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Inflação 'Made in Brazil' pressiona Trump: Café e carne sobem até 20%

No varejo americano, nada subiu mais que os dois itens importados do Brasil e que têm tarifa de 50%

CNN Brasil

25/10/25 às 18:47 | Atualizado 25/10/25 às 18:47

Os EUA importam 99% de todo o café consumido no país e o Brasil é o maior fornecedor  • Ilustração gerada por IA
Os EUA importam 99% de todo o café consumido no país e o Brasil é o maior fornecedor  • Ilustração gerada por IA

Donald Trump tem um foco de pressão para pensar sobre as tarifas aos produtos brasileiros: a inflação. Com a alíquota de 50%, dois dos itens mais importados do Brasil são, exatamente, os que tiveram o maior aumento de preços no varejo dos Estados Unidos no último ano.

Café e carne lideram da pesquisa nacional que acompanha mensalmente a evolução dos quase 400 preços da economia americana.Pesquisa do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, o BLS, mostra que o café instantâneo é o item que mais aumentou de preço em todo o varejo americano nos últimos 12 meses: 21,7%.

O segundo lugar desse ranking inflacionário também tem o DNA brasileiro: café torrado e moído, que subiu 18,9% no mesmo período de 12 meses até setembro.

Os EUA importam 99% de todo o café consumido no país e o Brasil é o maior fornecedor. Sobre esses grãos brasileiros, porém, há uma sobretaxa de 50%.

Dados do setor mostram que a importação de café do Brasil diminuiu em 52,8% em setembro na comparação com um ano antes – quando não havia tarifaço. Assim como o Brasil é importante para os EUA, os americanos também são importantes para os brasileiros: os EUA são os maiores compradores do café do Brasil.

O drama da carneA lista da inflação com digital do Brasil prossegue com a carne. O terceiro item que mais aumentou de preço nos últimos 12 meses foi a carne para assado, que teve aumento de 18,4%.

O ranking prossegue com aumentos sempre de dois dígitos: bifes com aumento de 16,6% e carne moída com alta de 12,9%.

Os EUA compram do Brasil principalmente para fazer carne moída. Reduzir a tarifa sobre o Brasil, portanto, poderia reduzir o preço do produto mais popular nos supermercados americanos – já que a carne moída é usada para fazer hamburgueres e várias outras aplicações na cozinha.

Na carne, porém, os americanos enfrentam um outro drama: o rebanho nas fazendas dos EUA é o menor desde o início da série histórica, há meio século.

Os pastos têm sofrido com mudanças climáticas, especialmente a seca. O clima tem piorado as condições das fazendas e reduzido a oferta de alimento para os animais. E, por isso, produtores precisam complementar a alimentação e, para isso, gastam mais.

A despesa tem levado alguns produtores a vender parte do rebanho que deveria ser retido para reprodução. Com essa decisão, diminuiu a capacidade de ampliação de muitos pecuaristas – o que acaba potencializando o momento ruim para o setor.

Apesar do momento ruim para o setor, o presidente Trump foi às redes sociais para dizer que o setor está “indo bem”.

“Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil", escreveu nas redes sociais.

O setor não concorda, e choveram críticas ao republicano – que, aliás, foi apoiado pelo setor pecuaristas. A ira dos fazendeiros cresceu nesta semana com a decisão da Casa Branca de quadruplicar a cota de importação de carne argentina com impostos reduzidas.

Entre a pressão das fazendas e a reclamação dos supermercados, Trump parece mais inclinado a atender o maior grupo: o de consumidores e que também são eleitores.

 
 
 

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