O custo da logística no PIB brasileiro
- Fenatac Comunicação

- há 22 horas
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Parte relevante do custo logístico está associado à formação recorrente de filas em pontos da infraestrutura, em especial nos acessos portuários e nas atracações de navios
Entre gargalos estruturais, fragmentação institucional e baixa integração de dados, o Brasil ainda paga caro para mover sua produção. Estudos setoriais recentes indicam que os custos logísticos no Brasil nos últimos anos se situam entre 15% e 18% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional — cerca de R$ 1,83 trilhões em 2024, de acordo com o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).
Esse percentual é significativamente superior ao observado em economias desenvolvidas, como a dos Estados Unidos, que se encontra em torno de 8% do PIB americano.
Análises publicadas pela MundoLogística e pelo ILOS apontam também que o patamar brasileiro é fortemente associado à dependência do modal rodoviário, à volatilidade dos preços de frete e até mesmo às condições de armazenagem que, por vezes, são incapazes de acompanhar a produção (como aconteceu em 2025, devido à super safra brasileira), forçando a venda a preços mais baixos, elevando a demanda por transporte emergencial e prejudicando a competitividade nacional.
Ainda que a infraestrutura física seja frequentemente apontada como o principal gargalo, estudos técnicos destacam a relevância crescente de fatores institucionais, informacionais e decisórios.
A fragmentação do planejamento logístico, aliada ao uso limitado de ferramentas analíticas e de simulação, reduz a eficiência sistêmica e amplia os custos indiretos ao longo de toda a cadeia. Assim, parte relevante do custo logístico brasileiro está associado à formação recorrente de filas em pontos críticos da infraestrutura, em especial nos acessos portuários e nas operações de atracação de navios.
Em 2025, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 86,83% de tudo que foi exportado pelo Brasil (em US$ FOB) aconteceram por via marítima.
A ausência ou, ainda, o pouco uso de ferramentas de planejamento e otimização, tais quais modelos de alocação de berços, simulação de filas, análise preditiva das chegadas, revisão e otimização de layouts que considerem e adequem espaços para amortização interna dos fluxos, revisão de processos, condições de atendimento – entre outros – resultam em esperas elevadas, nas quedas de produtividade e produção, no aumento do consumo de combustível, em pagamentos de sobrestadias e na imobilização de ativos de alto valor.
Segundo o Valor Econômico e a Revista Ferroviária, em 2024 o Brasil teve um custo de US$ 2,3 bilhões – cerca de R$ 13 bilhões em conversão direta – com demurrage, ou seja, gastos com a sobrestadia de navios nos portos, causados principalmente por gargalos da infraestrutura. Esses custos, embora nem sempre visíveis de forma direta, acabam incorporados ao custo logístico agregado do país.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Plano Nacional de Logística (PNL), aproximadamente 62% da carga transportada no Brasil utiliza o modal rodoviário, enquanto o ferroviário responde por cerca de 19% e o aquaviário, incluindo hidrovias e cabotagem, por aproximadamente 15%. Essa predominância rodoviária implica em maiores custos unitários a cada tonelada movimentada por quilômetro, especialmente em longas distâncias, impactando diretamente o custo logístico agregado.
Diretrizes técnicas e simulações de cenário apresentadas no Plano Nacional de Logística (PNL 2025) indicam que um conjunto coordenado de intervenções estruturantes, incluindo o aumento da participação de modais de maior capacidade (como o ferroviário e o aquaviário), pode resultar em uma redução da ordem de 16% no custo total de transporte, o que equivale a cerca de 0,8% do PIB.
Esses ganhos decorrem não apenas dos menores custos unitários com frete, mas também da maior previsibilidade operacional, da redução de gargalos e da mitigação de congestionamentos nos principais corredores logísticos do país, através da aplicação de ferramentas computacionais e métodos analíticos específicos aplicados ao negócio.
A redução do custo logístico brasileiro depende menos de investimentos isolados e mais de decisões integradas, do uso intensivo de dados, da adoção de ferramentas de planejamento e reequilíbrio modal. Os próximos anos podem ser decisivos para transformar a logística em uma efetiva vantagem competitiva nacional.







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