Caminhão a hidrogênio da GWM realiza o primeiro transporte de carga da América Latina
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Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro
Publicado em 26 de agosto de 2026

A GWM Brasil realizou a primeira operação de transporte de carga com um caminhão equipado com célula de combustível de hidrogênio da América Latina. A operação foi realizada com um caminhão da empresa tracionando uma carreta cegonheira carregada com carros e SUVs eletrificados da própria marca, partindo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, com destino ao Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Essa operação também marcou a primeira demonstração do caminhão em uma situação real de transporte de carga em território brasileiro. Após completar o percurso, o veículo ficará no Festival de Interlagos.
Este veículo inicia uma nova etapa dos esforços da companhia para avançar em soluções de transporte pesado com emissão zero.
“Estamos falando de uma tecnologia que une o melhor dos dois mundos: a robustez e confiabilidade de um caminhão elétrico e a autonomia proporcionada pelo hidrogênio verde com um processo de abastecimento rápido e zero emissão do tanque à roda”, destaca Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen Brasil.
Características do caminhão
Desenvolvido pela GWM Hydrogen, o caminhão é elétrico e movido por célula a combustível (FCEV). O sistema utiliza o hidrogênio armazenado nos cilindros e o oxigênio do ar para gerar eletricidade a bordo, que alimenta o motor elétrico. Nesse processo, a emissão no escapamento é apenas vapor d’água (H2O).
O modelo é equipado com bateria de 105 kWh e um conjunto de cilindros de fibra de carbono capaz de armazenar até 40 kg de gás hidrogênio a uma pressão de até 350 bar.
O veículo também conta com sistema de recuperação de energia durante frenagens e desacelerações, recurso que permite reaproveitar energia em situações como descidas de serra.
O conjunto entrega até 400 kW (544 cv) de potência e 2.700 Nm de torque, números compatíveis com as exigências de carga e rota do transporte pesado brasileiro. Com os cilindros abastecidos, a autonomia pode chegar a 500 km, enquanto o reabastecimento é realizado em poucos minutos. O sistema permite ainda operação contínua por mais de dez horas.
Outro diferencial está na capacidade de carga. O caminhão possui Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas, cerca de 500 kg mais leve que a média dos concorrentes. Na prática, a redução de peso amplia a capacidade útil de carga sem abrir mão da robustez estrutural necessária às aplicações de transporte pesado.
Por não utilizar combustão para gerar a energia que movimenta o veículo, a tecnologia apresenta zero emissão local de gases de efeito estufa e de poluentes associados aos motores convencionais, como NOx, hidrocarbonetos (HC), monóxido de carbono (CO) e material particulado.
A confiança da GWM na introdução dessa tecnologia no mercado brasileiro se apoia na experiência acumulada pela FTXT, subsidiária da GWM na China responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de célula a combustível e componentes para aplicações que utilizam hidrogênio. Fora do país asiático, a companhia adota a marca GWM Hydrogen, reforçando sua atuação global nesse segmento.
Atualmente, mais de 30 mil veículos com tecnologias semelhantes já circulam na China. Entre as operações de destaque, a FTXT colocou mais de 500 novos caminhões a hidrogênio em operação na cidade de Baoding, ultrapassando a marca de 2.000 unidades em circulação. Somente em 2025, foram mais de 1.000 novos veículos, consolidando a experiência da empresa na aplicação da tecnologia em larga escala.
Os veículos são projetados para operar em condições severas. As células a combustível suportam partidas a frio em temperaturas de até -30°C, além das exigências de longa autonomia e elevada carga útil características dos caminhões pesados. Os modelos permitem ainda reabastecimento em poucos minutos e operação contínua por mais de dez horas, inclusive sob temperaturas extremas. E é essa robustez, já testada em larga escala no mercado chinês, que a GWM começa agora a avaliar e adaptar à realidade brasileira.
Parceria com IPT
A primeira operação de transporte de carga também é viabilizada pela parceria entre a GWM e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que proporciona a realização de testes e estudos conjuntos relacionados à segurança, desempenho e viabilidade da aplicação do hidrogênio em veículos pesados.
O Laboratório de Hidrogênio do IPT possui duas Hydrogen Refueling Stations (HRS), ou estações de abastecimento de hidrogênio: uma de 700 bar para veículos leves e outra de 350 bar para veículos pesados. Com a disponibilização da infraestrutura, a GWM passa a contar com um local para abastecer o caminhão a hidrogênio em São Paulo, fomentando e acelerando o processo de viabilização do projeto no país.
O acordo entre GWM e IPT também abre caminho para novas frentes de pesquisa e desenvolvimento na área de hidrogênio, incluindo testes de tanques de alta pressão e estudos de segurança e eficiência energética. A colaboração está alinhada às diretrizes do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), que incentiva o fortalecimento das bases tecnológicas e a cooperação entre setor público e privado.
“O hidrogênio é mais do que um vetor energético, se trata de um vetor de desenvolvimento social, ambiental e tecnológico para o Brasil. Trabalhar ao lado do IPT, uma das principais instituições de pesquisa do país, é um passo decisivo para tornar o caminhão a hidrogênio uma realidade no mercado nacional”, afirma Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen Brasil.
Com esta primeira rodagem, a GWM dá início à avaliação prática dessa tecnologia no Brasil e avança na construção de um ecossistema de hidrogênio no país, combinando experiência internacional, pesquisa local e desenvolvimento tecnológico para contribuir com a transição para uma mobilidade mais limpa e sustentável.




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