Bradesco e Itaú desabam quase 30% na pré-abertura de NY; Petrobras cai 23%
Economia UOL - Alexandre Novais Garcia
Publicado em 26 de outubro de 2026
As ações das empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores dos Estados Unidos têm forte desvalorização após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as maiores perdas antes da abertura de Wall Street, aparecem a Petrobras e os bancos Bradesco e Itaú.
O que aconteceu
Ações das empresas brasileiras recuam após vitória de Lula. Antes da abertura dos negócios de Wall Street, o resultado eleitoral repercute na cotação das ADRs (Recibos de Depósito Americanos) brasileiras listadas na Bolsa de Nova York. Às 8h21, o EWZ, principal ETF do Brasil negociado no exterior, desabava 25,58% e era negociado por US$ 31,68.
Bancos nacionais aparecem entre as quedas mais expressivas. Por volta das 8h13, os papéis do Bradesco desabavam 29,98%, para US$ 2,85, e eram acompanhados pelas ações do Itaú Unibanco, que recuavam 28,13%, a US$ 6,95. O Nubank e o Santander Brasil têm quedas menos expressivas, de 22,57% e 11,71%, respectivamente.
Petrobras também desaba na pré-abertura de Wall Street. As ações da petrolífera brasileira recuavam 25,59% às 8h21 e eram vendidas por US$ 19,99, menor cotação desde a véspera do primeiro turno das eleições gerais no Brasil, realizadas em 4 de outubro.
Outras empresas nacionais também registram quedas relevantes. A petroquímica Brasken despencava 31,76% e tinha as ações negociadas a US$ 1,16 na pré-abertura do mercado norte-americano. A cervejaria Ambev recuava 16,06%.
Resultados revertem otimismo após primeiro turno das eleições. O desempenho do pré-mercado devolve a precificação do mercado financeiro por um governo reformista no Brasil com o percentual de votos favorável a Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno do pleito. "Um discurso de vitória [da equipe de Lula] que reafirme a meta fiscal de 2027 e confirme a equipe econômica limita o estrago", avalia Camilo Cavalcanti, gestor da Oby Capital.
Ibovespa teve alta generalizada na sessão seguinte ao primeiro turno. O principal índice acionário do Brasil saltou 7,7% e superou os 200 mil pontos pela primeira vez na história no dia 5 de outubro. A alta foi puxada pelo desempenho de bancos, varejistas e construtoras.
Expectativa do mercado envolvia aposta por governo reformista. As esperanças pela alternância do poder consideravam a projeção de um maior controle das contas públicas, o que poderia abrir espaço para uma queda da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. "A política econômica será previsível, mas a dívida deve subir de 83% para perto de 95% do PIB até 2030, e a Selic pode nem chegar a 11% no mandato", afirma Cavalcanti.




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