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Petróleo sobe com guerra no Oriente Médio e pressiona inflação global

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

UOL Economia

Publicado em 16 de março de 2026


Com o fechamento do Estreito de Ormuz, navios permanecem ancorados no mar de Omã aguardando liberação

Fonte: UOL - Imagem: Benoit Tessier / Reuters
Fonte: UOL - Imagem: Benoit Tessier / Reuters

O petróleo volta a subir com a escalada da guerra entre EUA-Israel e Irã, aumentando o risco de inflação mais alta e de juros elevados no mundo.


O que aconteceu


O barril do Brent, referência internacional, foi negociado perto de US$ 105 nesta segunda-feira (16), após relatos de novos ataques do Irã na região do Golfo. A cotação chegou a abrir acima de US$ 106 e depois perdeu força, mas ainda assim avançou 1,6%, para US$ 104,73.


Alta do petróleo se acumulou desde o início do conflito, que entra na terceira semana. No período, o Brent soma valorização de mais de 40%, enquanto o petróleo bruto de referência dos EUA subiu 1% nesta segunda, para US$ 99,68, com ganho de quase 50% desde o começo da guerra.


Interrupção do fluxo no Estreito de Ormuz elevou a incerteza sobre oferta e transporte de energia. "A verdade é que, neste momento, grande parte do mercado está operando às cegas. Para contextualizar, o estreito normalmente recebe cerca de 25 navios-tanque de petróleo e GNL todos os dias", disse Stephen Innes, da SPI Asset Management, em um comentário.


Fechamento do estreito tirou produção do mercado e aumentou o temor de repasse para preços de combustíveis e fretes. Em pouco mais de uma semana, mais de 12 milhões de barris de petróleo equivalente por dia deixaram de ser produzidos, segundo a consultoria independente Rystad Energy.


Escalada do petróleo também pesou sobre bolsas e ajudou a reforçar o discurso de cautela com a inflação. Na sexta-feira (13), Wall Street aprofundou perdas com o retorno do barril acima de US$ 100, e os principais índices dos EUA fecharam a semana com a terceira queda semanal seguida.


Por que a alta do petróleo mexe com juros e consumo


Energia mais cara tende a pressionar a inflação e a reduzir o espaço para cortes de juros, especialmente nos EUA. Expectativas de inflação mais elevadas complicam os esforços do Federal Reserve para baixar as taxas, e não há previsão de redução na reunião de política monetária desta semana.


Indicadores divulgados antes do salto recente do petróleo já mostravam inflação resistente na economia americana. O Departamento de Comércio informou que os preços ao consumidor subiram 2,8% em janeiro na comparação anual, e que o núcleo (sem alimentos e energia) avançou 3,1%, a maior alta em quase dois anos.


Confiança do consumidor nos EUA recuou com a gasolina mais cara desde o início da guerra. Pesquisa da Universidade de Michigan apontou queda para o menor nível do ano, enquanto os gastos do consumidor cresceram 0,4% em janeiro, no mesmo ritmo da renda.


Reação de governos e risco para Ásia, Europa e Brasil


Países tentam conter a turbulência liberando estoques de emergência, mas o mercado segue volátil. Membros da Agência Internacional de Energia colocaram à disposição um volume recorde de 400 milhões de barris de suas reservas, medida que teve efeito limitado para acalmar investidores.


Dependência do petróleo que passa por Ormuz aumenta a preocupação na Ásia e na Europa. Em entrevista ao Financial Times no domingo (15), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse esperar ajuda de aliados para reabrir o estreito e afirmou que a Otan pode ter um futuro "muito ruim" se não houver colaboração.


Para o Brasil, a alta do petróleo pode chegar por combustíveis e custos de transporte, com efeito em preços ao consumidor. O movimento ocorre num momento em que, no mercado doméstico, o preço médio do diesel nos postos subiu 11,8% e chegou a R$ 6,80, segundo a ANP.

 
 
 

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