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Roubo e furto de caminhões recuaram 22,9% entre janeiro e maio, enquanto a capital paulista registrou alta de 8,1%

8 de set.
9 min de leitura

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Publicado em 07 de setembro de 2026


Fonte: Blog do Caminhoneiro
Fonte: Blog do Caminhoneiro

Os roubos e furtos de veículos pesados apresentaram comportamentos distintos no Estado de São Paulo, nos primeiros cinco meses de 2026. Enquanto o número total de ocorrências caiu 22,9%, na comparação com o mesmo período de 2025, os roubos recuaram 34,7% e os furtos permaneceram praticamente estáveis, com queda de apenas 1,5%. O movimento mais recente também acende um ponto de atenção: os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio.


É o que mostra o novo Boletim Tracker Fecap, que analisou, de forma inédita em 10 anos de projeto, as ocorrências dessas modalidades entre 2024 e maio de 2026. Em 2024, foram registrados 2.106 eventos, sendo 1.327 roubos e 779 furtos. Em 2025, o total passou para 2.141 casos, alta de 1,7%. Os roubos cresceram 2,3%, de 1.327 para 1.357 ocorrências, enquanto os furtos tiveram variação de apenas 0,6%, passando de 779 para 784 registros.


A situação mudou no acumulado de janeiro a maio de 2026. Foram 733 ocorrências, contra 951 no mesmo período de 2025, uma redução de 22,9%. Desse total, 401 foram roubos, ante 614 em 2025, enquanto os furtos somaram 332 ocorrências, contra 337 no ano anterior. “O recuo está concentrado nos roubos, enquanto os furtos permanecem praticamente no mesmo patamar e voltaram a crescer nos dois últimos meses analisados.


É importante observar essa mudança porque ela pode representar uma adaptação da atividade criminosa e exige acompanhamento contínuo”, afirma o pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e responsável pelo estudo, Erivaldo Vieira.


Comparativo entre janeiro e maio de 2025 e de 2026


Mês


Furtos 2025


Furtos 2026


Variação


Roubos 2025


Roubos 2026


Variação


Total 2025


Total 2026


Variação


Janeiro


69


54


-21,7%


105


77


-26,7%


174


131


-24,7%


Fevereiro


60


53


-11,7%


132


79


-40,2%


192


132


-31,2%


Março


83


74


-10,8%


121


80


-33,9%


204


154


-24,5%


Abril


74


80


8,1%


118


91


-22,9%


192


171


-10,9%


Maio


51


71


39,2%


138


74


-46,4%


189


145


-23,3%


Total


337


332


-1,5%


614


401


-34,7%


951


733


-22,9%


Para o gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa, a mudança na composição das ocorrências reforça a necessidade de combinar diferentes estratégias de proteção. “Quando o roubo perde participação de forma tão acentuada, mas o furto permanece praticamente estável e volta a crescer nos meses mais recentes, a leitura precisa ser feita com cuidado. Os criminosos também adaptam sua atuação às condições de risco. Para as empresas, isso significa que não basta concentrar a prevenção apenas nos momentos de abordagem: é necessário proteger o veículo durante toda a operação, considerando rotas, paradas, locais de estacionamento”, afirma.


Padrão semanal permanece concentrado nos dias úteis


Apesar da queda no volume total, o padrão de distribuição das ocorrências ao longo da semana permaneceu praticamente inalterado. Entre janeiro e maio de 2026, 73,3% dos roubos e furtos de veículos pesados ocorreram de terça a sexta-feira.


Quarta-feira liderou o ranking, com 146 ocorrências, seguida por quinta-feira, com 142, terça-feira, com 130, e sexta-feira, com 119. Juntos, os quatro dias concentraram 537 registros. “O comportamento acompanha a dinâmica do transporte rodoviário de cargas, com maior circulação de veículos pesados durante os dias úteis. Aos sábados e domingos foram registradas 102 ocorrências, equivalentes a 13,9% do total”, complementa Erivaldo Vieira.


A análise por período do dia também aponta estabilidade na estrutura do risco.


