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O elo esquecido do planejamento logístico

  • há 23 horas
  • 4 min de leitura

Mundo Logística

Publicado em 28 de julho de 2026


Malha e roteirização já têm solução consolidada, mas a decisão mais cara (quantos veículos, de que tipo e de onde) ainda é tomada em planilha; é aí que o OPTMILE atua.


Fonte: Mundo Logística
Fonte: Mundo Logística

O planejamento logístico se organiza em três níveis, e dois deles estão bem servidos de tecnologia. No nível estratégico, ferramentas de desenho de malha definem onde ficam fábricas, CDs e hubs, um mercado maduro, com soluções consolidadas, entre elas o FOCS, da brasileira INPO. No nível operacional, roteirizadores calculam as rotas de amanhã com precisão crescente, o SPOT.R, da mesma casa, é uma das opções.


Entre um e outro, porém, existe uma camada de decisão que a indústria de software deixou órfã: o planejamento tático do last mile. É nessa camada que se decide quantos veículos a operação precisa, de que tipos, onde posicionar pontos de apoio avançados, quanto terceirizar e com que frequência atender cada região.


São as decisões que definem a estrutura de custo da distribuição. A última milha, inclusive, pode representar até 65% do custo total de transporte, segundo o estudo Last Mile Experts 2024. Ainda assim, na maioria das operações brasileiras, essas escolhas não são planejadas: são herdadas.


A frota de hoje é a de ontem mais os ajustes de emergência. E cada decisão de capacidade não testada vira um custo que se repete todo mês.


Assim como o S&OP estruturou o planejamento tático de demanda, produção e estoques, falta às empresas um processo equivalente para a capacidade de transporte, um S&TP (Sales & Transportation Planning). É esse o nome que a INPO dá à disciplina que ocupa a camada órfã: o processo tático de dimensionar e ajustar a capacidade de transporte para atender a demanda prevista ao menor custo, respeitando o nível de serviço.


Quem já procurou tecnologia para esse problema conhece a frustração. As suítes globais de Supply Chain Design anunciam módulos de “fleet sizing”, mas foram construídas para outro problema: otimizar cargas consolidadas em lanes (fluxos entre fábricas, CDs e grandes clientes). Funcionam bem ali. O que elas não fazem é lidar com a natureza da distribuição pulverizada: dezenas ou centenas de milhares de pontos de entrega, drop-size pequeno, malha urbana irregular, sazonalidade semanal, restrição de circulação.


Nesse regime, otimizar rota a rota no nível tático é inviável e desnecessário. O problema pede outro método.


OUTRO MÉTODO, OUTRA PERGUNTA


O OPTMILE, desenvolvido pela INPO a partir de pesquisa acadêmica premiada em transportes, parte de uma pergunta diferente. Em vez de “qual a melhor rota para amanhã?”, ele responde: “quanto custa atender cada região, e com qual estrutura?”. A ferramenta simula a operação e calcula o custo de servir de cada região a partir de cada base operacional, determinando a frota ideal por tipo de veículo, a localização de transit points, o nível de terceirização e o comportamento do custo por perfil de entrega.


O modelo incorpora o que faz diferença na operação real: o tamanho médio dos pedidos por região, a sazonalidade da demanda na semana e no ano, e a capacidade dos veículos em quatro dimensões: peso, volume, quantidade de itens e valor. O resultado é um número que toda operação de distribuição deveria ter e pouquíssimas têm: o custo real por entrega, região a região.


“O modelo não confirma hipótese. O modelo revela o que você não estava enxergando”, resumiu o diretor da INPO, Cauê Guazzelli.


Um padrão observado em dezenas de projetos: o maior ganho raramente está onde a equipe esperava. Muitas vezes não é a localização das instalações, é o dimensionamento delas e da frota que as serve.


DECIDIR ANTES DE PAGAR


Na prática, o OPTMILE permite testar decisões antes de executá-las: e se a operação absorver a mudança de perfil de demanda de uma região? E se abrir um ponto avançado no interior? E se migrar parte da frota para terceiros ou para veículos elétricos, avaliando simultaneamente custo e emissões? É a diferença entre descobrir o erro na simulação ou descobri-lo no fim do mês, já pago.


Os resultados sustentam o método. Em uma operação nacional de distribuição de proteínas, de uma das maiores cooperativas do país, o redimensionamento tático identificou potencial de redução superior a 11% no custo logístico. Em uma multinacional de lácteos, a reconfiguração da distribuição e do last mile no Brasil gerou redução de 15,9%. Em um dos maiores marketplaces da América Latina, a metodologia apoiou o planejamento tático da malha de entregas em plena expansão. Em distribuição urbana densa, com centenas de rotas diárias e produto sensível ao tempo, a redução chegou a 17,9% no custo operacional.


Poucas empresas no mundo desenvolvem soluções para os três níveis do planejamento logístico; a INPO é uma delas e é isso que permite ao OPTMILE operar integrado de ponta a ponta: recebe o desenho estratégico do FOCS e alimenta a roteirização do SPOT.R, fechando a cadeia de decisão do estratégico ao operacional com dados consistentes entre os níveis. Todas as soluções são desenvolvidas no Brasil, comercializadas em reais e implantadas com acompanhamento técnico da equipe que as criou.


A malha estratégica tem software. A rota de amanhã tem software. O que falta, na maioria das operações, é o planejamento do meio, e ele tem nome: S&TP. Dimensionar a capacidade de transporte com método, e não por herança, é a decisão que separa o custo que se repete do custo que se reduz.

 
 
 

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