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Goiás projeta ganho de US$ 208 mi ao ano em exportações e incremento de até 26% na indústria com acordo entre Mercosul e a UE; veja estudo inédito

há 27 minutos
12 min de leitura

Jornal Opção - Raunner Vinícius Soares

Publicado em 29 de outubro de 2026


Em nível nacional, as projeções do governo federal indicam um avanço de 0,34% no PIB brasileiro (R$ 37 bilhões) e de 0,76% nos investimentos (R$ 13,6 bilhões).


Fonte: Jornal Opção
Fonte: Jornal Opção

Goiás pode registrar um aumento de US$ 208 milhões por ano nas exportações com o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O impacto econômico foi apresentado em um estudo inédito divulgado nesta quinta-feira, 29, pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que também aponta perspectivas de crescimento para a indústria brasileira.


Segundo o levantamento, o estado poderá gerar 24,2 mil novos empregos nos setores exportadores. A estimativa considera um crescimento de 13% nas vendas goianas para a União Europeia, o equivalente a US$ 218 milhões sobre os atuais US$ 1,68 bilhão exportados ao bloco. A Fieg também projeta um incremento direto de US$ 208 milhões anuais com a redução das tarifas comerciais.


O Acordo Provisório de Comércio (ITA) entre os dois blocos entrou em vigor em 1º de maio de 2026, dando início à operação do maior mercado integrado do mundo, que reúne cerca de 720 milhões de pessoas e movimenta um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões. O instrumento provisório permanece em vigor enquanto o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJ-UE) realiza a análise jurídica integral do texto, após questionamentos do setor agrícola europeu.


No cenário nacional, projeções do governo federal indicam que o acordo poderá elevar o PIB brasileiro em 0,34%, o equivalente a R$ 37 bilhões, e ampliar os investimentos em 0,76%, ou R$ 13,6 bilhões. As exportações do país devem crescer 2,65%, com acréscimo de US$ 9,2 bilhões, enquanto as importações poderão aumentar 2,46%, o equivalente a US$ 6,9 bilhões.


Com a implementação completa do acordo, prevista até 2038, as exportações brasileiras para a União Europeia poderão crescer 13%, representando US$ 6,5 bilhões adicionais sobre os US$ 49,8 bilhões registrados em 2025. Já para a indústria de transformação brasileira, a projeção é de crescimento de até 26%.


Dinâmica de desgravação tarifária e a pauta exportadora de Goiás


Indicador / Categoria comercial

Dado / Estimativa de Impacto

Data de início de vigência (ITA)

1º de maio de 2026

Tarifas zeradas pela UE na abertura do acordo

2,9 mil itens (93% bens industriais)

Prazo para o Brasil reduzir tarifas de produtos europeus

10 a 15 anos (abrangendo 4,4 mil itens)

Exportações totais de Goiás para a UE (2025)

US$ 1,68 bilhão

Concentração do topo da pauta goiana (Soja, Cobre, Ferro e Carne Bovina)

86% do valor exportado

Potencial adicional anual para 40 produtos selecionados da indústria goiana

US$ 87 milhões (+34%)

Potencial adicional para demais produtos industriais goianos

US$ 43 milhões (+28%)

Potencial adicional para commodities goianas (agrícolas e minerais)

US$ 78 milhões (+6%)

Incremento total estimado para as exportações de Goiás após desgravação

US$ 208 milhões / ano


O cronograma de abertura comercial estabelece um período de transição assimétrico, oferecendo ao Mercosul um prazo médio de oito anos adicionais de adaptação em relação à União Europeia. Em 1º de maio de 2026, o bloco europeu zerou de imediato as tarifas de 2,9 mil itens (93% de produtos industriais como máquinas, equipamentos, alimentos, químicos e metalurgia), ao passo que o Brasil reduzirá as tarifas sobre 4,4 mil produtos europeus ao longo de 10 a 15 anos.


