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Sem frota própria e sem CD: Como a Eu Entrego processa 12 milhões de pedidos por mês

  • há 23 horas
  • 6 min de leitura

Mundo Logística - Ana Beatriz

Publicado em 07 de julho de 2026


Empresa atua em mais de 400 cidades brasileiras com foco no same day delivery e combina entregadores autônomos, Inteligência Artificial e Ship From Store.


Fonte: Mundo Logística
Fonte: Mundo Logística

Apesar de atuar em mais de 400 cidades brasileiras, a EuEntrego não tem frota própria, galpão e nem escritório. Mesmo assim, a empresa processa cerca de 12 milhões de pedidos mensais — com foco no same day delivery. A logística que sustenta essa operação combina entregadores autônomos, tecnologia e o modelo de Ship From Store.


A estratégia da Eu Entrego acompanha a expansão do e-commerce no Brasil. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOMM), o setor deve movimentar cerca de R$ 260 bilhões até o final de 2026 — ao todo, a expectativa é de somar aproximadamente 460 milhões de pedidos.


Nesse sentido, empresas procuram formas de acompanhar esse crescimento e atender clientes cada vez mais exigentes com prazos menores. E é nesse cenário que a operação da Eu Entrego busca viabilizar entregas rápidas para todo o país.


O PAPEL DECISIVO DAS ENTREGAS RÁPIDAS  


Com o avanço do comércio eletrônico, a entrega deixou de ser apenas mais uma fase de uma operação logística para se tornar critério na hora de uma compra. Essa é a visão do CEO da EuEntrego, Vinicius Pessin. “No e-commerce, a cereja do bolo, ou literalmente a última milha da experiência do cliente, é a entrega”, declarou.


Para a MundoLogística, o executivo explicou que o prazo de entrega no e-commerce diminuiu na última década. Segundo ele, o setor tem pouco mais de 20 anos de história no país, e prazos de 7 a 15 dias eram normais até cerca de dez anos atrás. Atualmente, a exigência é outra: “hoje, todo mundo quer receber no máximo no dia posterior e, se possível, receber no mesmo dia”, afirmou.


Os números explicam esse comportamento. Um estudo da Capterra, do grupo Gartner, revelou que 95% dos consumidores gostariam de reduzir os prazos de entrega. Além disso, 49% dos entrevistados da pesquisa consideram a rapidez o fator mais importante na entrega dos pedidos, superando inclusive o preço do frete.


“O MENU DO FRETE”: ESCOLHA NA MÃO DO CLIENTE


Essa exigência do consumidor por velocidade esbarra em um outro desafio: o custo da entrega no e-commerce. De acordo com um levantamento da Capgemini, os custos de entrega da última milha representam 41% do custo total da cadeia logística de suprimentos.


“Não tem como fugir: a entrega custa. Ela custa combustível, ela custa desgaste dos veículos, ela custa a remuneração do entregador. Não tem mágica e alguém precisa pagar essa conta”, argumentou Pessin.


O executivo explicou o cálculo por trás dessa etapa da cadeia logística: quando os produtos podem ser entregues em dois ou três dias, um único caminhão consegue levar centenas de pacotes numa mesma rota — diluindo o custo entre todos os pedidos. Já a entrega expressa funciona diferente, com apenas um produto por consumidor. Dessa forma, o custo de toda a rota fica no bolso de um único cliente.


Nesse contexto, a EuEntrego recomenda aos clientes a adoção do “menu do frete” — modelo que dá opções de frete ao consumidor na hora da compra. “Se o cliente não tem pressa, ele pode ter esse produto em três ou quatro dias com o frete grátis. Nesse caso, o prêmio por você se programar ou esperar mais um pouquinho é ter frete grátis”, exemplificou o executivo.


Porém, ficará na mão do consumidor se ele quiser que o pedido chegue antes. “Se o cliente quer receber amanhã, ele vai pagar R$ 9 de frete. Se ele quer receber hoje, vai pagar R$ 20 de frete.”


Segundo o executivo, o “menu do frete é a alma da transformação do negócio”. O modelo evita que uma única opção de frete afaste o cliente e ainda impede que o custo da entrega rápida seja absorvido pela empresa.


“Você dá o poder ao cliente até educá-lo que a urgência tem taxa, urgência tem preço”, resumiu.


A APOSTA NA UBERIZAÇÃO DAS ENTREGAS


Para Pessin, o grande desafio está nos varejistas trabalharem esse menu de frete a seu favor. “Aí que entram serviços como o da EuEntrego, especializados em entregas rápidas”, disse.


Atualmente, 100% das entregas realizadas pela Eu Entrego são feitas no mesmo dia — 30% delas são realizadas em até duas horas. Segundo o executivo, essa velocidade só é possível graças a um modelo “uberizado” de entregas, com uma rede de entregadores autônomos que utilizam veículos próprios sendo remunerados por corrida.


