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Braskem protocola pedido de recuperação extrajudicial

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

CNN Brasil - Rafael Villarroel

Atualizado em 24 de agosto de 2026


Petroquímica anunciou a medida como forma de reestruturação das dívidas com credores, que somam US$ 10,9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 56 bilhões.


Fonte: CNN Brasil
Fonte: CNN Brasil

A Braskem informou que aprovou o pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda-feira (24). A informação foi confirmada em fato relevante divulgado pela empresa.


"A Braskem S.A. vem comunicar aos seus acionistas e ao mercado em geral que protocolou, nesta data, em conjunto com certas controladas (em conjunto com a Companhia, as “Devedoras”), pedido de recuperação extrajudicial (“Recuperação Extrajudicial”)", disse a companhia, em nota.


Segundo a empresa, as dívidas somam US$ 10,9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 56 bilhões.


Ainda no comunicado, a Braskem afirmou que o objetivo da aprovação é "assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras".


Ao todo, 39,6% dos credores já aderiram ao plano.  Agora, a Braskem tem 90 dias para alcançar o percentual necessário à homologação de um plano atualizado, que poderá vincular 100% dos créditos sujeitos.


O plano prevê alongamento dos vencimentos e um período de alívio financeiro (relief), inclusive com possibilidade de capitalização dos juros por determinado período.


Parte da dívida poderá ser convertida em ações da Braskem, chamada de capitalização dos créditos.


A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com os credores e levar posteriormente o acordo à Justiça para homologação. Se não conseguir o apoio necessário, o processo pode ser convertido em recuperação judicial.


Há pouco mais de um mês, a empresa já estava em discussão com credores sobre a necessidade de uma reestruturação na estrutura de capital.


Em junho, as agências de rating Fitch e S&P Global decidiram rebaixar a nota para papéis da companhia petroquímica, citando as dívidas e o anúncio de que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo havia aprovado o pedido de tutela cautelar feito anteriormente pela empresa.


Passados os 60 dias, o prazo de proteção contra execuções de credores chegou ao fim nesta segunda-feira, sem que um acordo para reestruturar suas dívidas tenha sido fechado.


Segundo apuração, os bancos exigiram garantias envolvendo ativos da própria Braskem e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões. A empresa recusou o novo financiamento.


Motivos para dívida


A decisão anunciada hoje foi pressionada por um momento econômico desafiador.

O setor petroquímico enfrenta excesso de oferta global, margens menores e demanda fraca. Na Braskem, o custo dos produtos vendidos chegou a consumir cerca de 96% da receita líquida.


Em Alagoas, o afundamento do solo associado à exploração de sal-gema gerou um passivo bilionário. Cerca de 60 mil pessoas foram afetadas e aproximadamente 14 mil imóveis foram condenados.


Em junho, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no caso. As ações da Braskem caíram quase 15% naquele pregão.


A estrutura de capital também aumentou a pressão sobre o caixa. A Selic passou de 2% em 2020 para 15% em março de 2026, elevando o custo do serviço da dívida. Parte relevante do passivo da companhia está denominada em moeda estrangeira.


Já na semana passada, a joint venture Braskem Idesa, com sede no México, protocolou um pedido de um pedido de recuperação judicial, no âmbito do Chapter 11, na Justiça dos Estados Unidos.

 
 
 

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