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Valor médio do frete está 10,1% defasado em relação aos custos do transporte

  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Publicado em 27 de fevereiro de 2026

Fonte: Blog do Caminhoneiro - Imagem de Rachid Waqued / Divulgação
Fonte: Blog do Caminhoneiro - Imagem de Rachid Waqued / Divulgação

Uma análise de custos realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas) mostra que as empresas e transportadores rodoviários está operando com grande defasagem nos valores dos fretes.


De acordo com a NTC&Logística, que divulgou os dados, o encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional. Embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por três fatores críticos que exigem a recomposição imediata dos fretes:


Impacto dos Novos Custos com Seguros (Lei 14.599/23)


A obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu custos e gestão de risco integralmente ao transportador. Para a cobertura desses custos, a prática de mercado pelas empresas é a adoção da cobrança da Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).


Fim da Leniência no Piso Mínimo (Lei 13.703/18)


A implementação da fiscalização eletrônica (MDF-e/CIOT) pela ANTT encerrou o período de utilização de valores abaixo da tabela divulgada pela Agência, praticados por força da concorrência comercial. O cumprimento do piso é agora um requisito de conformidade inegociável na contratação de terceiros (TAC).


Perda de Produtividade e Custo Social


Decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de espera e descanso reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. Somada a isso, a escassez de motoristas qualificados pressiona os investimentos em retenção e benefícios.


O Cenário da Defasagem Tarifária


Apesar da estabilidade dos custos operacionais observada em 2025, o setor enfrenta um cenário difícil. A dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor compromete a saúde financeira das transportadoras. Atualmente, segundo a pesquisa da NTC, o frete praticado apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais apurados pela NTC.


Evolução dos Custos: Um Olhar Acumulado


O impacto nos custos é mais visível quando analisamos o médio prazo, no qual itens essenciais como  veículos e mão de obra apresentam altas consideráveis.


No acumulado de 12 meses, enquanto o INCTL (Carga Lotação) atingiu 2,81%, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%.


Perspectivas e Desafios para 2026


O ano de 2026 inicia já com uma pressão inflacionária e novos desafios operacionais que exigem atenção imediata:


Custos Tributários: início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento, elevando a carga tributária sobre o setor.


Custo Financeiro: a Selic permanece elevada em 15,0%, o custo de concessão de prazos aos clientes tornou-se oneroso e deve ser repassado, visto que não integra as planilhas referenciais de custo da NTC.


Componentes Tarifários: É vital a aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO, para cobrir riscos e especificidades operacionais.


CONCLUSÃO


A sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente. É imprescindível o monitoramento constante das taxas adicionais e dos custos financeiros, além da cobrança correta de cubagem, para garantir a sustentabilidade do setor.


 
 
 

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