Aluguel e leasing se tornam tendência no mercado de caminhões por conta de juros altos
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Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro
Publicado em 16 de março de 2026

O mercado brasileiro de caminhões passa por uma transformação estrutural na forma como as empresas acessam e utilizam seus veículos. Com taxas de juros elevadas e investimentos significativos necessários para modernizar frotas, soluções de leasing, aluguel e modelos de truck-as-a-service (caminhão como serviço) vêm ganhando espaço em substituição à compra direta, segundo análise da Mirow & Co., consultoria de estratégia com mindset global.
Dados do estudo mostram que, entre 2019 e 2024, o número de caminhões novos vendidos para empresas de aluguel cresceu 50,3%, evidenciando a sensibilidade do setor às condições de financiamento. Em um ambiente de crédito mais caro, modelos que reduzem a imobilização de capital e oferecem maior flexibilidade operacional tornam-se mais atraentes, especialmente para companhias com demandas variáveis ou de curto prazo.
“O mercado brasileiro de caminhões sempre foi altamente dependente do custo do capital. Com juros elevados, a compra direta perde competitividade e modelos baseados em leasing e aluguel passam a oferecer uma equação financeira mais eficiente”, explica Elmar Gans, sócio da Mirow & Co.
Outro fator que sustenta essa mudança é o acesso diferenciado à capital por parte das grandes empresas de aluguel. Com maior escala e custo de financiamento mais baixo do que o de empresas individuais, essas companhias conseguem ampliar rapidamente suas frotas e negociar melhores condições junto aos fabricantes. Como resultado, o aluguel de caminhões se consolida como alternativa relevante, especialmente quando inclui serviços como manutenção, seguro, documentação e assistência em viagem.
Nesse contexto, os próprios fabricantes de caminhões têm ampliado sua atuação. No leasing, OEMs (Original Equipment Manufacturer – Fabricante Original do Equipamento, em português) competem diretamente com bancos por meio das operações financeiras. No aluguel, disputam espaço com locadoras especializadas, oferecendo contratos de médio e longo prazo, normalmente entre 24 e 60 meses. O movimento reforça que a transformação no modelo de propriedade não é pontual, mas envolve toda a cadeia do setor.
A evolução desses formatos também abre espaço para modelos mais avançados, como o Truck-as-a-Service (TaaS), no qual o caminhão deixa de ser apenas um ativo e passa a integrar uma solução completa, com custos mensais previsíveis, pagamento por uso, serviços integrados e suporte digital. “Esses modelos ampliam a flexibilidade e permitem que as empresas foquem na operação, sem se preocupar tanto com a gestão do ativo”, complementa Gans.
Segundo a análise Mirow & Co., no entanto, o crescimento do leasing, do aluguel e do TaaS traz desafios relevantes. São modelos intensivos em capital, que exigem disciplina na alocação de recursos, capacidade de gestão de ativos, controle de riscos de valor residual e um ecossistema robusto de serviços e tecnologia. “Capturar valor nesse novo cenário vai depender menos da expansão da demanda e mais da clareza estratégica e da qualidade da execução”, conclui o executivo.
