Setor exportador vê risco em retaliação do Brasil às tarifas dos EUA
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Porta Be News
Atualizado em 17 de agosto de 2026

Empresários avaliam que processo de reciprocidade terá efeito limitado sobre Washington e defendem avanço de alternativas logísticas para reduzir a dependência das rotas pelo Atlântico.
A decisão do Governo Federal de abrir o processo formal de reciprocidade, em resposta ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, foi recebida com forte apreensão e ceticismo por lideranças do setor exportador da indústria nacional. Dirigentes de entidades industriais e especialistas em comércio exterior avaliaram que o movimento atende mais à estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de inflar a pauta da soberania nacional com vistas à reeleição em outubro do que, propriamente, aos interesses práticos das empresas afetadas pelas sobretaxas americanas.
A avaliação reservada entre grandes exportadores é de que a reação contundente de Brasília dificilmente funcionará como instrumento de pressão eficaz sobre a administração de Donald Trump. Pelo contrário, a leitura de bastidor aponta que a imposição de retaliações comerciais coloca o país em uma posição de vulnerabilidade assimétrica frente à maior economia do planeta. “Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos.
Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista”, afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
Outro fator que alimenta a desconfiança dos empresários é a incompatibilidade entre a urgência das empresas atingidas e o rito burocrático da Lei de Reciprocidade. O processo exige etapas obrigatórias que inviabilizam a aplicação de qualquer contramedida em menos de 90 dias. Como o rito se estenderá até a véspera ou o término do pleito presidencial de outubro, exportadores reservadamente sustentam que a medida foi desenhada como um ativo de palanque para consolidar a liderança de Lula nas pesquisas de opinião pública, ao mesmo tempo em que o mercado financeiro passa a embutir um “prêmio eleitoral” no câmbio, elevando a volatilidade do real frente ao dólar.
Nesse cenário, consultores de infraestrutura consideraram que a pressão sobre o comércio tradicional do Atlântico reforça a urgência de concluir projetos de integração física continental no Brasil, como os acessos à Rota Bioceânica em Mato Grosso do Sul e os investimentos previstos no Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. A promessa de conectar as indústrias e o agronegócio do Centro-Oeste diretamente aos portos do Oceano Pacífico busca baratear o “Custo Brasil” e oferecer rotas alternativas para a Ásia, independente de disputas tarifárias globais.




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