Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Ronaldo Caiado à Globo
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G1 Globo
Publicado em 25 de agosto de 2026
Candidato à Presidência da República pelo PSD foi entrevistado, nesta terça-feira (25), pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, foi entrevistado nesta terça-feira (25) pela Globo.
Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, a entrevista faz parte de uma série realizada com presidenciáveis. É a primeira vez que as sabatinas com postulantes ao Palácio do Planalto são exibidas após o "Jornal Nacional", e não durante o telejornal.
A emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
A programação é a seguinte:
24 de agosto (segunda-feira) - Romeu Zema (Novo) – leia a checagem
25 de agosto (terça-feira) - Ronaldo Caiado (PSD)
26 de agosto (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
27 de agosto (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
28 de agosto (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
29 de agosto (sábado) - Augusto Cury (Avante)
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Ronaldo Caiado. Leia:
"O Supremo [Tribunal Federal] também concedeu [anistia] ao Lula. [...] Ele foi anistiado. Quer dizer, uma atitude que o Supremo anistiou, para que ele voltasse até para disputar a eleição."
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
Em 8 março de 2021, o STF anulou todas as condenações de Lula impostas pela Justiça Federal do Paraná relacionadas à Operação Lava Jato. O STF determinou a anulação das quatro ações contra o petista: a do triplex do Guarujá, a do sítio de Atibaia e outras duas envolvendo o Instituto Lula.
O relator do caso, ministro Edson Fachin, entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba – que estava nas mãos de Sergio Moro e depois passou a Gabriela Hardt – não era o "juiz natural" dos processos contra o petista. Fachin entendeu que não existia relação entre os desvios praticados na Petrobras, investigados na Lava Jato, e as irregularidades atribuídas a Lula, como o custeio da construção e da reforma do tríplex.
Fachin não tratou do mérito da condenação. Também não disse que Lula era inocente. Ele considerou que não cabia a Moro (ou Hardt) julgar o réu naqueles processos específicos. Para Fachin, a sentença dada no Paraná foi irregular – e, portanto, inválida.
Já em 23 de março de 2021, a 2ª Turma do STF declarou em julgamento que Moro agiu com parcialidade ao condenar Lula no caso do triplex, estabelecendo que esse processo deveria voltar à estaca zero. Em 23 de junho, o plenário da Corte confirmou essa decisão.
A anulação dos quatro processos contra Lula restabeleceu os direitos políticos dele, mas isso é diferente de "anistia", termo que se refere ao perdão concedido, por lei, a quem responde por um crime na Justiça. A Constituição determina que a anistia é uma atribuição do Congresso Nacional.
O glossário do Senado traz a seguinte definição: "Perdão concedido por lei a quem tenha praticado ato sujeito a punição, na esfera judicial ou administrativa, e que impede o Estado de exercer sua pretensão punitiva ou faz cessar os efeitos de condenação já ocorrida. Pode referir-se a crimes, contravenções, infrações administrativas, entre outras [...]".
"O cidadão trabalha 24 horas por dia, e o salário não consegue pagar as contas dele. De repente, 80% da população aí tomada por dívida."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Um levantamento divulgado em 6 de agosto pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que 82% das famílias brasileiras estão endividadas. O nível é o maior desde o início da série histórica da entidade e o sexto recorde consecutivo.
O percentual tem como referência o mês de julho de 2026, e cresceu 0,4 ponto em relação aos dados do mês anterior, quando estava em 81,6%.
Em comparação a julho de 2025, avançou 3,5 pontos percentuais, quando o índice estava em 78,5%.
"O brasileiro, na última eleição [presidencial], 38 milhões não foram às urnas."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
Nas eleições presidenciais de 2022, 32,7 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno, segundo dados disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O nível de abstenção, de 20,9%, foi o mais alto desde as eleições de 1998, quando 21,5% do eleitorado não votou.
Já no segundo turno do mesmo ano, 32,1 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o que representa 20,57% da população apta a votar, o menor percentual desde 2006. Foi a primeira vez que a abstenção no segundo turno foi menor do que a do primeiro turno.
"60 milhões de brasileiros estão numa condição de hoje escravizados pelo narcotráfico."
A declaração É #FATO. Veja por quê:
Uma pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha, publicada em maio deste ano, estima que 68 milhões de brasileiros percebem a presença de grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas ou milícias no seu bairro de moradia, o equivalente a 41% da população. Destes, quase metade classifica essa atuação como "visível" ou "muito visível". No entanto, 12% dos entrevistados disseram ter sido compelidos a contratar serviços oferecidos pelos criminosos.
A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, afirmou em entrevista ao jornal "O Globo" que isso pode ser interpretado como uma "notícia positiva" do levantamento, em termos de incidência, pois essa "nova camada, ainda mais cruel de exploração da população nesses territórios, ainda parece restrita a algumas localidades".
Já em junho de 2025, o mesmo Datafolha publicou estudo também encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em que afirmou que ao menos 28,5 milhões de pessoas convivem com o crime organizado no bairro onde vivem.
Já o estudo "Governança criminal na América Latina: prevalência e correlações", realizado pela universidade britânica Cambridge e publicado em agosto de 2025, estimou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivem em locais com regras impostas por facções criminosas.
