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Reforma Tributária: 1 em cada 5 grandes empresas repensa localização de CDs

há 14 minutos
3 min de leitura

Mundo Logística

Publicado em 18 de setembro de 2026


Pesquisa do ILOS apontou pretensão clara de aumento de operações logísticas no estado de São Paulo nos próximos anos.


Fonte: Mundo Logística
Fonte: Mundo Logística

Uma em cada cinco das maiores empresas do Brasil já planeja mudar a localização dos centros de distribuição entre estados em função da Reforma Tributária, segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) referente ao primeiro semestre de 2026, com mais de 100 das maiores empresas brasileiras em faturamento e aponta o início de uma reorganização da geografia logística do país.


O levantamento identificou uma pretensão clara de aumento de operações logísticas no estado de São Paulo, onde há o maior mercado consumidor do país. A mudança decorre do fim gradual da lógica que sustentou boa parte das decisões de localização no país.


“Com a substituição do ICMS pelo IBS, cobrado no destino, o benefício fiscal estadual perde força como critério de escolha. A decisão de onde instalar um centro de distribuição passa a ser avaliada com maior peso para aumento da eficiência da malha, redução de custo logístico e proximidade do mercado consumidor”, explicou o sócio executivo do ILOS, Rodrigo Tourinho Nakamura.


A pesquisa também mediu como as empresas avaliam o alcance da Reforma Tributária sobre o Supply Chain e o potencial de otimização da operação logística.  Em relação à percepção, há um ligeiro otimismo por parte das empresas, com 45% dizendo que a reforma terá impacto positivo ou muito positivo no Supply Chain, embora 38% acreditem que esta será negativa. Por outro lado, a maior parte das empresas (65%) considera que a Reforma deixará a sua operação logística mais otimizada.


MOVIMENTO PROMETE SER GRADUAL


A realocação dos centros de distribuição das empresas tende a ocorrer de forma gradual, ao longo dos próximos anos. O calendário da reforma, porém, já está em curso: 2026 é o ano de teste do novo sistema, 2027 marca a extinção do PIS/Cofins e a entrada integral da CBS, a transição do ICMS e do ISS ocorre entre 2029 e 2032, e o modelo entra em vigor pleno em 2033.


Apesar do horizonte definido, o nível de preparação das empresas em relação à Reforma Tributária ainda é baixo. Apenas 13% das empresas consultadas se consideram totalmente preparadas para as mudanças previstas até 2033. Para o ILOS, o dado aponta uma lacuna relevante de maturidade no planejamento das adaptações necessárias em redes logísticas, localização de centros de distribuição, compras, estoques, transportes, armazenagem e importações.


“Antes da Reforma Tributária, a arquitetura fiscal e os incentivos estaduais tinham grande influência na localização dos armazéns das empresas. Agora, com as mudanças na tributação, a prioridade será a redução de custos logísticos e a proximidade do consumidor”, afirmou Nakamura.


CUSTOS SOB PRESSÃO?


Algumas empresas veem a reforma como oportunidade para redução de custos, enquanto outras estão mais pessimistas. Mas em todos os seis componentes avaliados, a parcela de empresas que projeta alta de custos supera a que projeta redução. Em transportes, 37% esperam aumento e 30%, redução, a menor diferença entre os itens. Em mão de obra de armazenagem, 36% preveem aumento e 8%, redução. Chama atenção ainda o volume de empresas que ainda nem sequer avaliou os impactos: 31% no caso da importação e 24% em compra de insumos.


É essa combinação, custo pressionado e rede logística ainda desenhada sob a lógica fiscal antiga, que torna as decisões de localização dos próximos anos determinantes para a competitividade das empresas.

 
 
 

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