Fonte: Jornal Opção
Fonte: Jornal Opção

A pauta goiana enviada à UE apresenta forte concentração em quatro itens principais:


– Farelo de soja e alimentos animais: US$ 562,2 milhões (33,5% do total)


– Minérios de cobre: US$ 447,4 milhões (26,7%)


– Ferro-gusa e ferro-ligas: US$ 267,6 milhões (16%)


– Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: US$ 170,1 milhões (10,1%)


A modelagem de elasticidade-preço da Fieg para os dez principais itens exportados por Goiás (excluindo commodities puras) indica um ganho direto entre US$ 54 milhões e US$ 72 milhões (R$ 286 milhões a R$ 367 milhões) por ano após a desgravação total, sendo US$ 13 milhões (R$ 66 milhões) previstos já no primeiro ano.


Esse crescimento goiano é sustentado pelo estabelecimento de cotas tarifárias preferenciais:


– Carne bovina: cota de 99 mil toneladas para o Mercosul com tarifa de 7,5% (ante alíquotas anteriores de 42% a 46%).


– Carne de frango desossada: cota de 180 mil toneladas com isenção total.


– Açúcar: cota isenta de 180 mil toneladas para o bloco.


– Cota Hilton (cortes bovinos nobres): eliminação imediata da tarifa interna de 20% para o volume de 10 mil toneladas.


Impactos nas importações e estrutura de custos da indústria goiana


Produto Europeu Importado por Goiás

Valor CIF 2025 (US$)

Imposto Pré-Acordo

Prazo de Desgravação

Importação Adicional Anual Projetada (US$)

Medicamentos com compostos heterocíclicos

79.516.534

8%

8 anos (2034)

4.452.926

Preparados contraceptivos hormonais

29.980.645

12%

10 anos (2036)

3.597.677

Medicamentos com levodopa ou alfa-metildopa

29.453.705

14%

10 anos (2036)

2.886.463

Outros medicamentos com compostos heterocíclicos

26.022.171

8%

8 anos (2034)

1.457.242

Medicamentos com compostos de carboxiamida

19.294.887

8%

10 anos (2036)

1.080.514

Compactadores e rolos compressores autopropulsados

19.110.737

14%

15 anos (2041)

2.675.503

Medicamentos das posições 2930 a 2932

15.919.775

8%

10 anos (2036)

1.273.582

Máquinas e aparelhos para empacotar/embalar

14.908.083

14%

15 anos (2041)

1.878.418

Cefaclor, cefalexina e cefalotina sódica

11.569.208

14%

10 anos (2036)

1.133.782

Partes de máquinas de terraplanagem

11.053.446

10%

10 anos (2036)

994.810

Total do Top 10 de Importações Goianas

256.848.891

—

—

21.430.918

A remoção de tarifas sobre bens europeus importados por Goiás ocorrerá de forma gradual, cerca de 50% dos itens terão barreiras extintas a partir de 2034, estendendo-se até 2042 para setores sensíveis. Para os dez principais produtos importados pelo estado, projeta-se um aumento de compras entre US$ 19 milhões e US$ 26 milhões anuais ao fim do cronograma (US$ 21,4 milhões na média), com ganho de US$ 1,9 milhão (R$ 10 milhões) no primeiro ano.


A pauta de importação de Goiás é concentrada em insumos farmacêuticos e bens de capital. A redução tarifária barateará a aquisição de máquinas de embalagem, equipamentos de terraplanagem e matérias-primas medicamentosas, incentivando a modernização tecnológica do parque industrial goiano.


Marcos regulatórios, salvaguardas e governança comercial


Tema Regulatório / Capítulo

Diretrizes e Normas Estipuladas

Regras de Origem

Anexo único por produto; de minimis de até 10% de insumos não originários; limites de conteúdo importado entre 40% e 70%; transição para autocertificação em até 5 anos.

Facilitação de Comércio

Publicação prévia de regras; consultas antecipadas sobre classificação fiscal (validade de 3 anos); liberação aduaneira em até 48h para cargas de baixo risco; aceitação do Carnê ATA.

Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS)

Mecanismo de pré-listing (aprovação de plantas em até 40 dias úteis); simplificação por análise de risco; adoção do princípio de regionalização em episódios sanitários.

Salvaguardas Bilaterais

Acionamento se importações subirem >5% sobre a média de 3 anos e o preço for ≥5% menor que o interno; suspensão de preferências por até 2 anos (prorrogável por mais 2).