A plataforma já reúne mais de 2 milhões de entregadores cadastrados — considerando cadastros iniciados — e cerca de 250 mil autônomos aprovados e ativos, divididos quase igualmente entre motos e carros/furgões.


“Então, em mais de 400 cidades, a gente [Eu Entrego] tem pessoas comuns que utilizam seus veículos para fazer entregas, no ‘modelo Uber’, e se remuneram por isso”, pontuou.


A empresa atua com mais de 2,4 mil pontos de coleta espalhados pelo país e processa cerca de 12 milhões de pedidos por mês — volume que pode ultrapassar 20 milhões de entregas em períodos de pico, como Black Friday e Natal.


TECNOLOGIA “ORGULHOSAMENTE BRASILEIRA”


O executivo explicou que, para atuar na plataforma, o motorista precisa baixar o aplicativo, realizar o cadastro e passar por uma análise. Após a aprovação, ele já pode começar a operar.


Todo o processo de entrega segue uma lógica parecida com a de aplicativos de transporte: o entregador recebe uma notificação de oferta, aceita, se desloca até a loja, faz check-in por geolocalização — o que impede fraudes — e coleta o pacote, validando por meio de um QR code. Cada etapa é cronometrada e alimenta a Inteligência Artificial da plataforma.


Dessa forma, o algoritmo é abastecido com dados como ponto de coleta, qual o destino e até o peso e volume da carga. “Todas essas decisões são tomadas por algoritmos e por Inteligência Artificial”, explicou.


Ele destacou que a tecnologia de toda plataforma é “orgulhosamente brasileira”. “A gente decidiu resolver problemas logísticos com tecnologia”, afirmou. É por isso que o executivo disse que evita o rótulo de transportadora para definir a Eu Entrego.


“Nós somos uma logtech, ou seja, uma companhia de tecnologia para logística. Por acaso a gente entrega pacotes, mas no fundo é um aplicativo, um software que embarca um serviço tradicional dentro dele”, ressaltou.


LOJAS COMO CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO


Além das entregas uberizadas, a Eu Entrego desenvolveu outra solução para agilizar as entregas: a transformação de lojas físicas em centros de distribuição otimizados. Intitulado Ship From Store, o modelo utiliza o estoque dessas unidades como ponto de origem das entregas e, segundo Pessin, traz vantagens tanto para o varejista quanto para o consumidor.


“O Ship From Store vira uma fortaleza dos varejistas, fazendo com que eles consigam usar a loja como uma fortaleza logística, um diferencial de entrega rápida”, destacou. Já para o consumidor, a vantagem é conseguir o produto que quer mais rápido.


“Isso só é possível devido a players como a Eu Entrego, que conseguem atender raios curtos com pouco volume de entrega”, apontou o executivo. Atualmente, a companhia atende setores como moda, cosméticos, telefonia e farmácia.


Como exemplo, Pessin citou a operação realizada para redes de pet shops, como Cobasi, Petz e Petlove. “As lojas de pet são muito grandes e isso faz com que elas realmente virem mini CDs de bairro”, explicou.


O executivo também destacou a operação desenvolvida para a Riachuelo. Nesse caso, as entregas partem de centros de distribuição, e não de lojas, para atender São Paulo e a região metropolitana. “Se você comprar no site até meia-noite, no outro dia você vai ter a entrega”, comentou.


Outro caso recente do Ship From Store em ação é a parceria com a Kalunga. Para atender à demanda do período de volta às aulas no início do ano, a rede transformou mais de 220 lojas em pontos ativos de distribuição em todo o país.


Ao ser questionado sobre a preparação da equipe para atender a essas operações, Pessin explicou que, na maioria dos casos, os próprios funcionários das lojas são responsáveis por empacotar e preparar os produtos para entrega.


Segundo ele, a tecnologia auxilia nesse processo, pois o aplicativo da Eu Entrego permite identificar os pedidos, definir a ordem de preparação e prever a chegada do entregador.


“Se a loja tem dez pacotes, por exemplo, conseguimos indicar quais três precisam ser finalizados primeiro, porque o entregador já está chegando”, disse.


SHIP FROM STORE NACIONAL  


Além da operação consolidada, a Eu Entrego lançou recentemente o “Ship From Store Nacional”, solução que conecta estoques físicos a destinos em todo o país. A modalidade é sustentada por coletas diárias em mais de 500 cidades e promete entregas em até dois dias para a região Sudeste.


A expectativa da empresa é movimentar cerca de 4 milhões de pedidos em 2026 com essa operação — o que pode representar até 30% do faturamento da companhia no período.  


Agora, conforme explicado por Pessin, a Eu Entrego começa a orquestrar transportadores nacionais ao invés de entregadores autônomos. “A gente [Eu Entrego] deixa de ser um operador local para se tornar um operador nacional de logística para e-commerce”, enfatizou. 

 
 
 

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