Considerando apenas os registros com horário válido, noite e madrugada responderam juntas por 60,2% das ocorrências em 2026, ante 58,3% no mesmo período de 2025. A noite continuou sendo o período de maior incidência, com 172 registros, enquanto a madrugada somou 159.


Capital paulista segue na contramão da queda estadual, com alta de 8,1%


A cidade de São Paulo registrou 213 ocorrências entre janeiro e maio de 2026, contra 197 no mesmo período de 2025, alta de 8,1%. O resultado mantém a capital como principal ponto de concentração dos roubos e furtos de veículos pesados no Estado. Guarulhos, segunda cidade com maior número de registros, apresentou comportamento oposto: caiu de 80 ocorrências para 46, retração de 42,5%.


Também registraram quedas expressivas São Bernardo do Campo (-47,8%), Itapecerica da Serra (-40,9%), Limeira (-34,8%) e Campinas (-33,3%). Ao mesmo tempo, Osasco, Barueri e Santo André passaram a integrar o grupo dos dez municípios com maior número de ocorrências em 2026, substituindo Cubatão, Embu das Artes e Sumaré.


Ranking das 10 cidades com maior número de ocorrências de roubo e furto de veículos pesados – Estado de São Paulo (janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026)


Posição


Jan.–Mai. 2026


Ocorrências


Jan.–Mai. 2025


Ocorrências


1


São Paulo


213


São Paulo


197


2


Guarulhos


46


Guarulhos


80


3


Osasco


36


São Bernardo do Campo


23


4


Limeira


15


Limeira


23


5


Itapecerica da Serra


13


Itapecerica da Serra


22


6


Itatiba


13


Campinas


18


7


São Bernardo do Campo


12


Cubatão


17


8


Campinas


12


Itatiba


16


9


Barueri


11


Embu das Artes


14


10


Santo André


10


Sumaré


14



A redistribuição espacial das ocorrências, com crescimento pontual em determinados centros urbanos e a entrada de novos municípios entre aqueles com maior concentração de registros, reforça a importância de que o planejamento operacional das forças de segurança seja continuamente atualizado, acompanhando o deslocamento geográfico das organizações criminosas ao longo da malha rodoviária do Estado de São Paulo. “Para quem trabalha com gerenciamento de risco, conhecer os corredores, os municípios e os pontos de concentração é fundamental para definir estratégias de monitoramento mais eficientes”, explica Vitor Corrêa.


Jaçanã assume liderança entre os bairros da capital


Dentro da cidade de São Paulo, o eixo norte permanece como uma das principais áreas de concentração das ocorrências. O Jaçanã registrou 18 casos entre janeiro e maio de 2026, contra oito no mesmo período de 2025, aumento de 125%. Parque Edu Chaves também apresentou crescimento, de oito para dez ocorrências, alta de 25%. Vila Maria passou de cinco para sete registros, enquanto Vila Jaguara subiu de três para cinco. Em sentido contrário, Parque do Carmo e Vila Carmosina registraram queda de 50%, enquanto Vila Leopoldina recuou 37,5%.


Ranking dos 10 bairros da Capital Paulista com maior número de ocorrências de roubo e furto de veículos pesados – janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026


Posição


Jan.–Mai. 2026


Ocorrências


Jan.–Mai. 2025


Ocorrências


1


Jaçanã


18


Parque do Carmo


8


2


Parque Edu Chaves


10


Parque Edu Chaves


8


3


Vila Maria


7


Vila Carmosina


8


4


Anhanguera


6


Jaçanã


8


5


Vila Guilherme


5


Vila Leopoldina


8


6


Vila Leopoldina


5


Anhanguera


6


7


Vila Jaguara


5


Jaguara


4


8


Parque Novo Mundo


5


Vila Maria


5


9


Parque do Carmo


4


São Mateus


4


10


Vila Carmosina


4


Vila Jaguara


3


Fernão Dias continua como principal corredor de risco


Entre os logradouros da capital, a Rodovia Fernão Dias manteve a liderança, com 18 ocorrências tanto nos cinco primeiros meses de 2025 quanto no mesmo período de 2026.