Compras Governamentais

Acesso recíproco a licitações (limiares de SDR 216 mil para bens/serviços e SDR 8 milhões para construção); preservação de margens de preferência nacionais e exclusão do SUS.

No campo operacional, destacam-se a exigência de rastreabilidade para preferências tarifárias e a migração gradual para a autocertificação das empresas. A consolidação do pré-listing simplifica a habilitação de plantas frigoríficas e industriais de Goiás em até 40 dias úteis.


A cláusula de regionalização garante que eventuais surtos sanitários isolados não paralisem as exportações do estado inteiro. Além disso, o setor produtivo dispõe do Decreto nº 12.866/2026 para acionar salvaguardas bilaterais em caso de prejuízos causados por picos de importação europeia.


Sustentabilidade, propriedade intelectual e atração de investimentos


Pilar do EMPA / Parceria

Exigências e Diretrizes de Implementação

Comércio e Sustentabilidade

Compromisso com o Acordo de Paris, combate ao desmatamento e convenções da OIT; monitoramento por painel de especialistas.

Regulamento Europeu (EUDR)

Comprovação de área livre de desmatamento pós-2020 via geolocalização e due diligence; vigência em 30/12/2026 para grandes/médias e 30/06/2027 para PMEs.

Indicações Geográficas (IGs)

Proteção mútua de nomes tradicionais (grandfathering para termos como parmesão); inclusão do Açafrão da Região de Mara Rosa por Goiás.

Atração de Investimentos

UE detém 41% do estoque de IDE no Brasil (US$ 464 bilhões); aporte de R$ 1,56 bilhão via Global Gateway em conectividade, hidrogênio e minerais críticos.

O tratado exige conformidade ambiental e trabalhista, alinhando-se às regras do EUDR para cadeias de soja, carne bovina, madeira, cacau, café, borracha e óleo de palma. As empresas goianas dessas cadeias deverão apresentar declarações de due diligence e geolocalização comprovando a ausência de desmatamento após 31 de dezembro de 2020.


No âmbito da Propriedade Intelectual, Goiás foi contemplado com a proteção oficial do Açafrão da Região de Mara Rosa no mercado europeu. Por fim, o programa europeu Global Gateway direcionará R$ 1,56 bilhão (266,58 milhões de euros) para projetos de infraestrutura sustentável, hidrogênio de baixo carbono e minerais críticos, beneficiando diretamente os polos industriais e minerários do estado de Goiás.


Mercado europeu abre oportunidades e desafios para a indústria goiana após acordo comercial


O acordo de livre comércio firmado entre Mercosul e UE tem movimentado o setor produtivo brasileiro e exigido adequações rápidas por parte das empresas, sobretudo em Goiás. Ao Jornal Opção, o analista de desenvolvimento da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Saulo Nogueira, analisou, nesta quinta-feira, 29, o panorama das negociações, o nível de preparação do empresariado local, as exigências regulatórias do bloco europeu e o impacto econômico projetado para o Estado.


A implementação das regras do acordo provocou uma mudança de postura nos empresários locais, que precisaram acelerar seus planejamentos para acompanhar a abertura dos mercados. “Desde maio, quando o acordo entrou em vigor, caiu a ficha para o empresário brasileiro e até mesmo para o governo. O acordo foi assinado rapidamente naquela reta final das negociações, e, quando se viu, as fronteiras já estavam se abrindo a partir do dia 1º de maio, enquanto o setor privado brasileiro ainda não estava muito preparado”, afirmou.


Segundo o analista, empresas que já atuavam no comércio exterior apenas incrementaram suas atividades, participando de feiras e buscando novos parceiros, enquanto companhias que não exportavam começaram a se estruturar com um certo atraso.


“Normalmente, quando há um acordo desse porte, negociado durante mais de vinte anos, o setor privado se planeja com antecedência. No ano que vem entra em vigor, então vou começar a criar laços, fazer parcerias comerciais na Europa e buscar importadores para já ter essa vantagem. Isso não aconteceu muito neste caso. Agora as empresas estão correndo atrás, principalmente em Goiânia e em outros municípios, ao perceberem que o corte tarifário foi expressivo”, destacou.


