Venda de caminhões tem queda de 4,49% no fechamento de outubro
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro
Publicado em 05 de novembro de 2026

Passados dez meses completos de 2026, as vendas de caminhões seguem em baixa na comparação com os mesmos meses de 2025. Os dados apresentados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mostram que o resultado do ano está 4,49% menor do que o registrado no ano passado.
As vendas totais de 2026 chegaram a 88.170 unidades, ante 92.311 do acumulado de 2025. Além disso, nas outras comparações (mensais), também é registrada queda nas vendas.
O emplacamento de caminhões em outubro teve 9.498 registros, antes 9.851 de setembro, queda de 3,58%. Na comparação com outubro de 2025, a queda foi ainda maior. Naquele mês do ano passado foram emplacados 10.461 caminhões, marcando uma queda de 9,21% no décimo mês desse ano.
Para a Fenabrave, o mercado de caminhões continua enfrentando dificuldades para consolidar a recuperação total em 2026.
“A aquisição de caminhões está diretamente relacionada às perspectivas de atividade econômica e à capacidade de investimento dos transportadores. Com as taxas de juros ainda elevadas e com o fim dos recursos do Move Brasil, as empresas avaliam com cautela a renovação de suas frotas. É possível que com a Fenatran-Feira Nacional de Transportes, que acontece em novembro, sejam intensificados os pedidos de novos caminhões que devem ser confirmados e cuja parte mais relevante poderá impactar mais nos resultados do início de 2027”, afirma Arcelio Junior, Presidente da Fenabrave.
As duas etapas do Move Brasil destinadas à renovação de veículos pesados alcançaram R$ 29,4 bilhões em financiamentos aprovados. O programa contemplou caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, com condições especiais de financiamento para incentivar a renovação das frotas.
O prazo para apresentação de operações foi encerrado em agosto, mas seus reflexos nos emplacamentos podem ocorrer posteriormente, em razão dos prazos de contratação e entrega dos veículos
“Observamos uma recuperação gradual em segmentos como caminhões, ônibus e implementos rodoviários, cuja queda acentuada vem retrocedendo ao longo dos meses, notadamente, após a implantação do Programa Move Brasil. Sabemos que o cenário de crédito permanece desafiador em função das taxas de juros e temos setores em queda acentuada, como é o caso de máquinas agrícolas, mas revisamos para cima as projeções para esse ano, na maior parte dos segmentos”, afirma o Presidente da Fenabrave.
Mais uma vez, a Fenabrave revisou suas projeções para o fechamento do ano de 2026, mostrando que o segmento de caminhões deve fechar em queda, mas menor do que o previsto anteriormente, que poderia chegar a 7,8%.
Agora, a entidade espera que as vendas de caminhões cheguem a 107.465 unidades, queda de 3,1% em relação a 2025.
“Os resultados acumulados permitem uma avaliação mais favorável para o fechamento do ano […], continuamos projetando retração para caminhões e ônibus, ainda que menores que as estimadas em julho, mas abaixo do que prevíamos em janeiro. O único segmento que retornou aos índices projetados em janeiro foi o de implementos rodoviários, assim como mantivemos as perspectivas de crescimento para motocicletas, que devem alcançar novo recorde histórico em 2026”, avalia Arcelio Junior.
Termômetro econômico
Com uma movimentação de cargas que chega a 70% de tudo o que é produzido e consumido no Brasil, o setor de transportes é considerado um dos termômetros da economia.
Quando indústrias, o agronegócio, o varejo e a construção civil preveem crescimento no volume de produção e vendas, os transportadores compram caminhões com antecedência para suprir a demanda logística que virá à frente.
Diante de incertezas econômicas, como as vividas atualmente, além de queda no consumo ou retração na produção, as empresas adiam a renovação da frota para preservar caixa, fazendo com que as vendas de veículos pesados caiam antes mesmo que a recessão seja refletida no PIB geral.
Além disso, em muitos casos, transportadoras médias e pequenas mudam o foco do mercado de caminhões novos para modelos seminovos e usados, reduzindo ainda mais os números das vendas de caminhões no país.



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