Mais da metade dos caminhoneiros autônomos aceitam frete abaixo do piso mínimo por necessidade
Mundo Logística
Publicado em 26 de agosto de 2026
Pesquisa da CNTA realizada em 2025 também apontou que 52% não recebem Vale-Pedágio via TAG e 85% não recebem estadia após esperas de cinco horas ou mais.

Mais da metade dos caminhoneiros autônomos aceita fretes com valores abaixo do piso mínimo por necessidade e não denuncia a situação. Segundo a 3ª Pesquisa Nacional CNTA - Realidade do Transportador Autônomo de Cargas 2025, 57,3% dos entrevistados afirmaram adotar essa conduta, enquanto 34,5% recusam o frete. Entre os demais, 4,4% não verificam se o valor está abaixo do piso, 2,1% recusam e denunciam, 1,3% aceitam e denunciam e 0,3% tentam negociar.
A pesquisa também questionou os caminhoneiros sobre o cumprimento do piso mínimo no país. Para 39,3%, a lei é respeitada às vezes; 28% afirmaram que nunca é respeitada; e 23,8%, que raramente é cumprida. Outros 6,1% responderam que a regra é respeitada frequentemente, 1,6%, sempre, e 1,2% não souberam responder.
Em relação ao conhecimento sobre o piso mínimo do frete, 56,2% afirmaram conhecer a lei, enquanto 26,5% disseram já ter ouvido falar, mas não conhecer os detalhes, e 17,2% responderam que não conhecem.
O levantamento ouviu 2.002 caminhoneiros autônomos cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). As entrevistas foram realizadas presencialmente entre junho e agosto de 2025, em 11 estados das cinco regiões do país. A amostra é não probabilística por conveniência, considerando os transportadores disponíveis nos pontos de coleta e dispostos a participar.
VALE-PEDÁGIO E ESTADIA
O levantamento também abordou o Vale-Pedágio Obrigatório. Entre os participantes, 65,3% afirmaram conhecer a lei, 23% disseram já ter ouvido falar, mas não conhecer os detalhes, e 11,7% responderam que não conhecem.
Quando questionados se a lei do Vale-Pedágio Obrigatório é respeitada no Brasil, 44,9% responderam que não e 43,1%, que é respeitada em partes. Outros 11,5% disseram que a legislação é respeitada e 0,5% não souberam opinar. A pesquisa aponta ainda que 52,2% dos entrevistados afirmaram não receber o Vale-Pedágio por meio de TAG.
A Lei da Estadia é conhecida por 67,1% dos caminhoneiros ouvidos. Outros 25,8% afirmaram já ter ouvido falar, mas não conhecer os detalhes, enquanto 7,1% disseram não conhecer.
Em relação às esperas para carregar ou descarregar, 46,1% afirmaram enfrentar sempre períodos de cinco horas ou mais. Outros 23,4% responderam passar por essa situação às vezes, 18,1% raramente, 7,4% raramente e 5,1% nunca.
Quando ocorrem esperas de cinco horas ou mais, 84,7% disseram não receber o valor da estadia e não denunciar. Outros 8,6% afirmaram receber corretamente, enquanto 6,6% disseram não receber e denunciar.
GOLPES FINANCEIROS
A pesquisa também abordou a ocorrência de golpes financeiros relacionados à profissão. Entre os caminhoneiros entrevistados, 14,2% afirmaram já ter sofrido algum golpe, enquanto 85,8% responderam que não.
Entre os que já foram vítimas, 94,4% apontaram o não recebimento total ou parcial do pagamento do frete como o golpe mais comum. Cheque sem fundo e frete falso aparecem com 1,4% cada, seguidos por compra de veículo e pagamento de estadia, ambos com 1%, e golpe de Pix, com 0,7%.




Comentários