniciativa terá diferentes vertentes, incluindo diversificação de mercados, em uma espécie de nova fase do Brasil Soberano.


"A prioridade do governo é atender e apoiar setores atingidos pela injusta tarifa", disse Elias Rosa. Segundo o Mdic, as taxas podem impactar em quase 2.400 empresas exportadoras. Ele citou os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliário, cerâmica, calçados e açúcar.


O governo já tinha falado em crédito extra de R$ 15 bilhões para o programa em março. Aprovados pelo Senado neste mês, os recursos são geridos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com crédito para as empresas impactadas. "O programa está gerando efeitos, o que vamos fazer é recalibrar", explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.


"Já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e nossos empregos", afirmou Durigan. "Os setores afetados serão, mais uma vez, chamados ao diálogo e ampliaremos e reforçaremos o Programa Brasil Soberano."


O governo não falou em novas cifras, só apontou que será em um "montante menor" do que o anterior. "A gente não tem valor ainda porque, primeiro, precisa ouvir os setores afetados", disse Durigan.


Durigan disse que tudo será feito "mantendo os compromissos fiscais". "A gente já testou, com sucesso, as linhas de apoio aos empresários nacionais. O que vamos fazer é ouvir os setores e reforçar as linhas já existentes", explicou.


O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) chamou de "programa de apoio". "Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro, quem ajuda o Brasil a crescer e nossa economia", afirmou.


A diversificação de destinos de exportação já vem ocorrendo desde o ano passado, quando houve o primeiro tarifaço. "A participação dos Estados Unidos na exportação brasileira caiu de 12,4% para 9,4%", informou o ministro do Mdic.


A medida começa a valer do próximo dia 22, mas o Brasil segue em negociação. "O Brasil não abandona a mesa de negociação, defendemos o multilateralismo", afirmou Elias Rosa.


Eu preciso dizer, como ministro da Fazenda do Brasil, que essa medida, baseada em motivação falsa, fere o senso, mais ainda em especial quando a oposição brasileira usa isso de muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo.

Dario Durigan, ministro da Fazenda.


Uso da Lei da Reciprocidade


Durigan também disse que a Lei da Reciprocidade poderá ser usada "no momento adequado". Segundo o ministro, a equipe econômica se reunirá com o presidente nos próximos dias para bater o martelo sobre a aplicação ou não do mecanismo, aprovado pelo Congresso no ano passado.


O Planalto já falou em acionar a Lei da Reciprocidade. Em comunicado divulgado ontem, o governo disse que "repudia" a ação unilateral de Washington, a qual chama de "injustificada".


"A lei não é retaliatória, não há retaliação", afirmou Alckmin. "O que existe é reciprocidade, um instrumento jurídico e legal importante que poderá ser usada em um momento adequado."


Nós seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrar a interesses estrangeiros. Com isso, a gente vai seguir protegendo o Pix, o maior símbolo da nossa soberania financeira.


Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica, sem viralatismo. Com isso, nós não estamos dizendo que nós não estaremos abertos à negociação, pois seguiremos abertos à diplomacia e à negociação, seja com os Estados Unidos, seja com qualquer outro país que nos trate com o devido respeito.

Dario Durigan, ministro da Fazenda.


Críticas ao tarifaço


Durigan chamou a sobretaxação de "infundada" e as justificativas, de "inverídicas". "O que atrapalha o consumidor norte-americano e o produtor brasileiro são as tarifas", afirmou.


Alckmin também chamou a medida de "injusta e descabida". "Se nós pegarmos os próprios dados dos EUA, os EUA tiveram conosco US$ 424,5 bilhões de superávit na balança comercial", argumentou o vice-presidente.


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou da coletiva para fazer uma defesa do Pix, desenvolvido pela instituição. "O Pix é, hoje, uma referência internacional, cumpre a função de dinheiro de forma digital. [Reclamar da ferramenta] seria mais ou menos como dizer que criar o saneamento básico prejudicou quem tem caminhão-pipa", ironizou.


Fica bastante evidente que o Pix é hoje uma referência internacional. [...] Uma série de outros Bancos Centrais, hoje, estão estudando implementar sistemas de pagamentos, é o futuro. Isso vai avançar de maneira bastante clara e fica evidente que a argumentação realmente passa por uma tentativa de inventar alguma lógica para a aplicação das tarifas.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central


A ferramenta foi um dos principais alvos —e, na leitura do governo, a principal causa— da proposta para o tarifaço. Como o UOL mostrou, o Pix foi citado mais de 20 vezes pelo relatório do USTR (Escritório de Representante de Comércio dos Estados Unidos) como uma das práticas comerciais "irrazoáveis" do Brasil que justificariam a sobretaxação.


A ferramenta nunca esteve na mesa de negociação, diz o Planalto. "Do nosso lado, do lado do Banco Central, a gente vai seguir sempre fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo", garantiu Galípolo.


O Ministério do Meio Ambiente brasileiro reagiu com indignação às alegações. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de desmatamento desenfreado e exportação de madeira ilegal para tentar justificar a criação de tarifas comerciais. O ministro João Paulo Capobianco afirmou que o trabalho de preservação do Brasil está sendo desconsiderado para validar uma barreira comercial injusta.


O ministro classificou a possível taxação dos EUA como irregular e ilegítima. "É com indignação que o Ministério do Meio Ambiente vê todo o trabalho realizado pelo Brasil sendo destruído para ser utilizado numa justificativa de uma taxação ilegítima absolutamente irregular", declarou Capobianco.


Em comunicado ontem, o Planalto acusou a família Bolsonaro de colaborar ativamente para a criação do tarifaço. A nota do governo chama os opositores de "falsos patriotas" que agiram por interesses eleitorais para prejudicar o país.


A investigação norte-americana começou após Donald Trump criticar processos contra Jair Bolsonaro. O republicano abriu a apuração comercial no ano passado sob a justificativa de reagir a uma suposta "caça às bruxas" contra o ex-presidente brasileiro.






 
 
 

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