Os acessos ao corredor, porém, ganharam relevância. O Acesso Rodovia Fernão Dias passou de quatro para sete ocorrências, alta de 75%, enquanto o Retorno Rodovia Fernão Dias subiu de cinco para sete, crescimento de 40%.


Para o coordenador do estudo, “o comportamento indica que a análise de risco precisa considerar não apenas os grandes eixos rodoviários, mas também seus acessos, retornos e conexões com a malha urbana. A dinâmica territorial apresentada pelo boletim mostra uma reorganização das ocorrências de acordo com as rotas de circulação e as condições operacionais”.


Ranking dos principais logradouros com ocorrências de roubo e furto de veículos pesados na Capital Paulista – janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026


Posição


Jan.–Mai. 2026


Ocorrências


Jan.–Mai. 2025


Ocorrências


1


Rodovia Fernão Dias


18


Rodovia Fernão Dias


18


2


Acesso Rodovia Fernão Dias


7


Rua Santa Marcelina


8


3


Retorno Rodovia Fernão Dias


7


Rodovia BR-381


7


4


Vedação da divulgação dos dados relativos ao endereço


5


Vedação da divulgação dos dados relativos ao endereço


6


5


Rua Santa Marcelina


5


Rodovia Presidente Dutra


5


6


Rodovia Presidente Dutra


4


Retorno Rodovia Fernão Dias


5


7


Marginal Tietê


4


Avenida Alexandre Collares


5


8


Avenida Embaixador Macedo Soares


3


Acesso Rodovia Fernão Dias


4


9


Avenida Doutor Gastão Vidigal


3


Avenida Morvan Dias de Figueiredo


4


10


Avenida Marginal Direita do Tietê*


3


Avenida Presidente Castelo Branco**


3


* Rodovia Anhanguera também registrou três ocorrências em 2026.

** Marginal Tietê e Rua Maruins também registraram três ocorrências no mesmo período de 2025.


Veículos de transporte de longa distância concentram maior parte dos casos


A redução de 2026 foi influenciada principalmente pelas categorias diretamente ligadas ao transporte rodoviário de cargas de longa distância. Em 2025, caminhões, caminhões-tratores e semirreboques concentravam 79,6% das ocorrências de veículos pesados, ou 757 dos 951 registros. Nos primeiros cinco meses de 2026, essas categorias responderam por 75,9%, o equivalente a 556 dos 733 casos.


A queda foi influenciada principalmente pela redução das ocorrências envolvendo semirreboques e caminhões-tratores. Já os caminhões convencionais apresentaram comportamento mais estável, enquanto os reboques registraram aumento das subtrações sem violência.


Ocorrências de roubos e furtos de veículos pesados por tipo de veículo – Janeiro a maio de 2025 × Janeiro a maio de 2026

Tipo de veículo


Furtos 2025


Furtos 2026


Var. %


Roubos 2025


Roubos 2026


Var. %


Total 2025


Total 2026


Var. %


Caminhão


167


168


+0,6%


224


194


-13,4%


391


362


-7,4%


Caminhão-trator


29


32


+10,3%


199


127


-36,2%


228


159


-30,3%


Micro-ônibus


24


25


+4,2%


55


40


-27,3%


79


65


-17,7%


Reboque


42


60


+42,9%


11


3


-72,7%


53


63


+18,9%


Semirreboque


29


9


-69,0%


109


26


-76,1%


138


35


-74,6%


Trator de rodas


41


21


-48,8%


14


11


-21,4%


55


32


-41,8%


Trator misto


5


3


-40,0%


2


0


-100,0%


7


3


-57,1%


Ônibus*


0


11



0


0



0


11



Trator de esteiras*


0


3



0


0



0


3



Total Geral


337


332


-1,5%


614


401


-34,7%


951


733


-22,9%



Volkswagen e Volvo lideram entre os veículos pesados mais visados


A análise dos registros de 2025 e 2026 mostra concentração das ocorrências em modelos com forte presença na frota brasileira. Entre os caminhões, o Volkswagen 24.280 CRM 6×2 lidera, com 45 ocorrências, seguido pela Ford F-4000, com 36. Também aparecem com frequência modelos das linhas Atego, da Mercedes-Benz, e Tector, da Iveco.


