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Roubo de cargas muda de perfil e Sudeste concentra 77% dos prejuízos no primeiro semestre

há 25 minutos
3 min de leitura

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Publicado em 29 de setembro 2026


Fonte: Blog do Caminhoneiro
Fonte: Blog do Caminhoneiro

O roubo de cargas ganhou um perfil mais urbano e concentrou ainda mais prejuízos no Sudeste no primeiro semestre de 2026. A participação dos trechos urbanos no valor das perdas praticamente dobrou, passando de 20,4% para 39,6%, enquanto a região respondeu por 77,2% dos prejuízos nas operações monitoradas, ante 60,5% no mesmo período de 2025, segundo levantamento da nstech. O Rio de Janeiro também ultrapassou São Paulo e assumiu a liderança entre os estados analisados.


Nesse cenário, o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC), que cobre ocorrências como roubo e furto, arrecadou R$ 657,7 milhões e pagou R$ 248,6 milhões em indenizações no período em todo o Brasil, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Em todo o ano de 2025, foram R$ 1,4 bilhão em prêmios e R$ 531,5 milhões em indenizações.


As mudanças observadas coincidem com a entrada em vigor das novas regras para o transporte rodoviário de cargas. Desde 1º de julho, os transportadores precisam comprovar a contratação dos seguros obrigatórios previstos na Lei nº 14.599/2023 para manter ativo o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). A exigência decorre da Resolução ANTT nº 6.068/2025, e o descumprimento pode levar à suspensão do registro e impedir a empresa de operar.Viagens e transportes


Entre os seguros obrigatórios estão o RC-DC e o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C). Este último, no primeiro semestre de 2026, pagou mais de R$ 634 milhões em indenizações. O seguro cobre a responsabilidade do transportador por perdas ou danos causados às mercadorias em decorrência de acidentes previstos na apólice durante o transporte.


Com as novas exigências, a CNseg projeta crescimento de 2,9% para o seguro de transporte em 2026.


“A expectativa é de que a exigência de comprovação dos seguros obrigatórios contribua para ampliar as contratações no segundo semestre, com o início da verificação vinculada à manutenção do RNTRC. Esse cenário reforça a importância do seguro na estrutura de proteção do transporte rodoviário de cargas, especialmente diante das mudanças observadas nas rotas e nos locais de maior exposição”, afirma o presidente da Comissão de Transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Marcos Siqueira.


Os números do mercado segurador acompanham um cenário de forte concentração dos prejuízos no Sudeste. Levantamento da nstech mostra que a região respondeu por 77,2% do valor dos prejuízos com roubos nas operações monitoradas no primeiro semestre, ante 60,5% no mesmo período de 2025. No mercado de seguros, segundo dados da CNseg, as indenizações pagas na região somaram R$ 189,5 milhões, alta de 2%.


A principal mudança no mapa dos prejuízos, de acordo com a nstech, ocorreu no Rio de Janeiro. O estado passou de 16,1% para 36,6% do total nas operações monitoradas e ultrapassou São Paulo, cuja participação recuou de 34,2% para 30,9%. Minas Gerais aparece na sequência, com 9,3%. Entre os dez municípios com maior participação nos prejuízos, quatro são fluminenses: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu. Juntos, concentraram 31% do valor registrado entre os municípios analisados.


A concentração geográfica ocorre ao mesmo tempo em que muda a dinâmica dos roubos. Os trechos urbanos passaram de 20,4% para 39,6% dos prejuízos, praticamente o dobro da participação observada um ano antes. As rotas SP–SP e RJ–RJ, por sua vez, responderam juntas por 28,8% do valor dos prejuízos nas operações monitoradas.


Entre as rodovias, a BR-101 aparece como o principal corredor de risco no levantamento, respondendo por 17,1% dos prejuízos, ante 10,8% no primeiro semestre de 2025. A BR-116 aparece na sequência, com 8,2%, ante 4,8% um ano antes.


“Os dados mostram uma mudança na distribuição dos prejuízos com roubo de cargas, com maior concentração em determinados territórios e avanço da participação dos trechos urbanos. Esse movimento exige acompanhamento permanente e a adoção de medidas de gerenciamento de riscos adequadas às características de cada operação, além de reforçar o papel do seguro como instrumento de proteção da atividade de transporte e da própria circulação de mercadorias no País”, conclui Siqueira.

 
 
 

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