Governo estuda aumentar ainda mais o percentual de biodiesel no diesel
- há 11 minutos
- 3 min de leitura
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro
Publicado em 31 de agosto de 2026

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), está analisando o aumento do percentual dos biocombustíveis no combustível vendido nos postos. No caso do diesel, a análise chega a uma mistura de 25% de biodiesel.
De acordo com o ministério, esses estudos podem apoiar o uso de mais fontes renováveis no transporte, sem comprometer o funcionamento e desempenho dos veículos.
O Ministério de Minas e Energia (MME) faz parte do esforço conjunto, avaliando a viabilidade técnica das misturas B20 e B25. A sigla B20 refere-se ao combustível composto por 20% de biodiesel e 80% de óleo diesel de origem fóssil, enquanto, na B25, a proporção de biodiesel sobe para 25%.
Uma eventual ampliação dessas misturas reduziria a quantidade de combustível fóssil presente em cada litro abastecido e aumentaria a participação de fontes renováveis no transporte. Entre os possíveis efeitos estão a redução das emissões de poluentes e a menor dependência do petróleo.
Os testes no INT vão avaliar o desempenho de veículos pesados acompanhando uma frota de ônibus em circulação com as novas misturas, em condições reais de circulação. Esse acompanhamento permitirá avaliar o consumo, a potência do motor, a eficiência e vida útil dos filtros de combustível e a performance desses veículos abastecidos com esses novos teores de biodiesel.
Outra análise é referente à utilização de uma mistura maior de etanol na gasolina, chegando a um percentual de 35%. A pesquisa avalia a compatibilidade de materiais, peças e componentes automotivos que entram em contato com os combustíveis.
Para quem utiliza ou administra frotas, a mudança pode afetar o consumo de combustível, o lançamento de poluentes e a eficiência geral dos veículos. Por isso, os estudos buscam verificar se as novas proporções podem ser utilizadas com segurança e sem prejuízos ao funcionamento.
O trabalho integra a rede de pesquisa estruturada pelo MCTI e MME, coordenada pelo Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que reúne diferentes instituições científicas e tecnológicas.
Problemas em caminhões mais antigos
Em caminhões mais antigos, não preparados para misturas de biodiesel mais altas, O teor elevado do biocombustível afeta tanto o desempenho quanto a durabilidade dos componentes. O biodiesel possui poder calorífico menor do que o diesel mineral (cerca de 9% a 12% a menos por litro) e propensão à absorção de umidade, afetando a eficiência da queima e a manutenção.
Com isso, o motor entrega menos torque e potência por litro queimado. Para compensar essa perda em aclives ou com carga máxima, a central eletrônica injeta mais combustível, elevando o consumo sem gerar o ganho correspondente em desempenho.
Além do impacto imediato no bolso, teores muito elevados aceleram o desgaste de componentes críticos do sistema de alimentação. O biodiesel tem maior afinidade com a água e se degrada mais rápido, formando borras no tanque, entupindo filtros precocemente e prejudicando os bicos injetores do sistema Common Rail. A pulverização deficiente resulta em queima incompleta e acúmulo de carbono dentro da câmara de combustão.
Por fim, a presença de combustível não queimado nas paredes dos cilindros pode migrar para o cárter e diluir o óleo lubrificante, reduzindo a proteção do motor e aumentando o risco de fundição. Em veículos mais antigos ou sem a devida homologação das montadoras, o alto teor também corrói mangueiras e vedações de borracha, causando vazamentos e falhas operacionais graves.




Comentários