Rede dona do Pão de Açúcar fecha acordo para recuperação extrajudicial
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UOL - Alexandre Novais Garcia
Publicado em 10 de março de 2026
O grupo GPA, responsável pelas marcas de supermercados Pão de Açúcar no Brasil, anunciou ter fechado com seus principais credores um acordo para o anúncio de uma recuperação extrajudicial.
O que aconteceu
Acordo para recuperação foi apresentado em fato relevante ao mercado financeiro. De acordo com o documento, o plano abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais. A rede garante que estão excluídos do montante de R$ 4,5 bilhões as obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, assim como obrigações trabalhistas.
Proposta de recuperação foi formalizada entre a rede e seus principais credores do grupo. A companhia afirma que o acordo foi aceito por 46% dos titulares sujeitos ao plano, o equivalente a R$ 2,1 bilhões. O montante mínimo para a aprovação da proposta era de 33,3% dos créditos afetados.
Validação permite que as negociações com os credores persistam por mais 90 dias. O prazo é considerado pelo GPA como essencial para a criação de um ambiente seguro e estável. "Nesse período, a companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo", diz o comunicado.
Recuperação extrajudicial é diferente de recuperação judicial. A principal diferença é que, na recuperação extrajudicial, a negociação ocorre de forma mais privada e direta, entre a empresa e os credores. Já na recuperação judicial, todo o processo é supervisionado pelo Judiciário desde o início.
"O plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação. O plano também reflete a manutenção de um diálogo construtivo e de bom entendimento com os seus principais credores" - GPA, em fato relevante
Rede varejista garante que suas lojas continuarão operando normalmente. A empresa afirma que a recuperação extrajudicial não altera as operações "saudáveis" com fornecedores, clientes e parceiros, que "estão excluídos e não serão afetados pelo processo".
Empresa demitiu quatro diretores antes do anúncio da recuperação extrajudicial. O GPA afirma que os desligamentos do diretor de operações, Geraldo Monteiro, do vice-presidente comercial, de marketing e logística, Joaquim Souza, da diretora executiva de recursos humanos e sustentabilidade, Erika Petri, e do executivo da área digital, Rodrigo Poço, fazem parte do processo de reestruturação que marca. "Nesse contexto, algumas mudanças na alta liderança executiva refletem esse momento", diz a rede.
"As movimentações vinham sendo discutidas entre os executivos e a administração e ocorrerão por meio de uma transição planejada e organizada, sem impacto para as operações." - GPA, em nota.
GPA registrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre de 2025. No balanço referente ao período, o grupo alertou para a "incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia". Em teleconferência, o presidente da empresa, Alexandre Santoro, ressaltou não ser possível que uma empresa permaneça por anos "sem gerar caixa".
"Algo em torno de 20% a 25% das lojas têm performance aquém do que tinham no business plan ou do que imaginamos que seja o potencial." - Alexandre Santoro.
Grupo Pão de Açúcar engloba também os supermercados Extra. As unidades de varejo do grupo envolvem as redes Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh,.Extra Mercado e Mini Extra. Também integram o conglomerado as marcas Qualitá e Stix.




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