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Paraná será pioneiro no uso de bonde sem trilhos na América do Sul

Portal Be News

8 de setembro de 2025 às 9:34

Da Redação

Fonte: Portal Be News / Foto: Roberto Dziura Jr. / AEN
Fonte: Portal Be News / Foto: Roberto Dziura Jr. / AEN

Linha experimental usará sensores magnéticos para guiar veículo elétrico que promete reduzir custos e ampliar segurança no transporte metropolitano


O Paraná será o primeiro estado da América do Sul a testar o Bonde Urbano Digital (BUD), uma tecnologia de transporte público que combina características do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e do BRT (Bus Rapid Transit). A linha experimental ligará os municípios de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e promete reduzir custos de implantação ao dispensar trilhos físicos — o veículo é guiado no asfalto por meio de indução magnética.

De acordo com o governo do Paraná, o BUD é fabricado pela empresa chinesa CRRC Nanjing Puzhen e utiliza a tecnologia Digital Rail Transit (DRT), que faz os pneus seguirem um “trilho virtual”, formado por marcadores magnéticos e sensores no pavimento. Por ser 100% elétrico, o modelo contribui para a redução de emissões e de custos operacionais com combustíveis.

Para a fase de testes, o Executivo estadual informa que está investindo cerca de R$ 6 milhões em obras de adaptação. Serão realizadas intervenções no pavimento para instalação dos sensores magnéticos que orientam o veículo e adequações nos terminais de ônibus da rota. Em Piraquara, será construída uma garagem de manutenção ao lado do terminal. A expectativa é que o sistema entre em operação em novembro deste ano.

O trajeto terá cerca de 10 quilômetros de extensão, saindo do Terminal de Pinhais, passando pela Avenida Ayrton Senna da Silva e pela Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel até chegar ao Terminal São Roque, em Piraquara. O BUD poderá transportar até 280 passageiros por viagem. Durante os testes, os ônibus convencionais que atendem à linha — responsáveis por transportar cerca de 10 mil pessoas por dia — continuarão operando normalmente.

Com 30 metros de comprimento, ar-condicionado e operação bidirecional, o BUD tem velocidade máxima de 70 km/h, superior aos 60 km/h do sistema BRT, e vida útil estimada em 30 anos, o triplo dos veículos convencionais. Entre os diferenciais estão o rastreamento automático, orientação autônoma e sistemas de proteção eletrônica ativa. O veículo é equipado com sensores, radares e câmeras, o que garante maior segurança, especialmente por compartilhar a via com carros, caminhões, motos e ônibus.

Outro atrativo do sistema DRT é o menor custo de implantação, até três vezes inferior ao de sistemas de VLT. O tempo de implementação também é curto: pode levar cerca de um ano para vias de até 15 quilômetros, com uma frota de 15 veículos. A tecnologia ainda permite ampliar a capacidade de transporte por meio da composição de até quatro vagões de 10 metros cada, atendendo até 360 passageiros — número superior à lotação máxima dos maiores ônibus articulados em operação na RMC, que transportam 250 pessoas.

Ainda segundo o governo paranaense, os benefícios também se estendem à infraestrutura viária. Por ter peso reduzido e carga por eixo menor que a de ônibus elétricos, o BUD ajuda a diminuir os gastos públicos com manutenção do asfalto.

O veículo é movido por baterias de íons de lítio de 600 kWh, que podem ser carregadas de forma rápida nas estações por meio de pantógrafos aéreos — dispositivo que conecta o teto do veículo à rede elétrica. Em apenas 30 segundos de carga, o BUD ganha autonomia para percorrer de três a cinco quilômetros. A recarga completa, que leva cerca de 12 minutos, permite rodar até 40 quilômetros de forma contínua. A tecnologia também está preparada para, futuramente, operar com hidrogênio.


Referência mexicana


A experiência paranaense tem como referência o projeto implantado em Campeche, no México, que se tornou o primeiro sistema DRT da América do Norte. Em operação desde junho, o modelo mexicano conta com uma linha de 15 quilômetros, sendo cinco em via segregada, 13 estações e cinco veículos de três vagões cada, ligando o trem Maya ao aeroporto, bairros residenciais, centro histórico e áreas turísticas. A implantação completa levou 14 meses.O BUD também já está presente em cidades da China e em fase de instalação na Austrália. No Paraná, os três vagões chegaram desmontados e o processo de montagem levará cerca de 30 dias. A instalação dos ímãs no pavimento começará em breve.

 
 
 

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