TCU exige aporte de R$ 6 bi nos Correios e aponta risco de colapso
- 28 de mai.
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Poder 360 - Iury Roberti
Publicado em 27 de maio de 2026
Tribunal aponta falhas em plano de socorro e critica governo por dar garantia a empréstimo sem análise rigorosa.

O TCU (Tribunal de Contas da União) proferiu nesta 4ª feira (27.mai.2026) duas decisões sobre a crise financeira nos Correios e a responsabilidade do governo federal neste cenário. A estatal acumula um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e fechou o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Para não interromper as suas atividades, a empresa precisou contrair um empréstimo de R$ 12 bilhões junto de bancos e usou o governo federal como fiador da dívida.
O tribunal analisou o problema em duas frentes diferentes. A primeira avaliou se o plano criado para recuperar a companhia realmente funciona. A segunda investigou a falta de cuidado dos ministérios que autorizaram este empréstimo bilionário sem fazer uma verificação rigorosa dos riscos.
PLANO FALHO E APORTE OBRIGATÓRIO
Ao analisar a estratégia de reestruturação desenhada para o período de 2025 a 2027, o tribunal concluiu que o plano de socorro foi feito com previsões pouco confiáveis e sem dados financeiros consistentes. O projeto é considerado frágil porque, de trinta ações propostas pela estatal, apenas cinco tiveram o impacto financeiro calculado. Além disso, as metas mais importantes para cortar despesas falharam logo no início.
O programa de demissão voluntária teve apenas 3.748 adesões, e ficou muito abaixo do objetivo original de desligar 10.000 funcionários. A intenção de vender imóveis para reforçar a tesouraria também avança em ritmo lento, longe de alcançar a meta de R$ 1,5 bilhão.
Como a estatal corre o risco de parar de funcionar, o tribunal determinou que os ministérios da Fazenda e das Comunicações, a Casa Civil, a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais e o Tesouro Nacional criem regras para que o governo injete pelo menos R$ 6 bilhões nos Correios até ao fim de 2027. Este dinheiro é uma exigência do próprio contrato de empréstimo.
Se o governo não fizer este pagamento, os bancos podem cobrar toda a dívida de R$ 12 bilhões de uma só vez. A Corte também ordenou que os Correios enviem relatórios trimestrais com resultados detalhados e práticos, além de autorizar a abertura de uma investigação para punir os gestores responsáveis pelo colapso das contas.
OMISSÃO ESTATAL E RISCO FISCAL
Na outra linha de análise, o tribunal deu foco ao comportamento dos órgãos federais que deveriam fiscalizar a estatal. A conclusão é que o governo demorou a agir e colocou o dinheiro público em risco. As contas da empresa já estavam negativas desde o final de 2023, mas as autoridades ignoraram os alertas e aceitaram transformar a União em fiadora do novo empréstimo.
O relatório aponta que o Ministério das Comunicações falhou ao aprovar o plano de recuperação, e aceitou os números fornecidos pela própria direção dos Correios, sem pedir uma avaliação técnica e independente para saber se as promessas de corte de gastos eram realistas.
A avaliação feita pelo Tesouro Nacional também foi considerada falha e superficial. O órgão autorizou a garantia do governo usando critérios muito brandos de uma norma interna. O Tesouro analisou apenas se os Correios teriam dinheiro em caixa para pagar as parcelas do empréstimo mês a mês, mas ignorou os indicadores econômicos gerais que já mostravam que a estatal estava sem condições financeiras de se sustentar.
Por esses motivos, o tribunal enviou alertas de irregularidades aos ministérios envolvidos e recomendou que o governo mude as regras para ser fiador de empresas estatais, de modo que passe a exigir auditorias independentes antes de liberar qualquer garantia.




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