Um dos fatores que favorece temporariamente a indústria nacional é a assimetria na redução de barreiras, o que garante um período de transição protetivo. “Enquanto a Europa reduziu suas barreiras muito rapidamente desde o dia 1º de maio, o Brasil vai demorar um pouco mais. Temos uma certa proteção, o que é favorável para a indústria brasileira. Por outro lado, é excelente para os nossos exportadores, pois o incentivo para vender ao exterior aumentou com a queda substancial das taxas anteriores”, explicou.


Em relação aos requisitos técnicos e sanitários impostos pela UE, especialmente no segmento de alimentos, Saulo Nogueira apontou para a necessidade de avaliação criteriosa sobre a viabilidade dos investimentos. “O empresário deve entender as regulamentações e as exigências europeias, que são muito rigorosas. A União Europeia é famosa por ter os compradores mais exigentes do mundo. É preciso avaliar se vale a pena se adaptar ou não, pois, em alguns casos, as exigências ambientais, trabalhistas e sanitárias são tão elevadas que talvez o investimento não compensará”, apontou.


Apesar da complexidade, o analista enfatizou que o destino compensa financeiramente os esforços. “O mercado europeu é enorme e muito rico, o que permite pagar valores superiores aos de outros destinos. Se um exportador vende para a África do Sul ou para o Egito por 100 dólares, na Europa ele consegue obter o equivalente a 130 ou 150 dólares. Trata-se de um mercado extremamente atraente”, disse.


As exigências de adequação de produtos e de rotulagem refletem a diversidade cultural e os padrões de consumo dos 27 países membros, destacando-se como uma especificidade adicional do bloco europeu. “A União Europeia possui dezenas de países, cada um com culturas, idiomas, hábitos e preferências distintas. É necessário estar preparado para adaptar o produto a cada mercado. Recomenda-se escolher dois ou três países e focar neles. Se o idioma for um fator decisivo, países como Portugal e Espanha costumam ser as portas de entrada naturais”, sugeriu.


Ele lembrou, contudo, que a estrutura comunitária facilita a padronização informativa: “Por ser uma união, existe um padrão em que se insere um modelo de rótulo com as exigências específicas de idiomas e a listagem de ingredientes, o qual passa a ser aceito em todos os países membros”.


Sobre os destinos preferenciais das mercadorias goianas dentro da Europa, Nogueira informou que os dados específicos ainda estão em consolidação devido ao caráter recente do tratado, mas indicou o fluxo histórico do comércio.


“Historicamente, há uma preferência pelos principais compradores e por nações com maior afinidade cultural, como Portugal, Espanha, Itália e França. Frequentemente, encontra-se um importador ou distribuidor na Holanda, que abriga o Porto de Roterdã, o principal ponto de entrada no continente, e a partir dali os próprios europeus fazem a distribuição do produto. A escolha depende da estratégia da empresa, seja para abastecer uma rede de supermercados específica ou uma grande distribuidora holandesa”, disse.


A imagem da produção agropecuária brasileira perante o consumidor europeu também foi abordada durante a entrevista. Nogueira reconheceu que o tema envolve discussões políticas e de mercado, mas apontou para a idoneidade do setor exportador.


“Este é o tema mais complexo e espinhoso, mas totalmente passível de trabalho. Por um lado, há uma questão de informação, de combater preconceitos com fatos. Há também a postura defensiva de governos locais em relação aos seus próprios agricultores. Por outro lado, o consumidor europeu possui elevada consciência ambiental e trabalhista, e tem o direito de exigir critérios para a compra”, afirmou.


Ele reforçou a necessidade de respeito às regras multilaterais do comércio. “O comércio internacional segue as regras da Organização Mundial do Comércio. Se a Europa cria uma exigência arbitrária fora do bom senso ou do âmbito jurídico internacional, os países exportadores podem questionar o órgão para negociar soluções”, disse.


“É uma disputa constante, visto que os europeus mantêm posturas protecionistas. As grandes empresas exportadoras brasileiras já cumprem todas as legislações ambientais do país e estão apresentando proativamente seus processos produtivos para comprovar essa conformidade”, completou.