"É exatamente aquilo que se tem na Europa. Existe a Europol. E lá eles tem essa mesma facilidade de interagir com informações. Ela tem toda a ação e liberdade [...]. Ela faz a prisão e entrega para a autoridade local. Ela tem essa inteligência ampliada."
A declaração de Caiado sobre o compartilhamento de informações pela Europol é #FATO.
A declaração de Caiado sobre a possibilidade de a Europol efetuar prisões é #FAKE.
Veja por que a primeira delas é #FATO:
O site oficial da Europol (a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial) explica na seção "Sobre a Europol" que ela "ouve as necessidades dos Estados-membros da União Europeia (UE) e analisa as tendências da criminalidade na UE".
Também "apoia as investigações iniciadas pelos Estados-Membros".
"O trabalho da Europol consiste geralmente em lidar com crimes que exigem uma abordagem internacional e a cooperação entre vários países, dentro e fora da UE."
Veja por que a segunda delas é #FAKE:
Mas, ao contrário do que afirmou Caiado, a Europol não prende suspeitos. O da agência destaca: "os agentes da Europol nunca prendam cidadãos nem iniciam investigações".
Na seção de perguntas e respostas frequentes do portal, há a seguinte questão: "Os funcionários da Europol podem prender criminosos?". A réplica explica: "Sinto muito desfazer a ilusão, mas não é como nos filmes. Os funcionários da Europol não têm poder para prender suspeitos de crimes. Em vez disso, nossos analistas fornecem informações valiosas às autoridades nacionais, para que elas possam desmantelar grupos criminosos, identificar os autores e efetuar as prisões".
"Tralli, você sabe como é que essa matéria [reforma tributária] foi votada no Congresso Nacional? Você já viu contar, na sua vida, que uma emenda à Constituição brasileira que mexe com 215 milhões de brasileiros seja votada por voto virtual?"
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
Quando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Tributária foi votada na Câmara, o então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), autorizou votação virtual, tornando possível que os parlamentares registrassem presença e voto por meio do aplicativo da Casa. Isso não significa que eles não estiveram no plenário, como comprovam fotos e vídeos registrados naquela data (assista abaixo).
Ao todo, 503 dos 513 deputados votaram. No primeiro turno, o placar foi de 382 x 118 em favor da aprovação da reforma. No segundo, 375 x 113.
Entretanto, quatro meses depois, quando a proposta tramitou pelo Senado Federal, a votação final do tema no plenário contou com uma sessão presencial, em que os parlamentares precisavam estar presentes. À época, 79 dos 81 senadores registraram presença e participaram da votação, cujo placar foi 53 x 24 pela aprovação nos dois turnos. O então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), não votou.
Em função de mudanças no texto realizadas pelo Senado, a proposta voltou à Câmara, que aprovou novamente o texto em votação em que os parlamentares poderiam votar de forma virtual.
"Hoje, o presidente da Colômbia, que acabou de assumir, já declarou [traficantes] como terroristas."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que tomou posse no início do mês, anunciou nesta terça-feira (25) uma proposta de reforma para classificar guerrilheiros, narcotraficantes e outras organizações ilegais como terroristas.
A proposta será encaminhada ao Congresso e deve estabelecer critérios para definir o que caracteriza uma “organização terrorista” no país.
A partir dessa definição, o governo pretende elaborar uma lista oficial com os grupos que se enquadram na categoria e poderão ser tratados pelo Estado como organizações terroristas.
"Goiás tem a menor taxa de evasão escolar do Brasil."
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
A versão mais recente do relatório anual “Taxas de Rendimento Escolar”, divulgada em junho de 2026 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), não coloca Goiás como o estado com menor taxa de evasão escolar do Brasil.
Para fazer essa checagem, o Fato ou Fake considerou apenas os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e os três anos do ensino médio da rede pública, sob responsabilidade do estado. Isso porque os primeiros anos do ensino fundamental competem aos municípios.
No caso dos anos finais do ensino fundamental, Goiás ocupa o quinto lugar entre todas as unidades da federação com relação às taxas de abandono: o índice ficou em 0,4% em 2025. Ficou atrás de Mato Grosso (0%), Paraná (0%), Ceará (0,3%), Espírito Santo (0,3%) e Santa Catarina (0,3%).
Já no ensino médio, o estado ocupou a oitava posição, com taxa de 1%. À frente, aparecem Mato Grosso (0,2%), Paraná (0,3%), Espírito Santo (0,5%), Piauí (0,5%), Pará (0,6%), Pernambuco (0,6%) e Mato Grosso do Sul (0,9%).
O Fato ou Fake procurou a assessoria de imprensa de Caiado para perguntar sobre fonte da informação mencionada pelo candidato na entrevista. A resposta citou que ele “usou como referência os dados do Inep”. Ou seja, são justamente os números que não mostram Goiás com a menor taxa de evasão.
"Como é que pode um governador, por dois mandatos, chegar a 88% de aprovação no seu estado."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Duas pesquisas da Quaest registraram 88% de aprovação do governo de Ronaldo Caiado em Goiás: a primeira, em dezembro de 2024; e a segunda, em agosto de 2025. Em ambos casos, a margem de erro era de 3%, e o nível de confiança, de 95%.
Outras duas sondagens sobre a avaliação do governo mostraram estabilidade na aprovação da gestão de Caiado no estado: tanto em abril de 2024 quanto em fevereiro de 2025, a aprovação registrada foi de 86%.




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