Mercado Livre chega a 3,8 milhões de m² em galpões logísticos
Mundo Logística - Ana Beatriz Rodrigues
Publicado em 04 de novembro de 2026
Segundo levantamento da JLL, a área ocupada pela companhia cresceu 52% em 2026; empresa ainda mantém outros 800 mil m² pré-locados no país.

O Mercado Livre é a empresa com a maior área ocupada em galpões logísticos no Brasil. Segundo levantamento da JLL, a companhia soma 3,8 milhões de m² ocupados e mantém outros 800 mil m² pré-locados no país. Dessa forma, o espaço utilizado pela empresa supera o estoque logístico de diversos estados e fica atrás apenas dos mercados de São Paulo e Minas Gerais.
Para se ter ideia da dimensão dessa operação, a área ocupada pelo Mercado Livre já supera o estoque de condomínios logísticos de alto padrão do Rio de Janeiro, estimado em 3,1 milhões de m². O volume também ultrapassa os estoques de Santa Catarina (2,5 milhões de m²) e do Espírito Santo (1,8 milhão de m²).
O marketplace pode ultrapassar todo o estoque do estado mineiro de 4 milhões de m² ao considerar os 800 mil m² pré-locados. No caso de São Paulo, a empresa está longe de
A ampliação da presença do Mercado Livre no mercado imobiliário logístico acompanha um plano de investimentos de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026 - valor 50% superior ao aplicado pela companhia no país no ano anterior. A empresa prevê abrir 14 novos centros de distribuição no modelo fulfillment, ampliando a estrutura de 28 para 42 unidades no Brasil.
Entre os anúncios mais recentes da companhia está um novo complexo logístico de 464 mil m² em Campinas (SP). O empreendimento será construído em frente ao Aeroporto Internacional de Viracopos e desenvolvido pela BTS Properties no modelo built-to-suit (BTS), sob medida para a operação da companhia.
PARTICIPAÇÃO DO VAREJO E E-COMMERCE NA LOCAÇÃO DE GALPÕES LOGÍSTICOS
Além disso, a participação do Mercado Livre é reflexo da participação do Varejo e E-commerce nos contratos de locação de galpões logísticos. Fora de São Paulo, o setor respondeu por 50% das absorções no terceiro trimestre de 2026, seguido por Transporte e Logística (24%) e Alimentos e Bebidas (7%).
O Mercado Livre esteve envolvido em quatro dos seis maiores negócios, com a pré-locação de 47 mil m² no XPEX Contagem (MG) e a ocupação de 32 mil m² no Arteca Log III e de 23 mil m² no Vegas Log I, também em Minas Gerais. No Rio Grande do Norte, a empresa pré locou 29 mil m² no Doca Condomínio Logístico.
No mercado paulista, esses segmentos representaram 58% das locações no mesmo período. O Mercado Livre fechou três dos seis maiores contratos, com a pré-locação de 78 mil m² no NM KSM LOG Guarulhos I, a ocupação de 62 mil m² no CL Imigrantes 5 e a pré-locação de 55 mil m² no BTG AAA Cajamar. A Shopee também aparece entre os destaques, com a pré-locação de 48 mil m² no Parque Logístico Guarulhos II.
Juntas, as duas empresas que movimentam o comércio eletrônico brasileiro já ocupam cerca de 5,5 milhões de m² em galpões logísticos e têm outros 1,2 milhão de m² pré-locados. De acordo com a JLL, esse cenário mantém a disputa por galpões aquecida.

O Mercado Livre, em 2018, ocupava 100 mil m² no país. Segundo o relatório da JLL, a empresas, que ocupava 100 mil m² de galpões logísticos em 2018, alcançou 2,5 milhões de m² em 2025. Um ano depois, ampliou essa área em 52%, chegando a 3,8 milhões de m² ocupados.
Já a Shopee entrou nesse mercado em 2021 e alcançou 1,7 milhão de m² ocupados neste ano, além de manter 500 mil m² pré-locados. A expansão da área acompanha o crescimento da estrutura de distribuição da empresa no país.
Entre agosto e outubro deste ano, a companhia inaugurou centros de distribuição em Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES) e Blumenau (SC), chegando a 30 unidades espalhadas pelo Brasil.
Com as novas estruturas, a Shopee passou a contar com 25 centros de distribuição cross-docking e cinco empreendimentos fulfillment. A rede logística da plataforma inclui ainda mais de 200 hubs. Recentemente, a empresa divulgou que conta com mais de 5 mil “Agências Shopee” no país, presentes em mais de 1,2 mil cidades e utilizadas como pontos de coleta e entrega para vendedores.
MERCADO LOGÍSTICO NACIONAL
Além da participação do Varejo e do E-commerce nas locações, o relatório da JLL aponta para uma procura por galpões logísticos superior à oferta disponível no país. O levantamento indica que a taxa de vacância chegou a 4,8% no terceiro trimestre de 2026 - o menor nível da série histórica.
A absorção líquida somou 1 milhão de m² no período. No acumulado de 2026, o indicador chegou a 3,1 milhões de m². Já a absorção bruta, que contabiliza o total de áreas locadas, atingiu 1,5 milhão de m² entre julho e setembro e 4,3 milhões de m² no ano.
Enquanto isso, o preço pedido pelos proprietários chegou a R$ 35,20 por m², com altas de 15,9% em relação ao trimestre anterior e de 16,1% na comparação anual. No período, foram entregues 800 mil m² de novos galpões, elevando o estoque adicionado em 2026 a 2,2 milhões de m².




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