Lula reúne equipe e decide manter estratégia às vésperas de novo tarifaço
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CNN Brasil - Danilo Moliterno
Atualizado em 10 de julho de 2026
Governo espera última reunião com norte-americanos antes de 15 de julho e “preview” da decisão sobre as tarifas; Planalto nega fazer novas concessões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros, nesta sexta-feira (10) no Palácio do Planalto, para tratar do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e decidiu manter a estratégia negocial junto aos norte-americanos.
No encontro, os ministros apresentaram o atual momento das negociações – em que o cenário considerado mais provável é de que os Estados Unidos taxem o Brasil em 25% no dia 15 de julho.
Segundo fontes no Planalto, pesam para a avaliação sinais negativos em reuniões com os norte-americanos, o histórico negocial da administração de Donald Trump, mas também falas públicas recentes do chefe do USTR (Representante Comercial dos EUA), Jamieson Greer.
Novo tarifaço: Governo federal tentou barrar investigação dos EUA
"Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós; portanto, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, pois temos um prazo legal que se encerra em 15 de julho", disse Greer em entrevista na quinta-feira (9).
Na reunião, Lula decidiu seguir com a estratégia adotada até agora: manter a negociação técnica, mas não fazer concessões que na visão do governo brasileiro não se justifiquem. Isso significa que temas considerados caros pelos norte-americanos, como tarifas para o etanol, seguirão fora da mesa.
Participaram da reunião Márcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), e Mauro Vieira, das Relações Exteriores – principais representantes brasileiros no grupo de trabalho de negociação do tarifaço.
Até agora, os brasileiros se reuniram com Greer quatro vezes. O governo espera que haja ao menos mais uma reunião do grupo de trabalho antes do dia 15. A expectativa é de que neste encontro o USTR já indique ao Brasil qual será a decisão na investigação da “seção 301”.
Dentre os cenários traçados pelo Planalto, aquele considerado o mais provável segue sendo a aplicação das tarifas. Mas não está descartado, entre as projeções, que os Estados Unidos decidam adiar a aplicação das taxas, como uma maneira de viabilizar uma vitória política ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – que atuou na audiência do tarifaço nesta semana. A hipótese é considerada remota, contudo.
Governo rejeita discutir Pix
Em reunião do grupo de trabalho entre Brasil e EUA na última semana, representantes do governo federal apresentaram aos EUA um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da "seção 301", que serve como base para a ameaça norte-americana de taxar o país em 25%.
O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção ao controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o Pix é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.
Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto, apurou a CNN.
Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.
Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.




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