Quanto aos impactos econômicos de longo prazo, os estudos técnicos indicam um ganho progressivo para a balança comercial do Estado. “Fizemos uma estimativa detalhada sobre o potencial de crescimento das exportações. O volume aumentará à medida que as barreiras forem reduzidas em etapas ao longo dos anos. O cronograma prevê cerca de seis etapas, com reduções de 10% a 15% nas tarifas a cada dois anos, gerando um crescimento equivalente nas vendas”, detalhou.


O teto de isenção e a plena vigência do acordo estão projetados para meados da próxima década. “O modelo definitivo estará consolidado por volta de 2036. A estimativa é de que Goiás alcance um ganho adicional de cerca de 210 milhões de dólares por ano em exportações em relação ao patamar atual”, revelou.


Por fim, o analista explicou sobre que o papel institucional das entidades de classe no suporte técnico às empresas durante a transição comercial. “Nós da Fieg estamos acompanhando a implementação do acordo e vamos monitorar a aplicação prática para questionar eventuais barreiras injustificadas junto à Confederação Nacional da Indústria e ao Governo Federal”, apontou.


“Do lado do setor privado, a recomendação é se preparar, analisar o mercado, participar de feiras e buscar parcerias. O Centro Internacional de Negócios da Fieg oferece diversos serviços de apoio para orientar tanto quem já exporta quanto quem deseja iniciar a inserção no mercado internacional”, concluiu.


Preparação da indústria Goiana diante do acordo comercial Mercosul-União Europeia


A viabilização do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia impõe uma reestruturação estratégica às indústrias de Goiás. Ao Jornal Opção, a gerente de internacionalização da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Juliana Tormin afirmou que a pactuação institucional entre os blocos já é uma realidade e transfere para o setor privado a responsabilidade de adequação imediata. “O acordo comercial já existe. O que as empresas precisam é adequar os seus produtos para que eles entrem no mercado europeu”, explicou.


A transição para o novo cenário comercial impõe regras específicas de acesso aos mercados internacionais e exige agilidade do setor produtivo. A gradual diminuição das alíquotas de importação, prevista para se estender até 2030, desloca o foco de atenção dos empresários para o cumprimento das barreiras não tarifárias.


“A barreira tarifária vai cair até 2030. A questão principal é a barreira sanitária. O mercado europeu é muito exigente em relação a critérios de sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade dos insumos e mercadorias”, disse.


Diante do rigor regulatório europeu, a Fieg atua na orientação das empresas goianas por meio da elaboração de diagnósticos de mercado e apoio técnico voltado para o alinhamento com padrões internacionais. “O que foi feito e o que continuaremos fazendo é buscar novas alternativas e estudos de mercado, mostrando que esses mercados existem e que temos bons produtos para entrar neles”, disse.


A gerente citou o suporte oferecido pelo Conselho Temático de Meio Ambiente e pelo Hub ODS como ferramentas na busca por conformidade. “Esse é um trabalho a longo prazo”, destacou, acrescentando que grandes indústrias locais já consolidadas no exterior “servem de espelho para as pequenas e médias empresas que querem entrar no mercado europeu”.


A abertura do mercado exige também atenção aos reflexos sobre a concorrência doméstica, visto que as empresas europeias possuem um perfil produtivo voltado ao comércio exterior. “As indústrias europeias já nascem preparadas para exportar, porque são mercados pequenos e o que elas produzem não fica retido apenas no mercado interno”, pontuou.


Com a redução progressiva das tarifas de importação, esses produtos ingressarão no mercado brasileiro e em países parceiros do Mercosul. “No Mercosul, não haverá mais concorrência apenas entre os países iniciais do bloco. Outros produtos da Europa também vão entrar nos países que eram os nossos parceiros”, afirmou.


A consolidação do tratado exige antecipação na melhoria dos processos e na incorporação de tecnologias por parte do empresariado regional. “2030 está próximo. Restam poucos anos para que as nossas empresas se preocupem em elevar o seu padrão de qualidade”, ponderou Juliana, classificando a nova conjuntura como “um duplo benefício e um duplo desafio”, ao ressaltar que o aumento da competitividade gerará impactos positivos para o consumidor final com a maior oferta de bens.


Por fim, a gerente reforçou que a Fieg permanece à disposição das indústrias para orientar sobre os desdobramentos do acordo, visando a preservação da fatia de mercado interno e o aproveitamento das oportunidades de exportação.

 
 
 

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