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Goiás soma mais de 6,3 mil ocorrências de fogo em 2026 e investiga suspeita de incêndios criminosos

  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Diário de Goiás - Elysia Cardoso

Publicado em 26 de agosto de 2026


Goiás já soma 6.342 ocorrências de fogo em 2026, enquanto incêndios atingem áreas da Chapada dos Veadeiros e de Goianésia; Semad investiga suspeita de ação criminosa.


Fonte: Diário de Goiás
Fonte: Diário de Goiás

Goiás enfrenta um avanço no número de queimadas durante o período de estiagem. Dados da Defesa Civil apontam que o Estado já registrou 6.342 ocorrências de fogo em vegetação em 2026, sendo 2.435 apenas em agosto. Em julho, foram contabilizados 1.723 registros.


Na Chapada dos Veadeiros, no Nordeste goiano, mais de 1,2 mil hectares de vegetação foram consumidos pelo fogo somente neste mês. Diante da dimensão dos incêndios e de indícios encontrados durante fiscalizações, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) investiga a possibilidade de que parte dos focos tenha sido provocada de forma criminosa.


A situação também mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e equipes da Operação Cerrado Vivo, que atuam no combate às chamas e no monitoramento das áreas de risco.


Indícios de incêndio criminoso na Chapada


Durante uma fiscalização realizada na manhã de terça-feira (25), equipes da Semad identificaram indícios que levantaram a suspeita de ação humana deliberada em incêndios registrados na região da Chapada dos Veadeiros.


Os fiscais encontraram áreas de vegetação desmatadas ilegalmente e leiras montes formados por restos de vegetação atingidas pelo fogo. Também foram identificados pontos em que o material aparentemente havia sido preparado para ser queimado.


Somente durante a fiscalização, foram identificados pelo menos dois hectares de Área de Preservação Permanente (APP) desmatados ilegalmente, além de outros 16 hectares de vegetação que teriam sido retirados de forma irregular.


As APPs são áreas ambientalmente protegidas, geralmente associadas a margens de rios e outros cursos d’água, onde a retirada de vegetação é submetida a regras específicas de preservação.


Fogo atingiu leiras em assentamento


Um dos pontos que mais chamaram a atenção das equipes está na região do Córrego do Bonito, em um assentamento no município de Colinas do Sul.


Na segunda-feira (24), um incêndio atingiu a vegetação da região e avançou sobre leiras formadas a partir de restos de desmatamento. Segundo as informações levantadas durante a fiscalização, as chamas se espalharam horizontalmente pelo material acumulado.


Também foram identificados indícios de fogo criminoso nas proximidades do assentamento Morro do Bonito, em uma área de difícil acesso, e em um lixão da região. Os bombeiros atuaram para controlar as chamas e impedir que o incêndio avançasse em direção à serra.


A Semad acompanha a situação e investiga as circunstâncias que deram origem aos incêndios.


Operação monitora áreas de risco


O aumento dos focos de incêndio também colocou em alerta as equipes responsáveis pelo monitoramento ambiental em Goiás. Segundo o coordenador da Defesa Civil, André Luiz Aquino, houve crescimento no número de pontos de calor registrados no Estado.


Uma das regiões que recebem atenção especial é o entorno do Parque Estadual da Serra Dourada. O objetivo é evitar que eventuais focos de incêndio avancem para dentro da unidade de conservação. Nas proximidades do parque, cerca de 1,5 mil hectares já foram atingidos pelo fogo, segundo o monitoramento apresentado pela Defesa Civil.


Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, na região da Chapada dos Veadeiros, o incêndio foi controlado em Colinas do Sul. Mesmo com o combate às chamas concluído, as equipes permanecem em vigilância para identificar possíveis pontos de reignição.


A Operação Cerrado Vivo também acompanha a situação e deve contribuir com o monitoramento e com o levantamento das causas dos incêndios.


Estado teve aumento de 30% nas queimadas


O cenário deste ano é de aumento na ocorrência de queimadas em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo os dados apresentados, Goiás registrou 30% de aumento nas queimadas na comparação com o mesmo período do ano passado. Somente na semana passada, foram contabilizados mais de 200 focos de incêndio no Estado.


Os números da Defesa Civil mostram ainda uma aceleração das ocorrências durante agosto. Até agora, foram 2.435 registros de fogo em mato no mês, contra 1.723 em julho. O acumulado de 6.342 ocorrências em 2026 reforça a necessidade de monitoramento durante o período de estiagem, quando a baixa umidade, a vegetação seca e as altas temperaturas favorecem a propagação das chamas.


Incêndio destrói 182 hectares em Goianésia


Outro incêndio de grandes proporções mobilizou equipes de emergência em Goianésia, a cerca de 176 quilômetros de Goiânia. As chamas começaram no domingo (23), às margens da GO-230, e consumiram aproximadamente 182 hectares de vegetação em uma área de reserva legal de propriedades rurais.


O fogo começou no sentido Goianésia–Ceres, a aproximadamente cinco quilômetros da área urbana. Inicialmente, atingiu a margem esquerda da rodovia e depois avançou para o lado oposto, alcançando uma extensa área de palhada em uma propriedade particular.


Segundo o Corpo de Bombeiros, mais de 600 hectares ficaram sob risco durante a ocorrência. Com o trabalho das equipes, cerca de 484 hectares foram preservados, o equivalente a aproximadamente 75% da área que esteve ameaçada.


Força-tarefa reúne bombeiros, empresas e voluntários


O combate foi coordenado pelo 18º Batalhão Bombeiro Militar (18º BBM), de Goianésia, e contou com a participação da Patrulha Rural de Combate a Incêndios da Prefeitura, equipes da Usina Goianésia, funcionários da propriedade atingida e voluntários.


Para conter o avanço das chamas, foram utilizados tratores, caminhões-pipa da Prefeitura e de empresas locais, além de bombas costais, abafadores e sopradores. A ação conjunta evitou que o fogo atingisse sedes de propriedades rurais, edificações, outras estruturas e animais.


No segundo dia de combate, na segunda-feira (24), os trabalhos se concentraram na contenção das chamas e na proteção das áreas de reserva legal, impedindo que o incêndio avançasse para propriedades vizinhas.


Bombeiros alertam para risco de novos focos


Mesmo após o controle do incêndio em Goianésia, o Corpo de Bombeiros alertou para a possibilidade de novos focos. A recomendação é que a região continue sendo monitorada, principalmente em áreas de serra e de difícil acesso.


Brasas que permanecem sob a vegetação ou em pontos de difícil alcance podem provocar a reignição do fogo, mesmo após o controle das chamas.


O caso também evidencia o risco dos incêndios florestais em áreas rurais próximas aos centros urbanos. Em Goianésia, além dos 182 hectares efetivamente atingidos, uma área mais de três vezes maior precisou ser protegida durante a operação para evitar que o fogo se espalhasse.


Com o avanço da estiagem e o aumento dos registros de queimadas, as autoridades mantêm o monitoramento de áreas consideradas prioritárias em Goiás, especialmente unidades de conservação, áreas de preservação e regiões rurais próximas a rodovias e propriedades.

 
 
 

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