Transporte de cargas respondeu por 44% das mortes em rodovias em 2025
- 22 de mai.
- 3 min de leitura
Mundo Logística - Por Redação
Publicado em 22 de maio de 2026
Dados são do “Mapa de Acidentes no Transporte de Cargas 2025”, realizado pela nstech; região Sudeste ampliou a liderança em registros de ocorrências.

Em 2025, o Brasil registrou uma leve redução nos indicadores de acidentes de trânsito em rodovias federais, com queda de 0,9% no total de ocorrências e de 1,8% no número de mortos na comparação com 2024. Ainda assim, os números seguem alarmantes: foram contabilizados 72.476 acidentes, 83.490 feridos e 6.040 mortes ao longo do ano, gerando um custo superior a R$ 16 bilhões. Mais de 20% dos acidentes e 44% das mortes nas estradas envolveram veículos de carga, reforçando o peso do transporte rodoviário nas estatísticas de sinistros do país.
Dentro desse cenário, a região Sudeste ampliou a liderança em registros de acidentes no transporte de cargas, aumentando em 12% as ocorrências e consolidando-se como o principal epicentro de risco no país. Três dos quatro estados da região — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — lideram o ranking. O mapa mostra que o risco se manteve concentrado, mas com tendência de expansão para regiões emergentes, como o Centro-Oeste, que teve aumento de 14%.
Além disso, apesar de uma queda na comparação com 2024, o período da manhã se manteve como o mais crítico, seguido pela tarde, que apresentou aumento de 14%. Os riscos também permaneceram concentrados entre quinta-feira (+7%) e sexta-feira (+14,7%).
Os dados são do “Mapa de Acidentes no Transporte de Cargas 2025”, realizado pela nstech. O estudo é baseado nas informações apuradas pelas gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech, que integram o ecossistema da companhia.
De acordo com o diretor de Produto da nstech, Thiago Azevedo, em um país onde o transporte rodoviário é predominante, a segurança nas estradas deixa de ser apenas uma preocupação operacional e se consolida como um elemento estratégico de eficiência, competitividade e gestão de riscos no setor.
“E é pensando nisso que, anualmente, com o gancho do mês da segurança, comemorado em maio, construímos esse relatório”, afirmou.
PERFIL DOS ACIDENTES
Ainda de acordo com o mapa de acidentes, colisões seguem como o principal tipo de ocorrência, com uma trajetória de alta de mais de 5%. Em segundo lugar, os tombamentos cresceram 9,5%, seguidos pelos choques que, apesar da redução de 7,25% com relação a 2024, ainda estão em terceiro lugar no ranking. Saídas de pista, incêndio e capotagem também cresceram, mas em menor volume.
As cargas fracionadas seguem liderando as ocorrências, mas com leve queda com relação ao ano anterior. Seguida pelo setor alimentício, com alta de 4%, os segmentos são, disparadamente, os mais suscetíveis. As cargas siderúrgicas e de medicamentos também aparecem no topo do ranking.
A maior incidência dos acidentes esteve concentrada em motoristas entre 40 e 50 anos, seguidos por profissionais com mais de 50, destacando que o risco está em operações com trabalhadores, em tese, mais experientes. Além disso, os profissionais com vínculo agregado lideram o ranking, o que pode estar associado a menor padronização operacional e maior variabilidade de condução.
Em 2025, de acordo com os dados de monitoramento das gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech, foi registrado um aumento de aproximadamente 4,7% de acidentes envolvendo transporte de cargas, em relação a 2024. No entanto, o número de viagens monitoradas pelo ecossistema da nstech cresceu acima desse percentual, com 34,8% quando comparado com o ano anterior, um avanço de 19,7% no valor das cargas monitoradas.
“Os dados mostram que as tecnologias de gerenciamento de riscos e os programas de capacitação de motoristas e prevenção de acidentes têm resultados diretos no aumento da segurança no transporte de cargas, já que, mesmo disparando o número de corridas monitoradas, o número de acidentes não acompanhou esse desenvolvimento”, completou Azevedo.
TECNOLOGIA E PREVENÇÃO
Ainda de acordo com o relatório, a precariedade das rodovias, junto com condições meteorológicas adversas e fatores humanos de conduta e comportamento são as principais causas dos acidentes.
Segundo dados da Onisys, produto de prevenção de acidentes da nstech, os principais desvios críticos encontrados são: excesso de velocidade, RPM excedido, aceleração brusca em curva ou arrancada brusca, freada brusca, fadiga (sinais de cansaço, bocejo e sonolência), distração, não uso de cinto de segurança, mão fora do volante, objetos soltos na cabine, uso de celular e interação com objetos.
“Com apoio da tecnologia, é possível mapear quais são e com que frequência esses atos inseguros acontecem ao longo das viagens e, assim, as transportadoras podem atuar de forma mais assertiva, orientando e corrigindo condutas antes que evoluam para situações críticas. Nesse meio, a segurança passa, cada vez mais, pela capacidade de converter dados em decisões operacionais. Mais do que tecnologia, trata-se de uma mudança de mentalidade, em que a segurança deixa de ser reativa e passa a ser contínua, orientada por dados e determinante para a competitividade do negócio”, disse Azevedo.




Comentários