Entre os caminhões-tratores, os Volvo FH 540 e FH 460 somam 173 ocorrências e concentram os principais registros da categoria. Modelos da Scania, DAF, Mercedes-Benz, Iveco e MAN também aparecem entre os mais atingidos.


Nos demais segmentos, destacam-se os modelos Mercedes-Benz Sprinter, entre os micro-ônibus; os semirreboques Randon e Facchini; e os tratores agrícolas Massey Ferguson e New Holland. Para o Grupo Tracker, a concentração reforça a importância de direcionar tecnologias de rastreamento, bloqueio e monitoramento aos veículos de maior exposição.


Marcas e modelos de veículos pesados com mais de duas ocorrências de roubo e furto por tipo de veículo – Estado de São Paulo (base consolidada 2025–2026)

Critério metodológico:


– Foram consolidadas as bases de dados de 2025 e 2026 e selecionados apenas os modelos que registraram mais de duas ocorrências no período, permitindo concentrar a análise nos veículos com maior relevância estatística.


– As categorias Ônibus e Trator de Esteiras não apresentaram modelos com mais de duas ocorrências e, portanto, não possuem representatividade suficiente para análise individual.

Tipo de veículo


Marca / Modelo


Ocorrências


Caminhão


VW 24.280 CRM 6×2


45




FORD F-4000


36




M.BENZ Atego 2426


18




VW 17.280 CRM


14




VW 24.250


12




IVECO Tector 240E28


10




VW 15.190


8




M.BENZ Accelo 1016


6




FORD Cargo 2429


5




VW Delivery Express


4




VW 13.180


3


Caminhão-trator


VOLVO FH 540 6x4T


93




VOLVO FH 460 6x2T


80




SCANIA R450


41




SCANIA R440


34




DAF XF 105


21




M.BENZ Actros 2651


17




VOLVO FH 500


13




SCANIA G420


9




IVECO Hi-Way


7




MAN TGX 29.440


5


Micro-ônibus


M.Benz Sprinter 415 CDI


19




M.Benz Sprinter 416 CDI


17




Renault Master


5




Fiat Ducato


4


Ônibus


M.Benz OF-1620


2 (não atende ao critério)


Reboque


JLF Carresul CA


6




ADD ACC-320


5




Guerra AG GR


4


Semirreboque


Randon SR CA


17




Facchini SRF LO


15




Guerra SR


8




Noma SR3E27


5


Trator de rodas


Massey Ferguson


34




New Holland


9




John Deere


5




Valtra


4


Trator misto

Massey Ferguson

3






A análise conjunta dos dados de 2024, 2025 e dos primeiros cinco meses de 2026 mostra que a criminalidade envolvendo veículos pesados apresenta dois movimentos simultâneos. De um lado, houve uma redução importante no total de ocorrências em 2026, concentrada nos roubos. De outro, os furtos avançaram nos meses mais recentes. Para o Grupo Tracker, em um cenário no qual o crime demonstra capacidade de adaptação e deslocamento, proteger o bem e/ou a carga com apenas uma tecnologia pode não ser suficiente. A estratégia mais eficiente é aquela que cria múltiplas barreiras: quanto mais camadas de proteção, maior a dificuldade para o criminoso e maior a capacidade operacional de resposta.


“Nossa recomendação é que empresas, transportadoras, seguradoras e gestores de risco passem a avaliar a proteção dos veículos de forma integrada. O investimento em rastreamento deve continuar sendo fundamental, mas ser complementado, sempre que aplicável ao perfil do veículo e da operação, por recursos de segurança capazes de aumentar a resistência do ativo contra a ação criminosa”, conclui Vitor Corrêa.


Período de abrangência dos dados: Os dados analisados neste boletim abrangem o período até maio de 2026, em razão das restrições aplicáveis à divulgação de informações por órgãos públicos durante o período eleitoral, nos termos da legislação eleitoral vigente.

 
 
 

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