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Centro de Goiânia perde fôlego no comércio e teme impacto com aumento da Área Azul

Diário da Manhã

Foto: Leo Iran
Foto: Leo Iran

A Rua 25 de Março deixou de ser o destino preferido dos clientes e, nos últimos meses, tem registrado o fechamento de diversos estabelecimentos comerciais. Em poucos anos, galpões, bancas e sacoleiros reduziram suas atividades no local. As lojas foram fechadas em meio à queda no movimento de consumidores, ao aumento dos custos de operação, a falta de incentivos e às mudanças no perfil de compra dos brasileiros. O cenário tem preocupado os comerciantes, que buscam entender as causas dessa transformação no tradicional e num dos maiores centros de compras da América Latina.

E essa tendência tem chegado aos comércios do Centro de Goiânia, que também buscam entender o comportamento dos consumidores. Muitos comerciantes afirmam que, sem o fluxo constante de clientes locais, turistas, sacoleiros vindos de outras cidades, e diante de aluguéis caros e da falta de incentivos públicos, manter o negócio aberto se tornou inviável.

Há 25 anos, desde o início dos anos 2000, diferentes prefeitos de Goiânia falam em revitalizar a região Central da cidade, mas, até hoje, nenhum projeto foi de fato concluído. Nesse período, seis gestores estiveram à frente da Prefeitura da capital, e, atualmente, a administração municipal apresenta a décima proposta com o objetivo de reurbanizar a região.


Comerciantes pedem socorro


Hoje, a paisagem do Centro de Goiânia mistura lojas ainda resistentes com portas fechadas, placas de “aluga-se” e o esforço de poucos empreendedores que tentam reinventar o comércio local, apostando em nichos, vendas online e novas formas de atrair o consumidor. No entanto, comerciantes agora temem o reajuste da cobrança da Área Azul na capital, que deve subir de R$ 1,50 para R$ 2,15 pela primeira hora estacionada, e de R$ 2,50 para R$ 4,30, equivalente a duas horas de permanência na região.

Para quem ainda resiste no Centro, o novo reajuste da Área Azul é mais um golpe num momento já delicado. Comerciantes relatam queda nas vendas e temem que o aumento do estacionamento afaste ainda mais os clientes. “A gente já lida com menos movimento, aluguel caro e concorrência com vendas na internet. Agora, com esse aumento, o pessoal pensa duas vezes antes de parar o carro por aqui”, reclama Flávio Rodrigues, de 52 anos, lojista que há mais de dez anos mantém um ponto na Rua 4.

Outro comerciante afirma que o problema vai além do preço: “O Centro precisa de atrativos, de conforto, de segurança. Só cobrar mais caro para estacionar não resolve. Pelo contrário, espanta o consumidor”, afirma Eneida Maria de Jesus.


Todos são alvos


O sentimento é compartilhado também por ambulantes e trabalhadores de lojas nas galerias da Avenida Anhanguera, no Centro, que veem na medida mais um obstáculo para as vendas e até para a manutenção dos próprios empregos. “A gente tenta sobreviver com promoções, mas o cliente some. Se ele tem que pagar quase R$ 5 só pra parar o carro, prefere ir pro shopping”, diz um funcionário de uma ótica.

Segundo o camelô Genivaldo Faria, de 56 anos, que vende produtos eletrônicos, a popularização do comércio online e o fortalecimento de grandes plataformas digitais afastaram parte do público que antes lotava as ruas e lojas do Centro. “A concorrência hoje chega a ser desleal dessas empresas virtuais com a gente. Mas tem muita gente que tem pressa ou quer pegar o produto com as mãos, quer ver o negócio, e não vai aguardar uma semana pra chegar na casa dele um celular, por exemplo. Então o freguês vem e compra na nossa mão (sic)”, afirma.


Mais faturamento


Além disso, a Prefeitura prevê a cobrança de R$ 40 por dia para o estacionamento de caçambas. Apesar de os aumentos ainda não terem data definida para começar a valer na prática, o reajuste já foi decretado e publicado no Diário Oficial do Município (DOM) na última terça-feira (11). Atualmente, o Setor Central conta com 1.712 vagas de estacionamento rotativo.

Com base em uma estimativa que considera as 1.712 vagas disponíveis e o funcionamento da Área Azul de segunda a sábado, durante 26 dias no mês, das 8h às 18h, com taxa média de ocupação de 70% e permanência de duas horas por veículo, a Prefeitura de Goiânia pode arrecadar cerca de R$ 19,3 mil por dia, o que representa aproximadamente R$ 502 mil por mês, apenas com o estacionamento de veículos, sem incluir a cobrança por caçambas.

 
 
 

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